quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

CAMINHÃO DE MUDANÇA

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjJGVkuwQD0dhVR4qAkeN6hwERE0wpUmp9obo4r_lZenIcA151QiqNwLqWexN9sUZTnvbF8GaG4odM22qXzZPeeRJkLv5ormaezyiaX9E5CmPQMgxcFqXf7KgyPO2Lrgh99CTuTmJA7wJtl/s1600/Caminh%C3%A3o+Pau+de+Arara.bmp
No interior, o carro de mudança de móveis é chamado de andorinha. Lá vai a andorinha! O poema Caminhão de Mudança é o retrato puro e versejado de uma mudança partindo de seu torrão.

Vai pela estrada um caminhão repleto de mudança
Levando a herança de herdeiros de poucos herdados:
Os engradados de uma cama finalmente em pé
Arca e Noé prisioneiros desse estaqueado
Encaixotados os tecidos, mimos e quebráveis
E os incontáveis cacarecos soltos remexidos
Dois falecidos num retrato olham pra paisagem
Guardando imagens e lembranças dos seus tempos idos.

Um velho espelho já trincado mostra o azul do céu
E o mundaréu ensolarado se faz de carona
Uma meia-lona sobreposta com o melhor arrojo
Se faz de estojo pra relíquia da velha sanfona
Uma poltrona escancarada de pernas pra cima
Fazendo esgrima com cadeiras, bancas e tramelas
De sentinela dois pilões de bojo carcomido
E um retorcido pé de bucha de flor amarela.

Em dois colchões almofadados dorme a bicicleta
E duas setas de uma caixa mostram dois achados:
Um emoldurado de retrato com um Jesus sereno
E o último aceno de saudade de um cortinado.
Desbandeirado segue o carro rumo a seu destino
Um peregrino pitombado de grande esperança
Vai, na boleia, um passageiro carregando sonhos
Vai, na traseira, dez carradas de velhas lembranças.


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www.portaldovale.net


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