sábado, 30 de julho de 2011

AMIGOS DE INFÂNCIA

O MEU AMIGO DAMIÃO GUIMARÁES
                          ( Reynollds Augusto)

Quando revemos os amigos sentimos uma alegria enorme e quando eles fazem parte daquele grupo de amigos denominado, os da infância, acontece uma reação química inexplicável e damos aquela viagem do túnel do tempo que está enraizado no nosso mundo íntimo. Estou me referindo a DAMIÃO GUIMARÁES que foi protagonista de muitos momentos felizes da minha infância, que não volta mais, mas está sempre presente. O encontrei na Rua Getúlio Vargas “por acaso” e ficamos felizes pelo reencontro.

As nossas experiências emocionais maiores ficam guardadas no fundo da alma e uma visão, um cheiro, uma música, tem a proeza de retirá-las do adormecimento das sensações e é por isso que não conseguimos nos lembrar de tudo e só, apenas, dos episódios que realmente marcaram a nossas vidas. Se tudo que vivemos ao longo da vida e das inúmeras reencarnações estivessem ativados no plano da consciência, sempre, seria um passo para a loucura. A pessoa imperfeita que não consegue abrandar a suas emoções negativas e perdoar o seu irmão fica ouriçado, nervoso, doente, porque não consegue esquecer o mal que lhe fizeram e não passa a vida bem, alimentando vingança.

O sentimento de vingança nutre as suas ações e o sofrimento lhe ronda os momentos. É por isso que Deus, quando oportuniza aos homens o retorno ao campo material, para resignificar a sua vida e oportunizar o reequilíbrio das forças, através da reencarnação, “apaga” a sua consciência plena, temporariamente, para que o homem se torne mais senhor de si, reaprendendo a amar e a viver bem. É uma espécie de esquecimento momentâneo, para que o homem possa seguir o seu rumo em busca da perfeição, relativa, pois a absoluta só Deus a possui, cumprindo aquela velha profecia de Jesus, que é lei da natureza, “nenhuma só das ovelhas do meu Pai, se perderá”. É aquela velha idéia de “salvação” das igrejas tradicionais.

O esquecimento é momentâneo, pois as experiências vividas e todas as nossas aquisições emocionais e intelectuais jamais se perdem, pois são obtenções que fazem parte da nossa individualidade que é o resultado da soma de nossas personalidades, vividas na “magia” do tempo, que no dizer de Einstein, é uma ilusão. Uma ilusão, fisolosoficamente falando, pois na verdade só existe a eternidade. Nós não vamos “morrer” para ir para a vida eterna, nos estamos na vida eterna, hora aqui encarnados, hora “do lado de lá” desencarnados.

Mas a verdadeira jóia é o presente, que é feito de agoras. É ele que constrói o nosso futuro, que não existe, ainda, e faz com que deixemos de cometer as mesmas bobagens cometidas no passado, que também não existe mais. Então, só existe de fato o presente. Deve ser por isso que Jesus nos ensinou que não nos preocupássemos tanto “com o dia de amanhã, pois a cada dia com seu mal”. E eu diria e com o seu bem também. A cada dia com as suas experiências. Há pessoas que não são felizes, pois não exercem essa máxima e esquecem-se de aproveitar o agora.

Mas Damião Guimarães é filho único e sempre foi o “bibelô” do velho CHICO GUIMARÃES de guerra. Deus no Céu de Damiaozinho na Terra. Aquilo é que era amor de pai! Matuto honesto e forte que sempre lutou para ensinar os verdadeiros valores aos seus filhos.

Algo que está enraizado no meu mundo íntimo é que o velho Chico sempre sonorizava a sua vida nos momentos especiais da existência. No fim de ano a sua velha radiola tocava em alto e bom som as músicas natalinas e de fim de ano. No carnaval as inesquecíveis machinhas, que já não se tocam mais. Junho era o mês de forró. Seu Luiz não parava de cantar e tocar. E eu, menino “buchudo”, sempre dava uma passadinha no seu lar e passava horas na balaustrada de sua casa a me encantar com as encantadas musicas que faziam diferença e de quebra ainda apreciava as velhas estórias daquele matuto inteligente, que partiu cedo e deixou muitas saudades. Lembro-me que certa feita “Damiaozinho’ passou no vestibular e a velha radiola quase quebrou:



“Papai, mamãe, que alegria nem é bom falar. Quá, quá, quá, quá, quá, passei no vestibular...



Quando fui crescendo conheci o pensamento da racional Doutrina Espírita, que é Jesus de volta, ensinando à sua pureza doutrinária, as verdades evangélicas, com a ajuda dos imortais. Que no dizer do espírito Amélia Rodrigues, ”quando se ouve uma vez não se esquece jamais”. E nesse impacto de luz, imaturos, queremos que os amigos despertem para o tesouro encontrado e depois entendemos que a coisa não funciona bem assim e cada um só conseguirá ver a luz no seu tempo próprio, nessa eternidade que não tem fim, e nessa imortalidade pessoal que faz parte de nossas vidas. O episódio me faz lembrar o mito caverna de Platão.

Conversávamos muito sobre os temas espíritas, quase um monólogo, e Chico ficava meio que desconfiado. Naquele tempo ser espírita era motivo de desconfiança. Lembro-me que certa vez sai com Damião com o velho Chevette de guerra e ele sempre recomendava a “Miaozinho”:

- Miaozinho tu não vai na onda desse “abesteiado” filho de Ademar Augusto, que ele tem umas conversas estranhas de “esprito” que não dá para acreditar.

Hoje as teses espíritas são plenamente comprovadas em laboratório e os grandes homens do pensamento humano continuam a ensinar a essa sociedade que se diz cristã, espiritualista, mas que age como o mais materialista dos materialista.

A dogmática irracional afastou uma grande parte dos pensadores da religião

Bons momentos aqueles que o tempo não apaga.

A Damião meu reconhecimento de amigo de infância que fomos e amadurecido pela amizade verdadeira que nutrimos atualmente, de irmãos de verdade.

Ficamos felizes quando os nossos amigos estão bem, quando os protagonistas de nossa história pessoal de vida se encontram no caminho da felicidade.



Reveja seus amigos, principalmente os de infância. Telefone. Mande um E-mail. Isso te fará bem.



A “vida” escorre pelas mãos.



PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA. E NÃO SE ESQUEÇA.
 

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