A poluição do Piancó é o maior atentado contra a vida na região
Por Isaías Teixeira/Sousa Neto/Folha do Vale -
A poluição e a falta de investimentos em adutoras para abastecimento urbano e em micros projetos de abastecimento rural impedem o acesso de grande parte da população do Vale à água potável em pleno século XXI. Um problema grave e que serve de reflexão nesta sexta-feira, 22, Dia Mundial da Água, em uma região que possui metade de toda reserva hídrica da Paraíba.
Mas uma grande quantidade de nossa água está sendo consumida pela poluição, provocada, principalmente, pela falta de saneamento básico nas cidades regionais, especialmente as que margeiam o rio Piancó, que tem recebido esgotos e dejetos dos maiores centros urbanos regionais.
No período chuvoso, o rio, que é o maior patrimônio natural do Vale e a razão do povoamento regional, corre firme e belo, alimentando a maior bacia hidrográfica da Paraíba, mas basta uma mera aproximação de suas águas para se notar que as aparências enganam: as dezenas de esgotos que correm diretamente para dentro do Piancó ao longo do seu curso condenam-no à morte e com ele perecem todo um ecossistema, com terríveis consequências também para a vida humana. Hoje dezenas de cidades da Paraíba e Rio Grande do Norte bebem de nossa bacia através do complexo Coremas/Mãe D’água, conforme apurou a Folha (www.folhadovali.com.br).
Além dos esgotos, o Piancó, que é federal e parte inicial do rio Açu, também é contaminado por minérios nocivos à saúde. Na região de Princesa Isabel, que está dentro da bacia hidrográfica regional, a água se mistura a produtos químicos utilizados em garimpos para extração do ouro e passa a sofrer a contaminação de metais pesados.
Uma das soluções seria a inclusão do Piancó no projeto de transposição do São Francisco, que prevê a revitalização dos rios por onde passarão as águas do Velho Chico. Há uma luta política na Paraíba para a inclusão do nosso rio no projeto, o que seria importante para a melhoria da qualidade e o aumento de oferta da água na região, mas isso também passa pela construção de uma infraestrutura capaz de levar água aos lares das pessoas.
E a falta dessa estrutura por omissão do poder público é que hoje impede que milhares de pessoas em cidades como Itaporanga, Conceição, Caiana, Piancó, Diamante, Boa Ventura e Igaracy tenham acesso à água potável para suprir plenamente suas necessidades. No entanto, é a população rural quem mais sofre, principalmente em períodos de estiagem, como o que ocorre desde o ano passado: a construção de poços comunitários, cisternas e médios reservatórios poderiam resolver o problema, mas tudo esbarra na falta de uma política pública voltada às populações difusas.
Foto: nesta terça-feira, estudantes saíram às ruas de Itaporanga conscientizando a população sobre a importância da água e a necessidade vital de preservá-la.



0 comentários:
Postar um comentário