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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

ANDARILHO SEM RUMO PRA SEGUIR

ANDARILHO SEM RUMO PRA SEGUIR
Autores, Os Nonatos
 

Viajante que sai de mundo a fora
Sem parar pra fazer reflexão
A cabeça nas nuvens, os pés no chão
E o pensamento voando a mil por hora
Os caminhos de volta não decora
Quando é retentando se esperar
Mesmo estando com sono e mal estar
Faz por onde os sintomoas não sentir
Andarilho sem rumo pra seguir
Coração sem histórias pra contar.

Eu ornei o meu sonho em mil nuances
Diferentes de céus, cristais e plantas
Sem firmar compromisso eu amei tantas
Que findei me cansando dos romances
Pra ser muito feliz eu tive chances
Mas a elas não soube aproveitar
Ser feliz outra vez quando eu tentar
É capaz da idade me impedir
Andarilho sem rumo pra seguir
Coração sem histórias pra contar.

Preenchido meu tempo está direto
E no confronto que luto não há tréguas
Mesmo exausto das trilhas corro léguas
Pra chegar sem atraso em meu trajeto
Quando o sol vai embora eu interpreto
Que as estrelas virão pro seu lugar
E quando estou com vontade de chegar
Passo dias e noites sem dormir
Andarilho sem rumo pra seguir
Coração sem histórias pra contar.

Quando está me faltando eu chego e peço
Quando estou me cansando paro e sento
Sendo apenas seguido pelo vento
A fronteiras longínquas atravesso
No altar do silêncio eu me confesso
Pra o remorso não mais me atormentar
Já pedi tanto a Deus pra me ajudar
Que Ele está me ajudando sem pedir
Andarilho sem rumo pra seguir
Coração sem histórias pra contar.

Tenho dúvida se estou errado ou certo
E mesmo estando confuso eu me concentro
Eu me sinto uma pedra aqui por dentro
Como um grão de areia no deserto
A família distante, a dor por perto
E só a sombra dispôe-se a ser meu par
Minha vida pedindo pra parar
E o destino mandando em frente eu ir
Andarilho sem rumo pra seguir
Coração sem histórias pra contar.

No começo de tudo houve um final
Sem que eu esperasse aquele fim
Foi querendo ser bom que eu fui ruim
Por tentar me dar bem que saí mal
Sentimento eu conjugo no plural
Amizade não presta singular
E minha vida apesar de não ser lar
A saudade que entrou não quer sair
Andarilho sem rumo pra seguir
Coração sem histórias pra contar.

Qualquer rota é difícil pra quem topa
Inimigo, trincheira, atalhe e cerco
Cruzo tantas veredas que me perco,
Perco tanto suor que a roupa ensopa
Um cigano não anda sem a tropa,
Um romântico não vive sem amar;
Um herói não desiste de lutar
Eu também não pretendo desistir
Andarilho sem rumo pra seguir
Coração sem histórias pra contar.

Nas estradas da vida eu sou um ser
Que aos prazeres do amor não tem direito
Uma dor que não cabe no meu peito
Uma dose amargosa de beber
Numa guerra difícil de vencer
Nesse prêmio impossível de de ganhar
Uma lagrima me sobra pra chorar
Um motivo me falta pra sorrir
Andarilho sem rumo pra seguir
Coração sem histórias pra contar.
 
OBSERVAÇÃO:
Este mote é de autoria dos Nonatos,
ele está gravado no CD "Alma de Menino"
E você está ouvindo a gravação original.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O MATUTO QUE PENSOU TER DADO À LUZ

O MATUTO QUE PENSOU TER DADO À LUZ
Autor, Poeta J. Sousa
 

Dizem que certo matuto
Nunca havia passado
Por uma dor de barriga
Nem também bucho inchado
Mas um dia ele comeu
Na casa de um primo seu
Bastante milho assado
E o o excesso do milho fez
Sim, pela primeira vez
Seu bucho ficar inchado.

Ele muito aperreado
Sem saber o que era aquilo
Foi na casa de um amigo
Que se chamava Murilo
Chegando lá lhe falou:
"Meu amigo, eu estou
Vendo a hora me acabar
O meu bucho tá doendo
Ficando fofo e crescendo
E roncando sem parar!"

Quando ele disse isso
Ao amigo verdadeiro
O amigo lhe falou
Por essa forma ligeiro:
"Amigo eu sei o que é
Você vai ter um bebé
E vá pra casa correndo
Vá ligeiro sem demora
Que eu não dou meia hora
Esse bebé tá nascendo!"

Nisso o matuto voltou
Pra sua casa correndo
Soltando arroto chôco,
Bufando muito e gemendo
Porque a dor aumentou
Mas quando ele chegou
Na metade da estrada
A dor cresceu de verdade
Que lhe deu até vontade
De dar uma defecada.

Quando o matuto sentiu
Vontade de defecar
Para dentro de uma moita
Correu sem se demorar
Dentro da moita entrou
Tão rápido que nem notou
Que ali debaixo estava
Um camalião deitado
Dentro das folhas socado
Que ninguém o avistava.

Quando o matuto desceu
Suas calsas duma vez
Na hora que defecou
Grande peidaria fez
Com isso o camalião
Sentiu um susto do cão
Quando a peidaria ouviu
Deu um pinote danado
E saiu desesperado
Chega a poeira cobriu.

Quando o matuto notou
Que um bicho ali nasceu
Gritou bem alto dizenndo:
"Foi meu filho que nasceu
E assim que de mim saiu
Para bem longe sumiu
Que eu não ví nem o seu jeito.
Ho meu Deus, que covardia
Os filhos de hoje em dia
Já nasce sem ter respeito!"

Descalço de pés no chão
O matuto inda correu
Atrás do camalião
Pensando ser filho seu
E gritava de mata a fora:
"Meu filho, não vá embora,
Assim que nasce tu sai
Fugindo de mim safado
Vem pelo ou menos danado
Tomar bênção a teu pai!'

Mas que moleque danado
Assim que nasceu correu
Numa carreira tão grande
Nem se quer olhou pra eu"
Mas quanto mais ele corria
Mas o bicho se sumia
Por dentro dos matagais
E o matuto já cansado
Com os pés estrupiado
Desistiu de ira atrás.

Desistiu dizendo assim
Meu filho eu não pego não
Aquele moleque ruim
Corre mais do que um cão
Aí pra casa voltou
Mas no caminho encontrou
Uma graande onça pintada
Que num pulo absoluto
Matou o pobre matuto
Com uma só bocanhada.

Aquela fera estava
Com uma fome da mulesta
Sangrou o pobre matuto
E arrastou para a floresta
E sem mais demora ter
Foi o seu corpo comer
Lá dentro de uns bambus
Depois foi no mato entrando
E o matuto morreu pensando
Que tinha dado a luz.

FIM


Áudio do Poema

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O RINOCERONTE

O RINOCERONTE
Poeta J. Sousa


Certa manhã eu estava
Num zoológico passeando
Quando ouvi um casal
Indiscreto conversando
O casal estava com um guia
Que lhe mostrava e dizia
Algo sobre os animais
Eu fiquei observando
E Pra perto fui chegando
Pra poder escutar mais

O nome do casal era
Sebastião e Maria
Que escutava e captava
As informações do guia
O que cada um falava
Conforme eu escutava
Minha atenção chamou
E eu achei muito legal
Quando para o casal
O guia assim perguntou:

"Tá vendo aquele macaco
Com a macaca em companhia?
Eles dois fazem amor
Mais de dez vezes por dia"
aí nessa ocasião
"Tá vendo Sebastião?"
Perguntou a mulher ligeiro,
E os três continuaram
E em seguida chegaram
Próximo a tela de um viveiro.

"Estão vendo essas araras?"
Novamente a voz do guia
"Elas fazem amor mais
De vinte vezes por dia"
A mulher alta do chão
Diz: "Tá vendo Sebastião
Como você tá errado?"
E foram continuando
A mulher só resmungando
E Sebastião calado.

Mais na frente encontraram
Um leão e uma leoa
Disse o guia: "Esses bichos
De amar nunca enjôa
Eles fazem amor no mês
Bem mais de quarenta vez
Nunca se sacia não!"
Ao ouvir isso, Maria
Por essa forma dizia:
"Escutou Sebastião?"

"Observem os coelhos"!
Diz o guia sem demora
"Esses fazem amor direto
Geralmente a cada hora"
Aí Maria disse em brado:
"Tá vendo velho capado,
Quer que a verdade eu conte?"
Aí os três foram andando
E em seguida passando
Perto de um rinoceronte.

"Já esse é interessante'
Diz o guia veterano
O pobre só faz amor
Uma única vez por ano!"
Aí Sebastião foi dizendo
Para Maria: "Tá vendo?"
Mas ela foi mais feliz
Ao responder sem cochicho:
"Por isso mesmo é que o bicho
Tem chifre até no nariz!"


terça-feira, 14 de agosto de 2012

RETORNO À CASA PATERNA


RETORNO À CASA PATERNA
De Zé Laurentino com J. Sousa


Eu fui embora de casa
Inda com pouca idade
Deixando papai idoso
E mamãe em alta idade
Saí andar pelo mundo
Assim como um vagabundo
Em busca de vaidade.

Os conselhos de papai
Eu escutar não queria
Se ele me via em farra
Com maus colegas, dizia:
"Estás em caminho errado"
Eu ficava revoltado
E ele muito sofria.

E só por este motivo
Abandonei o meu lar
Deixando papai já velho
E mamãe querida a chorar
Fiz mal a quem me fez bem
Adolescente não tem
A cabeça no luggar.

Já fazia doze anos
Que eu havia deixado
O meu lar quando uma noite
Cheguei em casa enfadado
Pra repousar me deitei
Adormeci e sonhei
Vendo papai ao meu lado.

Todo vestido de branco
Pegava na minha mão
E dizia assim: "Meu filho
Ouças com toda atenção
Vim aqui só rever
Para também te trazer
Meu carinho e meu perdão.

Quando ouvi esta frase
Soluçando me acordei
Procurei papai no quarto
Porém não o avistei
Já não estava ao meu lado
O quarto estava fechado
E muito triste fiquei.

Antes que o sol despontasse
Eu fui compra a passagem
Em rumo à casa paterna
Segui com muita coragem
Mas não estava risonho
Porque só pensava no sonho
Durante toda a viagem.

Quando em casa eu cheguei
Já era quase uma hora
Na porta disse ô de casa
E ali sem ter demora
Ouví um ranger de chave
E uma voz muito suave
Me respondeu: "ô de fora!"

Era mamãe que dali
Vinha se aproximando
Toda vestida de preto
Com os olhos lacrimando
Me viu quis se pertubar
Pois o rosto a enxugar
E foi me cumprimentando.

Então eu lhe disse assim
Ouça o que pergunto eu
Seu esposo está em casa?
E ela me respondeu
Com gestos de agonias:
"Hoje completou três dias
Que meu esposo morreu.

Só fui mãe de um filhinho
O qual tenho na lembrança
Mas de vê-lo junto a mim
Não tenho ma esperança
Pois ele me abandonou
De casa se retirou
Quando era quase criança!"

Eu disse sou o vosso filho
E estou arrependido
Vim reconstruir a vida
No nosso lar tão querido
Estou cumprindo um dever
E procurando atender
De pai o ultimo pedido.

Então mamãe me abraçou
Bastante emocionada
Dizendo: "Graças a Deus,
Oh meu Deus muito obrigada
Ouvir meus rogos quiseste
E foste tu que trouxeste
Meu filho a nossa morada!"

Hoje reina em nosso lar
Alegria, amor e paz
Eu vivo muito contente
Mamãe por mim tudo faz
Já estou regenerado
E o que fiz no passado
Prometo não fazer mais.


POEMA, RETORNO À CASA PATERNA.
AUTOR, ZÉ LAURENTINO.
O ÁUDIO DO POEMA ESTÁ GRAVADO
NA VOZ DO POETA J. SOUSA

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

JURUBEBA E ANA BENTA


JURUBEBA E ANA BENTA
De Yponax Vila Nova
Com J. Sousa


Nada no mundo se perde
Esse ditado é antigo
O que não serve pra mim
Serve pra meu inimigo
Objeto, emprego, gente
Tudo que há finalmente
Pode ser aproveitado
O que não se usa agora
Não se deve jogar fora
Mais tarde será usado.

Tive o grande desprazer
De conhecer Ana Benta
Pense numa mulher feia
E multiplique por cinquente
Era o cão chupando manga
Modelo perna de franga
Sem quadril e sem cintura
Tinha o rosto de caveira
E os peitos tipo pêra
Tipo assim pêra cintura.

Era uma mulher madura
Quase podre já vencida
Mas com na natureza
Nenhuma coisa é perdida
Não é que essa beldade
Arranjou uma amizade
Com Arnaldo Jurubeba
Baixo, feio, sem cartaz
E fedorento muito mais
Que caixa de criar peba.

Ana Benta e Jurubeba
Pensne num casal horrível
Outra união daquela
jamais seria possível
Mas a santa natureza
Que não liga pra beleza
Não despreza e nem rejeita
Nem tem parcialidade
Mostrando pra humanidade
Que tudo se aproveita.

E a união foi feita
Jurubeba e Ana Benta
Ele estupido feito um burro
Ela igual uma jumenta
Cada um no seu estilo
Ela a xerox dum grilo
Sinônimo do que há mais feio
Ele pescoço de gia
Se fosse na loteria
Dava coluna do meio.

Pra saber qual o mais feio
Só mesmo um especialista
Se entrassem num torneio
Era os primeiros da lista
Desprovidos de beleza
Feiosos por natureza
Ele um monstro, ela uma fera
Igual briga na cadeia
Uma feiura tão feia
Que antes de ser já era.

Mas o sol da primavera
Brilha pra qualquer vivente
E pra o casal de pombinhos
Não seria diferente
Na hora de procriar
Resolveram caprichar
E não deixar pra depois
Ana Benta pabulosa
Dizia toda orgulhosa:
"Vai parecer com nós dois."

Com nove meses depois
Nasceu o filho querido
E de fato com os dois
Era mesmo paracido
Na hora de batizar
Antes do padre molhar
Resolveu dar um aviso
"Levem pra casa o bichinho
Se não nascer um rabinho
Pode trazer que eu o batizo."

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

MÁQUINA DE FAZER JABÁ

Linguica máquina de linguiça

MÁQUINA DE FAZER JABÁ
De Amazan com J. Sousa

Conheci um fazendeiro
No sertão do Seridó
Rico de terra e dinheiro
Doido por gado e forró
Chamado João de Luzia
Casado com Dona Lia
Com quem vivia contente
Sua esposa querida
Que no decorrer da vida
Lhe deu um filho somente.
 
O casal se perguntava
Com pensamento ladino
Porque é que tanto tentava
E não nascia outro menino
Então criavam Joãosinho
Que já estava rapazinho
Perto da maior idade
Rapaz de boa aparência
Mas fraco de intelgência
Pobre de capacidade.
 
Joãosinho era um meninão
Vivia chupando o dedo
Tinha medo de trovão
Ia dormir logo cedo
Não montava num cavalo
Não entrava no embalo
Dos jovens da região
Tudo quanto ele tentava
fazer não se adaptava
Era uma decepção.
 
O pai se preocupava
Com o futuro do filho
Que não administrava
Nem uma roça de milho
Certa feita viajou
Pra São Paulo e retornou
Com uma máquina possante
Que adquiriu por lá
Para fabricar jabá
De maneira interessante.
 
Quando chegou sem demora
Disse: "Joãosinho vem cá
Que eu vou lhe ensinar agora
Como é que se faz jabá
Você coloca o jumento
Naquele compartimento
Aperta nesse botão
Que ali do outro lado
Já sai tudo separado
Com a maior perfeição.
 
Naquela boca acolá
A carne já sai salgada
Pronta para viajar
Pesada e empacotada
E ali daquele lado
Que tem um cano encarnado
Com uma ponta comprida
Sai linguiça só da boa
Pronta pra qualquer pessoa
Compar e ser consumida."
 
Depois de tudo entender
Joãosinho olhou para João
E foi dizendo: "Paiê,
E mudando a posição
Botando o jumento lá
Vindo pro lado de cá
Aqui pro compartimento
Apertando no botão
E prestando bem atenão
Será que sai um jumento?"
 
Menino! Quando João escutou isso
Pegou um ar desgraçado
Disse: "Lata de feitiço,
Analfabeto, tapado
O único lugar que eu sei
Porque eu observei
Que um jumento saiu
Foi da véia tua mãe
Olha no espelho o tamanho
Do jegue que ela pariu!"
 
Joãosinho inda preparou-se
Pra outra pergunta fazer
Mas o seu pai arredou-se
Começou a lhe bater
com um galho de caatingueira
Joãsinho saiu na carreira
Sem rumo ou intinerário
O pai de velho morreu
E Joãosinho não aprendeu
Operar o máquinário.
 
 sssssssssssssssssssssssssssssssssss

ESTE POEMA É DE AMAZAN,
GRAVADO NA VOZ DO POETA J. SOUSA.

terça-feira, 17 de julho de 2012

SENADORES JOGADOS EM AÇUDE

SENADORES JOGADOS EM AÇUDE
Autor: Poeta J. Sousa
 

Certa vez um avião
Cheio só de senador
Lá de Brasília partiu
Com destino ao interior
Com meia hora de vôo
O piloto desmaiou
E o avião caiu
Próximo de Belo Horizonte
Bem perto de uma ponte
E apenas um homem viu.
  
Esse homem era um matuto
Que estava trabalhando
Numa roça de algodão
Da qual estava cuidando
Quando o avião caiu
Foi ele o único que viu
Ninguém mais havia perto
Ninguém pôde observar
Porque aquele lugar
Era um tanto deserto.
  
Quando o matuto viu
A queda do avião
Se aproximou pra perto
Pra ver a situação
Aí disse assim sozinho
"Oh meu Deus, morreu tudinho
E agora, o que vou fazer?
Já que eu não posso enterrar
Vou no açude jogar
Para as piranhas comer."
 
Aí pegou os senadores
E de um em um jogou
Num açude ali perto
Depois pra casa voltou,
E quando chegou em casa
Assou um peixe na brasa
E com farinha comeu
Aí todo satisfeito
Foi contar ao prefeito
O fato que ocorreu.
  
Selou o seu jumentinho
E desabou pra prefeitura
Para informar ao prefeito
Aquela tragédia dura
Na prefeitura chegou
Pediu licênça e entrou
Com a cara de cacete
E bastante satisfeito
Foi falar com o prefeito
No seu próprio gabinete.
  
Chegando no gabinete
Disse ao prefeito Biu:
"Seu prefeito um avião
Ali na ponte caiu
E assim que avistei
Pra perto me aproximei
E confesso ao senhor
Que enquanto observava
Notei que o avião estava
Cheinho de senador.
  
Aí eu fiquei, prefeito
Sem saber o que fazer
Vendo os homens tudo morto
Peguei comigo dizer
Com o coração dando tum tum
Meu Deus, Não escapou um!
Aí eu fiz o que pude
Não podendo carregar
Não tendo aonde enterrar
Joguei tudo no açude!"
  
Quando ele disse isso
O prefeito lhe falou:
"Era só homens ilustres
E você não reparou
Se algum vivo estava?
Enquanto você jogava
Não notou se algum dava
De vida alguns sinais?"
O homem disse: "Pratrão,
Uns três levantaram a mão
Mais não acreditei não
Político mente demais!"

Áudio do Poema:


quarta-feira, 11 de julho de 2012

O CAÇADOR DE RAPOSA

O CAÇADOR DE RAPOSA
Autor, poeta J. Sousa
Um estudante encontrou-se
Com um matuto da roça
Desses do chapéu de palha
Roupa suada e mão grossa
E o estudante exaltado
Porque estava do lado
Do seu grande professor
Montado numa moto Honda
Começou a tirar onda
Da cara do agricultor.
Com um jeito muito crítico
O estudante olhou
Para o pobre do matuto
E pra ele assim falou:
"O senhor conhece um boi
Mas sabe dizer quem foi
Pedro Álvares Cabral?"
O matuto disse: “não”!
O estudante disse: "então
Vá estudar no "MOBRAL."
O matuto ficou triste,
Cabisbaixo e moribundo,
O estudante disse: "diga
Quem foi Dom. Pedro Segundo!
Disse o matuto: "sei não
Sobre isso uma lição
A mim ninguém nunca deu!"
Aí o estudante mal disse:
"Vá estudar no MOBRAL
Como estou fazendo eu!'
E pela terceira vez
O estudante olhou
Bem na cara do matuto
E novamente falou:
"De modo especial
Diga quem foi marechal
Deodoro da Fonseca!"
Disse o véi: "não estudei
E por isso eu só sei
De roça, enxada e seca!"
Ouvindo isso, o estudante
Com o seu jeitão sagaz
Foi dizendo pro matuto
Suas palavras finais:
"O senhor não estudou
Por isso nada guardou
Dentro do seu ideal
Coitado, não sabe nada,
Abandone essa enxada
E vá estudar no "MOBRAL!"
Aí o matuto velho
Disse assim pra se vingar:
"Você sabe me dizer
Quem é Chico Alencar?"
O estudante disse: "não!"
O matuto disse: "então,
Vou te dizer afinal
É um caçador de raposa
Que vai pegar tua esposa
Quando tu vai pro "MOBRAL!"

Áudio do Poema


Este poema é de autoria do poeta declamador e repentista J. Sousa e está gravado no  quinto CD  do poeta
Telefone pra contato 99154204
E-mail: poetajsousa2010@hotmail.com

quarta-feira, 4 de julho de 2012

FARINHA - MOTIVO DE SURRA


FARINHA - MOTIVO DE SURRA
Autor: Poeta, J. Sousa

Dois paraibanos foram
Trabalhar lá em Brasília
Deixando a sua terra,
Seu povo e sua família
Chegaram muito feliz
Na capital do País
E já foram trabalhar
Num emprego que encontraram
No qual eles dois ficaram
Trabalhando sem parar.

Certa manhã de domingo
Eles foram passear
Pelas ruas de Brasília
Só para desopilar
"ou seja" desparecer
E um alívio ter
Do trabalho que ao cristão
Causa estresse e cansaço
E mesmo ninguém é de aço
Pra não ter recreação.

Depois que muito andaram
Contemplando rua e praça
Pararam em um barzinho
Pra tomar uma cachaça
Ao chegar no barzinho
Pediram logo um quartinho
De cachaça com limão
Começaram a beber
Sentindo muito Prazer
Bem dentro do coração.

Quando beberam a cana
Pagaram e foram embora
E observam tudo
Andando de mundo a fora,
Antes de em casa chegar
Poderam observar
de longe um homem apanhando
Pelo uns cinco ou sês soldados
Desses bem mal encarados
Que estavam no homem dando.

Quando chegaram mais perto
Viram que aquele sujeito
Em quem os policiais
Batiam de todo jeito
Era um colega deles
Que trabalhava com eles
Chamado Zé de Chiquinha
E os soldados baitam
No coitado e diziam:
"Pra que foi cheirar farinha."

Aí os dois paraibanos
Ficaram em pé olhando
Enquanto os policiais iam
Seu colega assoitando
Só porque o pobre tinha
Cheirado uma farinha
Numa venda que passou.
Aí um dos paraibanos
Já fazendo os seus planos
Para o outro assim falou:

"Amigo, vamos embora
Para o nsso estado
Não quero ficar aqui
Nesse lugar desgraçado"
Aí o outro na hora
Disse assim: "Nós vamo embora?
Deixe de tão mole ser
Saiba que se nós voltar
Lá para o nosso lugar
Vamos o emprego perder."

O mole aí respondeu
Por essa forma a dizendo:
"Ora sebo, meu amigo,
Se eles estão batendo
No pobre de Zé de Chiquinha
Só porque cheirou farinha
O que vão fazer com a gente
Aquele lote de home
Quando souber que nós come
Farinha diariamente?"

quarta-feira, 20 de junho de 2012

EU, A CAMA E NOBELINA

Livro

EU, A CAMA E NOBELINA
Autor: Poeta, Zé Laurentino

Seu moço eu vou lhe contar
Uma história pequenina
História de um casamento
Que eu tive com a Nobelina
Nobelina, meu patrão,
Morava parede e meia
No sítio aonde eu morava
Não era lá muito feia
Não era também bonita
Mas tinha o corpo roliço
E os olhos da mulata
Parecia ter feitiço.

O corpo de Nobelina
Endoidava qualquer macho
Pois era grosso em meio,
porém muito fino embaixo
A cintura da muié
Era uma tentação
Parecia até que tinha
Sido feita com a mão
Para nosso casamento
Eu tinha feito um esudo
A nossa casa pequena
Mas tava pronta de tudo
Desde a cama o principal
Ao troço mais miúdo.

Todo dia ao meio dia
Eu encostava a enxada
Mode feliz contempla
Nossa futura morada
Em meio a mata serena
A casinha era pequena
Mas tava bem arrumada.

Uns cinco ou sês tamburetes,
Uma mesa, um pitisqueiro,
Uma banca, uma quartinha
Um quengo, um prato, um candeeiro
E um coração de Jesus
De olhinhos bem azus
Que eu comprei no Juazeiro.

E olhava aqueles troços
Como quem assiste um drama
Pois tudo fica bonito
No tempo que a gente ama
Mas entre os troços patrão
Um me chamava atenção
Era a danada da cama.

Eita troço abençoado
De quaiquer uma invenção
Que o homem fez até hoje
Gravador, televisão,
Telefone, telegrama
Pois quem inventou a cama
Pra mim é o campeão.

Cama é o unico objeto
Que nunca causa acidente
Da queda de uma cama
Nunca vi ninguém doente
Cama é sempre uma cama
Seja ela fraca ou cara
Cama de couro de boi,
A cama feita de vara
Cama cobeirta de linha
Cama forrada de esteira
A cama silenciosa
E a cama estaladeira.

Cama que guarda segredo
Por isso eu lhe quero bem
Porque ela assiste tudo
Sem dizer nada a ninguém
Quando eu estou doente
A cama é quem me socorre
Na cama eu curo a ressaca
Depois de um dia de porre
E nela a ressaca vai-se
É na cama que se nasce
É na cama que se morre.

De toda música do mundo
Eu lhe digo sem fofoca
Para mim a mais bonita
É a música que a cama toca
Aquele seu rangidinho
Qual rangido de porteira
Faz a gente adormecer
Nos braços da companheira.

Nem o baiões de Gonzaga
Nem o acordeon de Noca
Toca música mais bonita
Do que a que a cama toca.
Mas eu vou deixar a cama
Minha companheira fina
Pra falar do casamento
Que eu tive com aNobelina.

Tudo pronto, tudo certo
Casei-me com a morena
Passado uns cinco ou sês meses
Nós fomos pra uma novena
E a novena era na casa
Do seu Antonio Sibiu
Por motivo da chegada
De um seu filho Dario
Que a quatro o cinco dias
Tinha chegado do Rio.

E quando chegamos lá
Já tinha gente demais
A novena era do santo
Mas veja o que o povo faz
Em vez de falar no santo
Só falava no rapaz.

Mas como ele tá gordo
Como ele chegou bonito
Era a conversa das moças
Mas eu achei muito esquisito
So porque a Nobelina
Ao fala com o rapaz
Sustentou na sua mão
Que quase não solta nais.

Aí eu fiz que não tava vendo
Fui beber num botiquim
Dei uma cordinha a ela
Porque mulher é assim,
Quando tá com a corda toda
Mostra se é boa ou rim.

E quando eu voltei, seu moço
Já fui vendo o carioca
Grudado na Nobelina
Os dois numa fofoca
Que uma cachorrada daquela
Eu vi na ccasa de Noca.

E a essa altura patrão
Me deu sono pra drumi
Fui convidar a Nobelina
Porém ela não quis ir
Tive que voltar sozinho
Sozinho na madrugada
E nessa noite, doutor
A cama não tocou nada.

Mas não tem nada seu moço
Eu não vou lamentar pois
Nobelina foi-se embora
Eu arranjo outra depois
Quem é forte não reclama
E mesmo a minha cama
Só sabe tocar com dois.

Áudio do Poema:


quarta-feira, 13 de junho de 2012

DINHEIRO ESCONDIDO NA CALCINHA

DINHEIRO ESCONDIDO NA CALCINHA
Com o Poeta J. Sousa

Com essa onda de assalto
Ninguém pode confiar
Nem mesmo lugar pequeno
Tá conseguindo escapar
Os bandidos se uniram,
Estudaram, evoluiram
Tem até cooperativa
É o crime organizado
Fazendo medo a soldado
E a toda criatura viva.

De uma maneira agressiva
O crime se espalhou
Até mesmo em Cochichola
A bandidagem chegou
Seu Filomeno Barbosa
Todo ancho, todo prosa
Foi retirar um dinheiro
De uns bois que tinha vendido
E nem percebeu que o bandido
Da grana sentia o cheiro.

Seu Filó todo faceiro
Chamou a filha Corrinha,
"Vamos embora menina,
Que já é de manhãzinha
Vamos no banco tirar
O dinheiro de comprar
A ração dos animais,
Ligue o Jipe, vamos embora
Que eu só tô vendo a hora
De contar dez mil reais."

O assaltante sagaz
Seguiu Filó e a filha
Tinha planejado tudo
E notado na cartilha
Deixou o velho tirar
O dinheiro e contar
Sem susto e sem sobressalto
Quando entraram no carro
O ladrão deu um esparro
E anunciou o assalto.

O ladrão era bem alto
E cabeludo feito um ripe
Foi logo amedrontando,
"Quero o dinheiro e o Jipe"
Corrinha chega gelou
Por pouco não desmaiou
Quando viu o melianbte
Desceram do carro as pressas
E o ladrão sem ter conversas
Sumiu no Jipe possante.

Filó gritou delirante:
"Meu Deus do céu e agora
O ladrão levou meu Jipe
E no mesmo foi embora
Levou todo o meu dinheiro
E o carro estrangeiro
Que eu comprei no Paraguai
Como é que vai ficar?
Quem é que vai me salvar?
Dessa vez o mundo cai!"

Corrinha disse: "Papai,
Tenha calma por favor
O dinheiro tá aqui
Eu escondi pro senhor
Salvez a grana todinha
Botei dentro da calcinha
Tudo em nota de um real"
O véi contou o dinheiro
E apesar do mau cheiro
Salvou o seu capital.

"Eu achei muito legal"
Disse Filó a Corrinha,
Estou muito agradecido
Obrigado filha minha,
Mas se eu tivesse pensado
E nós tivesse combinado
Pra trabalhar em equipe
Agora eu estava sorrindo
A tua mãe tinha vindo
E tinha salvado o Jipe.

Áudio do Poema:

Este poema é de autoria do poeta declamador Iponax Vila Nova filho de Ivanildo Vila Nova. Um dos maiores repentistasvioleiro de todos os tempos. O áudio do poema é gravado na voz do poeta J. Sousa.