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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Transposição produz vilas produtivas "fantasmas", denuncia Folha de São Paulo


A Folha de São Paulo publicou uma reportagem falando sobre o andamento e modo de vida das pessoas que estão morando em Vilas Produtivas depois que foram obrigadas a saírem de suas casas devido a construção de barragens pelo projeto da transposição do Rio São Francisco. 

A reportagem visitou Pernambuco e Ceará, mas não esteve em terras paraibanas.

Isso porque das 17 vilas que serão construídas em todo o Projeto São Francisco três vilas ficarão em São José de Piranhas e uma em Cajazeiras.

Mas o problema, de acordo com levantamento feito pelo Radar Sertanejo, é que até agora esses assentamentos rurais ainda não foram se quer iniciados nesses dois municípios por onde passarão as águas do Velho Chico na Meta 3 Norte, antigo eixo norte da transposição.

Veja abaixo a matéria da Folha de São Paulo:

Casinhas coloridas erguidas para famílias que tiveram que dar lugar a canais e barragens da transposição do rio São Francisco estão vazias e degradadas em ao menos duas cidades do Nordeste.

O projeto da transposição prevê 800 unidades em 17 vilas produtivas rurais. O governo federal promete concluir as casas em dezembro deste ano e transferir as famílias até o mês de maio do ano que vem.

Em Sertânia (PE), no núcleo habitacional da Fazenda Salão, as casas estão prontas, mas com rachaduras e infiltrações. Faltam telhas.

O acesso aos imóveis é restrito: corrente e cadeado fecham o portão de entrada.

A vila de 20 casas lembra uma cidade fantasma. O mato toma conta do terreno, e só um vigia permanece por ali.

A alguns quilômetros, o agricultor Francisco da Silva, 68, passa os dias sozinho na casa que era da mãe. Sua família fica na sede do município e só irá para lá quando a vila puder ser ocupada.  

"Só pode ir quando eles [governo] mandarem. Dizem que só quando água passar [pelos canais] é que a gente vai para lá", disse Silva.

Mas os canais da transposição do rio São Francisco só devem receber água do rio no final de 2015.

Pela previsão inicial, as obras iniciadas em 2007 deveriam ter sido concluídas em 2012, mas problemas de projeto exigiram novas licitações, renegociação de contratos e interrupção do serviço por empreiteiras. Apenas os dois lotes tocados pelo Exército estão prontos.

Quando todos os 16 lotes forem concluídos, os canais levarão água a quatro Estados: Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

OBRAS LENTAS

Reportagem da Folha da semana passada mostrou que as obras, após meses de paralisação, estão sendo retomadas lentamente. No trajeto dos canais, há concreto rachado, remendos e mato alto.

Em Mauriti, no interior do Ceará, as casas parecem prontas, mas também já mostram sinais de infiltração. As unidades do núcleo habitacional da fazenda do Descanso também não dispõem de energia elétrica.

EXÉRCITO

Segundo o Ministério da Integração Nacional, a execução e fiscalização das obras das vilas são de responsabilidade do Exército.

"Todas as inconformidades já estão sendo sanadas pela empresa contratada pelo Exército", disse o ministério, em nota. "As famílias receberão as casas com todas as inconformidades sanadas", acrescenta a pasta.

De acordo com o governo federal, cinco vilas já foram implantadas no Estado de Pernambuco em Salgueiro e em Cabrobó, com 196 famílias contempladas.

Radar Sertanejo com Folha de S. Paulo

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Governo não conclui a transposição do São Francisco, mas o BNDES financia obras caras no Peru


Quem toca as obras, no Rio Huallaga, a mais de 400 km da capital, Lima, é a gigante brasileira Odebrecht. A usina é uma peça importante para a Odebrecht, que tem olhos especiais para o território peruano, onde atua há 33 anos.


Na vertente leste da Cordilheira dos Andes, início da Amazônia Peruana, o dinheiro brasileiro começa a erguer uma barragem de 200 metros de altura - e trata-se de muito dinheiro. São mais de US$ 320 milhões em empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), quantia que representa mais de um quarto do custo total da bilionária hidrelétrica de La Chaglla, que será uma das três maiores usinas do Peru em 2015, quando deve ser concluída.
Quem toca as obras, no Rio Huallaga, a mais de 400 km da capital, Lima, é a gigante brasileira Odebrecht. A usina é uma peça importante para a Odebrecht, que tem olhos especiais para o território peruano, onde atua há 33 anos e possui ao menos outros nove empreendimentos (AQUI e AQUI) em execução, desde rodovias a gasodutos e portos.
Há razões de sobra para justificar o interesse da Odebrecht no Peru. As licitações para megaempreendimentos são menos concorridas no país vizinho que em terras brasileiras, onde há mais empreiteiras a disputar o filão. Tomemos como exemplo a própria usina de La Chaglla. Simplesmente não houve concorrência na licitação. Segundo reportagem da revista Carta Capital, o único adversário possível, a empresa peruana Chancadora Centauro, desistiu ainda na fase de estudos, alegando não ter condições de cumprir o prazo.
A conexão com a costa oeste do Peru é também um caminho precioso para os produtos brasileiros atingirem o Oceano Pacífico. Assim, uma empreiteira como a Odebrecht passa a contar com o apoio de outras empresas brasileiras que, por sua vez, ainda podem trazer consigo o suporte de financiadores públicos para grandes empreendimentos. É este o caso dos investimentos no porto de Bayovar, construído pela Odebrecht a partir de dinheiro da mineradora Vale para escoar sua produção de fosfato a partir de uma mina cujos investimentos chegaram a mais de US$ 560 milhões de dólares. (AQUI) A Vale, por sua vez, trouxe a Andrade Gutierrez, que conseguiu dinheiro do BNDES para construção de uma usina de dessalinização da água fornecida à mina. O BNDES, como de costume, não revela quanto repassou à Andrade Gutierrez através do fomento à contratação pós-embarque (leia mais AQUI sobre a falta de transparência do BNDES).
Já na costa leste, a Amazônia Peruana é uma área estratégica para a produção de energia. Estratégica porque a alta declividade em algumas regiões permite represas com menor área de inundação e maior potencial energético. Mas também porque possibilita a venda de energia para o Brasil e, com isso, conquista o coração de financiadores públicos do porte do BNDES. Tanto é que, em 2010, Brasil e Peru firmaram um acordo energético para construção de hidrelétricas em território peruano para exportar energia para o Brasil (AQUI), consolidação de um namoro que começou em 1997 a partir de um memorando de entendimento sobre cooperação em energia (AQUI).
Em contato com a Pública, o BNDES, entretanto, se recusou a comentar quais projetos de hidrelétricas peruanas estariam sendo avaliados pelo banco. "O BNDES não faz comentários sobre se um projeto está ou não sendo analisado pela instituição. Podemos dizer apenas que nenhum daqueles projetos foi até o momento aprovado ou contratado pelo BNDES", informou a assessoria, depois de uma evasiva troca de 27 e-mails com a Pública.
Fato é que, em 2011, a pressão de comunidades indígenas levou a Odebrecht a desistir da construção da usina de Tambo 40, na região Central do país, que seria financiada pelo BNDES. Os grupos populares contestavam a previsão de alagamento de 73 mil hectares de florestas amazônicas e o deslocamento de 14 mil pessoas (AQUI). A hidrelétrica seria construída pela brasileira OAS.
BNDES financia exploração de gás e tragédia ambiental no Peru
O projeto de gás Camisea, no departamento de Cuzco, na Amazônia peruana, próxima ao estado do Acre, foi iniciado em 2003 por uma parceria público-privada, com grande aporte de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Localizado em uma região próxima a comunidades indígenas – como a Reserva Territorial Kugapakori, Nahua, Nanti (RTKN), onde vivem os índios Nahua, Nanti, Matsigenka e Mashco-Piro – o projeto foi visto com preocupação por ambientalistas. O objetivo era transportar gás natural e líquidos de gás natural até a área costeira do Peru, no Oceano Pacífico.
O Consórcio Camisea é liderado pela argentina Pluspetrol, junto à Repsol-YPF, Sonatrach, Hunt Oil, Techpetrol e SK Energy. Durante os primeiros anos de desenvolvimento do projeto, ocorrerm seis vazamentos de gás. Glenn Shepard, antropólogo e etno-botânico convidado pelo Import-Export Bank, dos Estados Unidos a integrar um painel de estudo – o South Peru Panel – sobre o projeto, como condição de empréstimo do banco à Hunt Oil, esteve na região durante duas semanas no final de 2011. Em seu blog, o especialista comentou o descaso com infraestrutura na região, que não tem nem saneamento básico, e ressaltou o que lhe disse um morador local: "não há vida para viver. Sem peixe, não há nada. A água está contaminada. Há muitas doenças". (Leia o informe do antropólogo AQUI e o último relatório lançado pelo painel AQUI, ambos em inglês)
O BID chegou a realizar duas auditorias, e fez um empréstimo de US$5 milhões para o governo, destinado a fortalecer seu sistema de proteção ambiental e social associado ao projeto, de acordo com o próprio banco. A segunda parte do projeto recebeu aprovação de financiamento do Banco Interamericano em 2007 – não sem protestos de organizações ambientais, que alegaram omissão a certos critérios nas auditorias realizadas pelo BID, referentes a danos à biodiversidade e comunidades indígenas.
Em 2009, o BNDES aprovou um empréstimo para exportação da Confab Industrial S/A com destino à Transportadora de Gás do Peru, na modalidade de buyer's credit, na qual o banco estabelece o contrato diretamente com a empresa importadora, por meio do exportador. Como sempre, o valor não é divulgado pelo banco. Este ano, o caso culminou em uma crise no governo peruano, com pedido de demissão do então vice-ministro de Interculturalidade do Peru, Paulo Vilca (leia mais AQUI).
BNDES na Bolívia: ex-ministro aponta má fama de empresas brasileiras
Gasoduto de Camisea no Peru - Imagem -Divulgacao SkanskaGasoduto de Camisea no Peru. Foto: Divulgação Skanska
Os problemas envolvendo obras de empreiteiras brasileiras financiadas pelo BNDES se estendem pela região amazônica de outros países da América do Sul. Talvez um dos mais notórios exemplos é a construção da estrada San Ignacio de Moxos / Villa Tunari, na Bolívia - obra que se tornou um fiasco político e diplomático.
A estrada, também conhecida como rodovia Cochabamba-Beni, é um antigo antigo projeto do governo boliviano que cobria mais de 300 km, mas tomou corpo depois do BNDES firmar um contrato de US$ 332 milhões, através da aliança do então presidente Lula e o mandatário boliviano Evo Morales (AQUI). Faltaria à Bolívia apenas completar US$ 80 milhões para bancar a obra.
A construção da estrada foi entregue à empreiteira brasileira OAS em meio a uma delicada situação: pouco antes, a construtora brasileira Queiroz Galvão havia sido expulsa por não cumprir especificações do projeto de construção de duas rodovias no sul da Bolívia. As estradas apresentavam rachaduras nas obras e utilização de asfalto no lugar de cimento, segundo apontou o governo boliviano em 2007. A Bolívia chegou a decretar a prisão de um dos diretores da companhia, que fugiu do país.
A situação foi revertida após negociações entre Brasil e Bolívia, mas novamente a Queiroz Galvão foi expulsa após divergências no custo de conserto das duas rodovias. A empresa afirmou por nota, na época, que iria buscar ressarcimento pelos danos pela "rescisão unilateral e injustificada do contrato pela Administradora Boliviana de Estradas".
Após a desastrosa operação, a OAS assumiu o contrato de reparo das estradas e, coincidentemente, venceu a licitação para a construção da rodovia San Ignacio de Moxos / Villa Tunari na mesma época.
Apenas dois anos depois, em 2009, a OAS passou a ser investigada pela Controladoria-Geral da Bolívia após avaliações oficiais apontarem superfaturamento na estrada de Villa Tunari. Um estudo da Sociedade dos Engenheiros da Bolívia (SIB, em espanhol) afirmou que o preço de cada quilômetro era o dobro de outras obras na Bolívia, em locais de topografia similar. Além disso, a OAS foi a única empresa a participar da licitação.
Como se não bastasse, um trecho da rodovia passava dentro das terras do Parque Nacional y Territorio Indígena Isiboro-Secure (TIPNIS). O resultado: em agosto de 2011, a Confederação de Povos Indígenas da Bolívia (CIDOB) e outras organizações iniciaram uma marcha em oposição ao projeto, que durou meses e enfrentou prisões e espancamentos de manifestantes. A pressão popular foi tão intensa que balançou o primeiro governo de um indígena no país vizinho e, em outubro do mesmo ano, Evo Morales acabou promulgando uma lei que impedia a rodovia de passar por TIPNIS e o declarava como território intangível.
O imbróglio acabou com o cancelamento do contrato com a OAS e o desgaste foi tamanho que, através da sua assessoria de imprensa, a empresa afirmou que atualmente não possui nenhum outro empreendimento na Bolívia.
O BNDES também foi afetado pela polêmica, e teve de publicar nota oficial afirmando que o banco havia determinado o cumprimento de todas as exigências ambientais cabíveis para que fosse firmado o contrato de financiamento à exportação de bens e serviços utilizados na estrada boliviana. "A assinatura do contrato foi condicionada às exigências usuais do BNDES, além de requisitos adicionais, elaborados em coordenação com o governo boliviano e fiscalizados por auditoria independente. Nos trechos da estrada que não passam por reserva indígena, o licenciamento ambiental já foi concluído, o que permitiu o início das obras". Nenhum desembolso foi realizado pelo banco, visto que o contrato foi cancelado.
Mas, para Alejandro Almaraz, que foi vice-ministro de Terras do governo de Evo Morales até 2010 – e hoje é um dos maiores opositores da obra – todo o caso envolvendo a estrada do TIPNIS demonstra uma postura prejudicial das empresas brasileiras para com o povo boliviano, com conivência do governo local. "A imagem da empresa brasileira ficou muito desgastada, entretanto não é algo tão chamativo por não se tratar de nenhuma novidade. Está é a tradicional imagem das empresas construtoras brasileiras na Bolívia. Há várias décadas as empresas brasileiras têm uma espécie de monopólio na construção de estradas bolivianas, ao menos das grandes. Sempre houve esse tipo de denúncias, com bastante fundamento, mostrando superfaturamentos que beneficiam as empresas brasileiras. Isto é uma história eterna", critica.
Para Almaraz, há pouca transparência sobre o tema na Bolívia. "Se abriu um processo judicial que, como tantos outros que envolvem agentes do governo, está congelado. Recentemente, pouco se fala [sobre o caso] na Bolívia e na imprensa. Tampouco há transparência sobre os ressarcimentos [entre a empresa brasileira e o governo boliviano] e na resolução do contrato" avalia.
Atualmente, a rodovia San Ignacio de Moxos / Villa Tunari segue em construção – exceto pelo trecho que passaria por TIPNIS – por empresas bolivianas. Entretanto, o governo boliviano vem realizando consultas com as populações afetadas para tentar retomar a construção do trecho (leia mais AQUI).
Imbróglios diplomáticos
Em 2004, o BNDES aprovou financiamento referente à exportação de bens e serviços da Odebrecht para a construção da hidrelétrica de San Francisco, na província amazônica de Pastaza, no Equador. O consórcio construtor contou também com as internacionais Alstom e Vatech.
A usina começou a operar em 2007, e no ano seguinte apresentou as primeiras falhas, que incluíam rachaduras em um dos túneis e defeitos em uma turbina. De seu lado, a Odebrecht afirmou que "durante seu primeiro ano de operação, a Central (hidrelétrica) trabalhou continuamente, sob a responsabilidade de empresa do governo equatoriano, e acima da capacidade projetada", segundo comunicado. A empresa ainda alegou que as falhas se deviam a um aumento significativo de sedimentos" nas águas do rio Pastaza devido à erupção do vulcão Tungurahua, a 20 quilômetros da usina. Por outro lado, o governo equatoriano de Rafael Correa afirmou que a usina hidrelétrica apresentava "falhas estruturais" e exigiu uma indenização de US$ 43 milhões pelas perdas, além da reparação da obra.
A crise culminou com a emissão de dois decretos de Correa que pediam a tomada dos bens da construtora, o término de todos os contratos da empresa no país e expulsão de seus funcionários do território equatoriano. Foi o início de uma crise bilateral entre o Equador e o Brasil, com a declaração de que o governo de Correa não pagaria o crédito fornecido pelo BNDES para a importação dos serviços da Odebrecht para a concessionária equatoriana. Ao fim, o Equador voltou atrás, pagou o financiamento e, em 2010, entrou em acordo com a Odebrecht, que retomou suas operações no país.
Como saber o que o BNDES faz na Pan-Amazônia?
Mapa Investimentos negociados pelo BNDES na Pan-Amazonia
Os diversos casos de conflitos socioambientais envolvendo os megaempreendimentos tocados por empresas brasileiras vêm se acumulando, e lançando dúvidas sobre a atuação das corporações brasileiras na Amazônia sulamericana - problema que se estende aos financiadores, sobretudo às instituições públicas, como o BNDES, que, supostamente, deveria primar pelo desenvolvimento regional antes de abraçar tais projetos.
A situação se torna ainda mais dramática devido à dimensão dos investimentos do BNDES na região. Desde o início do governo Lula, o banco investiu mais de US$ 2 bilhões em apoios à exportação de empresas brasileiras somente para países que abarcam a Amazônia internacional (Bolívia, Colômbia, Equador, Bolívia e Venezuela). O principal país beneficiado é a Venezuela, que recebeu mais de dois terços desse valor (cerca de US$ 1,4 bi).
Toda essa quantia pode ser ainda maior, visto que o BNDES divulga apenas os números das exportações da modalidade de pós-embarque (quando o banco apoia a comercialização de bens e serviços nacionais no exterior), deixando de divulgar as cifras da modalidade de pré-embarque (quando o banco apoia a produção no Brasil das mercadorias que serão exportadas).
Além disso, o BNDES não disponibiliza uma lista clara de quais projetos no exterior foram ou estão sendo apoiados ou negociados pela instituição. A Pública enviou uma lista ao banco com quase 30 projetos, apenas da Pan-Amazônia (veja abaixo), que em algum momento haviam sido assinalados pela imprensa como destinos de financiamento do BNDES. Apenas o projeto da hidrelétrica de Chaglla foi confirmado pelo banco - a todos os demais, o BNDES se recusou a comentar, ainda que alguns deles tivessem documentos do Itamaraty que comprovavam o interesse do Governo Brasileiro em financiar obras bilaterais através do banco. O BNDES também se recusou a comentar quais motivos poderiam ter levado ao cancelamento do financiamento desses projetos e até mesmo se o banco ainda estaria em processo de avaliação dos contratos. Ou seja, o BNDES e o governo brasileiro argumentam sigilo bancário para negar uma gama gigantesca de informações – desde negociações em curso até valores e projetos beneficiados - e defender que o sigilo tem prioridade sobre o direito à informação da sociedade brasileira.
Lista de projetos enviada à assessoria de imprensa do BNDES 
PROJETOPAÍSFONTE QUE CITOU A PARCERIA BNDES
Ponte sobre o Rio TacutuGuianaItamaraty – Acordo bilateral
Projeto Hacia el Norte – Rurrenabaque – El ChorroBolíviaItamaraty – Acordo bilateral
3ª Ponte Rio OrenocoVenezuelaDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
Aeroporto TenaEquadorDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
Estrada Cuñumbuque – Zapatero – San José de SisaPeruDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
Estrada Huancayo – PucallpaPeruDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
Estrada Huánuco – Tingo María – AguaytíaPeruDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
Gasoducto Andino del Sur (“Kuntur”)PeruDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
Hidrovia Rio MetaColômbiaDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
Irrigação Limón / OlmosPeruDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
Ponte Assis Brasil – IñampariPeruDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
Puente Matachico – HuancayoPeruDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
UHE KabaleboSurinameDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
UHE Mainique I (Acordo Energético Brasil – Peru)PeruDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
UHE Tambo 60 (Acordo Energético Brasil – Peru)PeruDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
UHE TocomaVenezuelaDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
Estrada Quito-GuayaquilEquadorDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente
Rodovia Tarija – BermejoBolíviaDepartamento Jurídico do Centro de Recursos Naturais e do Meio Ambiente e notícia Brasil de Fato
UHE Chaglla (confirmada pelo BNDES)PeruDivulgação Odebrecht
Chadin 2PeruEletrobras
UHE Inambari (Acordo Energético Brasil – Peru)PeruiEletrobras
UHE MollocoPeruIbase
Estrada Paita-YurimaguasPeruIIRSA
Estrada Assis Brasil – IñapariPeruINESC
Simon Bolivar / Guri DamVenezuelaONG International Rivers
Hidrelétrica PakitzapangoPeruONG International Rivers
UHE Tambo 40 (Acordo Energético Brasil – Peru)PeruONG International Rivers
UHE La Merced de JondachiEquadorRelatório ONU

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Sem transição, prefeitos eleitos da PB vão tomar posse sem conhecer realidade de suas cidades



Vários prefeitos eleitos de cidades paraibanas devem mesmo tomar posse em 1º de janeiro sem conhecer a real situação dos municípios a ser deixada pelos seus antecessores. Isso porque, apesar desses novos gestores terem buscado exaustivamente fazer esse contato, através da instalação de uma equipe de transição, os prefeitos ainda em exercício só fizeram resistência nesse sentido. Com isso, a reportagem do PolíticaPB entrou em contato com alguns desses futuros prefeitos que estão sendo penalizados com essa situação, para ver quais as medidas a serem tomadas por eles assim que assumirem seus cargos eletivos.

O prefeito eleito de Solânea, Beto do Brasil (PPS), revelou que até o momento não tem nenhum dado da prefeitura da cidade que irá conduzir a partir de janeiro próximo porque tentou de várias formas, mas só encontrou resistência da atual administração do prefeito Dr. Chiquinho (PMDB) para instalar a equipe de transição. Desse modo, ele contou que vai ter que contratar uma auditória assim que assumir seu mandato para diagnosticar a real situação a ser deixada na prefeitura pelo seu antecessor.

“Até agora nós não temos nenhuma informação da real situação da prefeitura de Solânea. Inclusive, já enviamos ofício à prefeitura, tentamos contato de todas as formas possíveis, mas infelizmente não obtive nada. Portanto, agora como forma de nos precaver, vamos ter que contratar uma auditória antes mesmo de iniciamos os trabalhos na minha gestão”, contou Beto do Brasil.

O mesmo dilema de falta de diálogo vem sendo enfrentado pela prefeita eleita de Cajazeiras, Denise Oliveira (PSB), visto que foi encaminhado por ela um ofício solicitando a instalação da equipe de transição, mas até agora nada foi garantido pela administração do prefeito Carlos Rafael (PTB). Com isso, Denise informou a nossa reportagem que vai seguir a orientação do Ministério Público Federal (MPF) de também contratar uma auditória para se resguardar de qualquer problema deixado na prefeitura pelo seu antecessor.

“Na verdade, estamos mesmo passando por esse problema. Inicialmente, quem iria conduzir esse processo era a ex-procuradora do município, Dra. Catharine Rolim, mas ela pediu desligamento do cargo e a Dra. Cícera Rolim que ficou de nos auxiliar no lugar dela, através de relatórios, já que a mesma não concordava em se reunir com a nossa equipe, também não viabilizou em nada no que se refere ao processo de transição. Portanto, o que nos resta é seguir as orientações do MPF, contratando uma auditória e enviando até o dia 30 de janeiro próximo informes de como encontraremos a prefeitura de Cajazeiras”, frisou Denise.

Outra futura gestora que há mais de dois meses tenta sem sucesso um diálogo amistoso com o atual prefeito de Pilões, Félix Antônio (PP), para tratar da transição administrativa, é a prefeita eleita Adriana Andrade (PTdoB). Segundo ela, depois de manter contato por telefone e pessoal com o prefeito exercício, também encaminhou ofício ao gabinete do prefeito solicitando a colaboração para instalar a equipe de transição e ainda pedindo outras documentações relacionadas à administração local, mas até o momento não obteve resposta alguma nesse sentido.

“Fiz de tudo, mas até agora nada adiantou, pois ele não deu uma confirmação consistente”, disse ela acrescentando agora lhe “faltou paciência”, e por isso irá entrar com uma ação no Ministério Público para que a mesma tenha direito aos pleitos solicitados ao atual gestor. “Vou juntar toda a documentação e, procurar o ministério público, talvez só assim ele atenda as nossas reivindicações”, disparou Adriana.

A mesma problemática de falta de transição também vem sendo enfrentada pelo prefeito eleito de Pedra Branca, Allan Felliphe Bastos (PR), que da mesma forma dos gestores já citados, vai ter que contratar uma auditória assim que tomar posse para poder ter acesso a real situação da prefeitura a ser deixada em 31 de dezembro pelo atual prefeito José Anchieta Noia (PTB).

“Aqui a transição também é inexistente. Desde o último dia 16 de novembro esperamos uma posição do atual prefeito nesse sentido. Buscamos contato, enviamos ofícios pedindo a instalação da transição e para acompanhamento de obras, mas até agora nada. Já fui até diplomado e vou tomar posse sem conhecer os dados reais da prefeitura que iremos administrar. Então, vamos ter que contratar uma auditoria, conforme nos orientou o Tribunal de Contas do Estado assim que assumir o mandato”, desabafou Allan.
Adaucélia Palitot- PolíticaPB