domingo, 21 de fevereiro de 2010

Busão IV

Busão IV


( Reynollds Augusto)

As viagens percorridas até Patos do início da tarde e varando o começo da noite sempre nos deixavam na expectativa e ficávamos esperando o que aconteceria em mais um capítulo da novela do dia. Um personagem jocoso que deixou saudades foi o nosso motorista “Chico Brilhante”. Só há pouco tempo me informaram que ele havia desencarnado. Emiti minhas vibrações de reconhecimento e de agradecimento por ele, apesar de aparentar uma dureza de coração, sempre nos levava animado para irmos em busca da qualificação. As confusões, brigas, paradas no meio do caminho para discutirmos as teses de quem estava certo ou não, fazia parte do processo. Chico gostava da “bagunça” e com o seu riso irônico sempre parava na estrada para ouvir o “circo pegar fogo”. Estudante é sempre estudante e apesar de a maioria já estarem cursando o nível superior ainda não tinha erradicado o comportamento de estudantes secundários, que sempre gostam de confusão. Também, é muita energia para se gastar.

Mas nessa novela de nossas vidas não poderiam deixar de falar no baluarte do discernimento, o meu primo DEON FONSECA. Deon sempre foi incisivo, participativo e atuante na vida social. Viajava conosco a Patos para cursar Geografia, uma das muitas graduações de que é detentor. Tenho certeza de que ele conhece alguns capítulos dessa novela do Busão em sua percepção pessoal e poderia democratizar essa experiência nos fazendo relembrar de um tempo que não volta mais que não sai de nossas lembranças. Que tal se dispor a elaborar um texto continuando essa série de lembranças. Que tal fazer o Busão V. Pense lá.

Mas quem não gosta de uma noite enluarada no sertão? É um espetáculo que, infelizmente, poucos mortais procuram admirar e separar um tempinho para visualizar. Esse é um detalhe da vida que conta para a nossa felicidade e por isso que é preciso sair da “prisão” da casa e sentir a beleza da natureza que Deus nos presenteou.

Mas nesse dia a lua estava mais viva, mais pujante a mais iluminada. Não é que na vinda para Itaporanga, lá pelas tantas o Busão Vermelho deu uma pane na parte elétrica e não se conseguia resolver o problema. Era um pouco mais de meia noite e depois de Santa Terezinha.
- E agora?
- Agora vamos telefonar da próxima cidade, para Itaporanga nos socorrer.
- Mas tá todo mundo dormindo e já é tarde. Esse socorro não virá hoje.
- “Peraí”! (Disse Chico)

Depois de sair e olhar a lua. Viu que a “bicha” tava mais iluminada do que nunca. Pensou e resolveu fazer com que a luz da lua nos servisse de farol. Chegaríamos cedo e ninguém perderia o trabalho e uma noite sem sono. Voltaríamos devagar e escolheríamos dois “olheiro” para ajudar a Chico- Antônio Filho foi um deles- que já estava com a vista “cansada”.Depois das discussões de praxe, os conservadores defendiam que era tolice arriscar a vida; os jovens , cheio de vigor ponderavam que dava par ir. Decidiu-se que íriamos arriscar. E fomos...

Lá fomos nós devagar, quase parando, em direção a nossa Terra Amada. Muita gente nervosa e quando Chico dava um freio brusco era aquela gritaria que doía na alma. De repente ouvimos um outro Antônio, o Carneiro, aquele cantor do “coro de passarinho” Lembram?

- Não há ô gente ô não luar como este do sertão...

Repetiu uma trezentas vezes a estrofe como o “coro de passarinho”, mas dessa vez estava animando o povo.

São muitas estórias para contar dessa odisséia que era viajar a Patos para estudar e é por isso que não podemos perder essa “luta” para trazer a UFCG para Itaporanga e Já. Dia 26 de fevereiro é o ponta pé inicial. Estarão aqui aqueles políticos que sabem de nossas necessidades e estão no mesmo barco nessa direção. Mas virão aqueles que aproveitarão o momento para se promoverem e enganarem o povo, que está deixando se ser besta. Cabe a nos distinguirmos para votarmos em outubro naquele quem tem compromisso com o Vale do Pianco. Senão “haverá choro e ranger de dentes” para os nossos filhos e netos. Eles não merecem essa herança.

PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA. E vá para a manifestação pública. Não perca essa “guerra”.

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