quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Campestre Clube de Itaporanga Velho de Guerra



( Reynollds Augusto)

Na minha infância querida como também na minha adolescência, que não faz muito tempo, o Campestre Clube de Itaporanga foi e é uma dessas referências que não se apagam da memória. Lembro-me nitidamente a ansiedade que tínhamos para que o domingo chegasse e junto com nosso pai, Ademar Augusto, agora desencarnado, pudéssemos desfrutar da sua magia própria e nos aprazerar com a beleza de suas piscinas, parque, campo de futebol e as velhas manhas de sol que não se apagam da memória.

Quem não se lembra do velho Manoel do Campestre e de Fátima, sua esposa, mulher forte e resoluta, que nos serviam aquelas lingüiças gostosas e tira-gostos que só eles sabiam fazer e o velho pipoqueiro que todas as manhas de domingo movimentava o salão do sodalício a nos fornecer as deliciosas pipocas que comíamos com guaraná. Lembro-me muito de sua imagem, mas perdi o contato e nem sem se o mesmo já viajou dessa esfera para o mundo maior.

Nunca esqueci das grandes noites de São Pedro onde os filhos da nossa mãe Itaporanga se programavam para o reencontro. E todos os filhos, todos os anos estavam lá vivendo a magia das noites de festa e se encantando com o momento que se esvai. O presente é a melhor dádiva da vida. É nele que está a felicidade. Naqueles presentes que hoje se transformaram em passados a vida parecia mais leve e Itaporanga mais bela.
Lembro-me bem que ao aproximar o fim de junho ficávamos alegres esperando a visita anual dos parentes que moram na Capital. Tio Carlito, agora na pátria espiritual, não perdia uma noite de São Pedro. Comprava as mesas com antecedência e as mais próximas do palco. E os primos queridos, agora todos com suas responsabilidades próprias de pais de família e que quase não podem vir à Rainha do Vale. Carlitinho, Pipa, Ana Carla, Arligton, Tataozinho, hoje médico e que mora no sul do país. Foram as melhores festas juninas do anos,

Foi lá que senti uma sensação de estar sendo vigiado, diante de toda aquela multidão. Perpassei o olhar por todas aquelas belas mulheres e identifiquei aquela que me fixava com o olhar penetrante e diferente. Era o amor de minha vida que encontrei numa dessas noite de São Pedro no Campestre Clube. Encontrei Williana e que hoje, casados, estamos construindo nossa história de vida e de amor com três filhas que são os presentes de Deus.

Naquele palco já passara: Luiz Gonzaga, Elba Ramalho, os três do nordeste, trio nordestino, Capilé, Dominguinhos, Nelson Gonçalves, Pinto do Acordeon e,,, tantos artistas famosos que nem dá para lembrar. Itaporanga estremecia de alegria com as visitas de tantos artistas ilustres e o mais importante de todos os seus filhos ilustres.

O tempo é implacável e nada fica para permanecer. Só o espírito é imortal é que viaja para sempre nas paragens carnais rumo ao aperfeiçoamento e que sempre permanece. O resto são palcos que precisam ser arriados para que outro show recomece. Daí a importância de todo ser humano distinguir o que é prioritário do que é secundário e isso depende de maturidade espiritual e foi por isso que Jesus já disse que existem pessoas que “Olham, mas não vêem ; escutam, mais não ouvem”. A maturidade interior depende de tempo.

Ontem e mais uma vez, fui caminhar na pista que dá acesso ao velho Campestre de guerra com o cachorro mais bonito de Itaporanga, meu vira-lata Boomer (é uma pena que muitos não acham e até riem) e ao passar ao seu lado viajei no tempo e resgatei essas memórias que fizeram parte da minha vida e da vida de muitos itaporanguenses. Senti uma tristeza incontida. A sensação que se tem é que o Campestre chegou ao seu termo final e morreu para o presente. Várias pessoas já tentaram levanta-lo mais não deu certo. Parece-me que o tempo do Campestre Clube chegou ao fim, como chega ao fim tudo e todos dessa esfera material. O tempo é inexorável...

O “O Livro dos Espíritos” tem um capítulo que trata da Lei de Destruição. Mas precisamente o capítulo VI e o professor Kardec na questão 728 perguntou aos espíritos informantes:
- É lei da Natureza a destruição?

R Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamais de destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos” (...)

Tudo passa. Estamos passando, a família, os amigos estão passando. Até a própria Terra está passando, mas o que fica é a maior força viva da natureza que é indestrutível e imortal: o espírito. Esse precisa ser alimentado de moral e conhecimento para se melhorar e atingir a plenitude no evo.

Quanto ao Campestre Clube de Itaporanga, vibramos para que ele renasça a volte a brilhar, encontrando algum itaporanguense de criatividade para que possa soerguê-lo e volte a ser aquele velho campestre de Guerra, com suas manhãs agradáveis de sol, com suas lingüiças e pipocas e com a alegria da criançada brincando sem parar.

PENSE NISSO. MAS PENSE AGORA.


Comentários:

Jesus Fonseca disse...

Parabéns, Reynolds, pela bela crônica. Mas te digo, que tu não viajastes sozinho nesta nave do tempo! Eu te acompanhei frase à frase e me bateu aquela saudade danada! Revivi aqueles momentos de alegria das festas juninas, dos bailes de carnaval em cada linha de tua bela crônica, tão bem redigida que tive a impressão dela ser bem curta, acabando-se rapidamente. Parabéns, primo!

Jesus Fonseca
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1 comentários:

Parabéns, Reynolds, pela bela crônica. Mas te digo, que tu não viajastes sozinho nesta nave do tempo! Eu te acompanhei frase à frase e me bateu aquela saudade danada! Revivi aqueles momentos de alegria das festas juninas, dos bailes de carnaval em cada linha de tua bela crônica, tão bem redigida que tive a impressão dela ser bem curta, acabando-se rapidamente. Parabéns, primo!

Jesus Fonseca

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