sexta-feira, 5 de março de 2010

Parabéns Itaporanga!


Por Jesus Soares da Fonseca

Parabéns Itaporanga!

É muito gratificante observar o empenho de nossos conterrâneos do Vale do Piancó na edificação de sua Universidade. Pelos relatos que venho lendo nos sites da Região, foi uma festa brilhante, a manifestação feita em 26 próximo passado. Muito mais brilhante foram os dias que antecederam àquela manifestação, com o empenho incansável do povo da Região, através dos Sites, evocando todos, sem distinção, a luta em prol da criação do “Campus” em nossa Região.

Sou um admirador e leitor do nosso grande hidrógrafo, Pedro Severino, mas devo discordar de seu pensamento acerca da fundação da Universidade em plagas do Vale do Piancó. Em primeiro lugar, devo-lhe dizer que não há egoísmo na reivindicação dos itaporanguenses, mesmo porque tal reivindicação, para que o Campus se estabeleça em Itaporanga, não é um desejo isolado dos filhos daquela Cidade, mas de todo Vale do Piancó, pelo menos da grande maioria Valense e a razão é simples, a centralização geográfica de Itaporanga em relação a seus vizinhos.

Qual o nome que a Universidade receberá? Isto é de somenos importância, que seja Universidade do Sertão, Universidade do Vale, UFCG, etc.! O essencial é que Ela passe a funcionar a contento trazendo o Ensino Superior à Região. Não vejo como importunação, a quem quer que seja, o grito reivindicatório de um povo em luta pelo bem estar de suas Plagas, como este que acontece no momento no Vale do Piancó. Acho até que é mais um subsídio para que o Reitor Thompson possa elaborar o seu projeto de expansão da Universidade Federal de Campina Grande, o PLANEXP.

Por outro lado, não entendo que, pelo simples fato da existência de um grande reservatório de água com suas características, haja um grande potencial necessário à instalação de uma Universidade. Não podemos negar que é algo mais, mas não o essencial! O próprio Reitor foi enfático na correspondência que manteve consigo:

“Olá Pedro Severino,

Na verdade quando traçamos o diagnóstico da exclusão da educação superior procuramos priorizar as micro-regiões, em particular as cidades pólos dessas micro-regiões.

Por exemplo, Curimatau, cidade pólo: Cuité; Cariri, cidade pólo geográfico: Sumé, porque a cidade pólo geoeconômica é Monteiro; Vale do Piancó, cidade pólo: Itaporanga; Vale do Paraíba, cidade pólo: Itabaiana.“.

Pelo que pude deduzir, quando o Reitor procura expandir a educação superior, o faz priorizando as Micro-Regiões, como é o Vale do Piancó, e dentro do Vale, conforme suas palavras, a cidade Pólo é Itaporanga. Assim, com a implantação da Universidade em Itaporanga, outras poderão surgir, de futuro, quem sabe, a de Coremas, etc. É de se notar que foi o próprio Reitor Thompson quem conclamou o Povo a fazer-lhe constantes cobranças, isto quando esteve em Itaporanga, no dia do Grande Evento, em frente a Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

Outrossim, devemos ficar alerta contra os vivaldinos, que por certo, aproveitando-se do entusiasmo da ocasião, irão querer tirar proveito em prol de seu cacife eleitoral, de seu bornal político. Não foi a toa as ponderações de Saulo, mostrando-nos o joio e o trigo. Não ficaram vazias e não devem cair no esquecimento as frases do nosso conterrâneo, tão politicamente injustiçado, Chico Lopes - “...não adianta todas essas falácias se não for concretizado esse momento. O nosso povo sofrido não merece ser enganado por políticos desonestos que só conversam e não realizam”.

Os bandeirantes desta campanha jamais deverão ser esquecidos, como Titico Pedro, Reinolds, Herculano, os responsáveis diretos por estes Sites, Ariosvaldo Ferreira, Paulo Rainério e aquelas pessoas que continuam suas campanhas aqui nos Sites, chamando o Povo para a Luta.

E por que me preocupa o que sempre deva ser lembrado? Exatamente porque esta prática do esquecimento não é fato novo! Aqueles conterrâneos que foram os bastiões, os baluartes na criação do nosso primeiro educandário de curso superior, a Escola Normal Padre Diniz, hoje residem na rua do esquecimento na memória de grande maioria da população de Itaporanga.

Pessoas como José Sitônio, Luis Guimarães, Paulo Costa, José Lúcio, Balduino de Carvalho, Cônego Manoel Firmino, que mesmo sem os meios modernos de comunicação, como os que temos hoje, fizeram chegar até à Diocese de Cajazeiras, suas reivindicações, a necessidade de um Curso mais avançado para as jovens que terminavam o primário. Tenho minhas dúvidas, se a geração mais nova de nossa cidade, saiba o que foi o Colégio Padre Diniz, o que Ele representou no seio de nossa Comunidade.

Então, é primordial que a luta continue com mais ardor ainda, não só com nossos escritos aqui nos Murais, mas também fazendo reivindicações, escrevendo àqueles que podem fazer chegar até as Autoridades, o grito altivo da população e não coisas obsoletas, como: Vozes Roucas das Ruas.

Quando Ulisses Guimarães pronunciou que “devemos ouvir as vozes roucas da rua” ele assim falava porque estávamos em plena Ditadura e aquela sua oração significava as vozes abafadas pelo Regime, as conversas e pensamentos feitos em surdina, a revelia dos ditadores. Com o advento da Democracia, este pensamento tornou-se desnecessário, pois o povo deve proclamar os seus direitos com voz plena, com voz altiva e límpida para aqueles que ainda pensam em o enganar, como alguns demagogos, lá no Congresso, que ainda utilizam do Pensamento de Ulisses Guimarães, tornando a oração um Chavão demagógico.

Finalmente, tenho a dizer que a ausência de Efraim, Cícero Lucena e companhia foi muita benéfica ao encontro, pois tais políticos não irão contribuir em nada, na criação do “Campus” de Itaporanga.
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