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domingo, 23 de junho de 2013

Tribunal de Contas da União imputa débitos e multas de R$ 494 milhões a gestores da Paraíba

 
A cada quatro anos, o eleitorado paraibano tem se inclinado em escolher candidatos que defendem o discurso de transparência e zelo pelo recurso público. Mas essa retórica, na prática, tem se traduzido em números não tão animadores. Números que reforçam a necessidade de fiscalizações, controle social e transparência nas administrações públicas. Um levantamento feito pelo Tribunal de Contas da União na Paraíba (TCU-PB) revela que, de 2002 até 2013, o órgão determinou a gestores públicos a devolução de R$ 494.352.739,18 aos cofres públicos. Somente no primeiro semestre deste ano, o TCU contabilizou irregularidades em verbas federais na ordem de R$ 13.779.254,34, referentes a ações de imputação de débitos de onze municípios e dois órgãos da esfera federal e a aplicação de multas a outras doze cidades, um órgão estadual e mais cinco da esfera federal.

O montante de recursos levantado pelo TCU é proveniente de desvios das verbas que deveriam ser aplicadas em obras estruturantes, como as de saneamento, infraestrutura e abastecimento. O secretário do Controle Externo do Tribunal de Contas da União na Paraíba (TCU-PB), Rainério Rodrigues Leite, ressaltou que a maior parte desses recursos é originária do Ministério da Integração Nacional e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fundeb), e foram desviados. “Existe uma dificuldade dos ministérios em fiscalizar a aplicação desses recursos no decorrer dos convênios, mas nós temos feito um esforço de fiscalização junto com a Funasa (Fundação Nacional de Saúde), o Ministério da Integração Nacional e o Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação. O que, de fato, nos interessa é que não haja desvio de recursos”, frisou.

Os recursos desviados são referentes a convênios firmados em 2011 e 2012, e muitos deles foram identificados a partir das análises realizadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB), por existir contrapartidas do Estado nesses contratos de obras. “Muitas denúncias recebidas pelo TCU vieram do TCE, que identificou em vários convênios que possui contrapartida do Estado e havia desvio desses recursos por parte de gestores municipais”, confirmou Rainério Rodrigues.

Desde 2005 até 2013, conforme dados do TCU, foram julgados 1.405 processos. Apenas em 2013 o órgão contabiliza 53 julgamentos sobre denúncias, representações e consultas. Outros 19 julgamentos foram referentes aos Monitoramentos, Determinações e Cumprimentos.

RECURSO DARIA PARA 235 MIL CISTERNAS

Traduzidos em benefícios para a população, os recursos desviados poderiam, com base em uma projeção do Tribunal de Contas da União, ampliar o combate à estiagem e garantir mais qualidade de vida à população que convive com o Semi-Árido. O volume de recursos desviados de 2002 a 2012 totaliza R$ 470.140.902,85, e daria, por exemplo, para construir 235 mil cisternas de alvenaria a um custo unitário de R$ 2.000,00, formato de captação de água que, no início dos anos 2000, foi amplamente difundida pelo Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC) do governo federal.

Tomando como referência as regiões do Cariri e do Sertão paraibanos, também dá para ter outros parâmetros. Com esse volume de recursos que foram desviados daria para investir nas duas áreas que aglutinam 127 municípios, exatas 1.850 cisternas de alvenaria.

As verbas seriam destinadas, principalmente, a investimentos em obras de abastecimento, esgotamento sanitário e da educação, mais especificamente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fundeb). Na avaliação feita pelo secretário do Controle Externo do Tribunal de Contas da União na Paraíba (TCU-PB), Rainério Rodrigues Leite, o mais preocupante é o impacto que o desvio desses recursos causa, principalmente, em várias cidades do interior da Paraíba. “É preocupante saber que uma vez que esse débito é imputado pelo Tribunal de Contas da União dificilmente ele é reposto. Será preciso que o município firme um novo convênio.

Com tudo isso, quem termina perdendo é a população, que deixa de ter benefícios em várias áreas nas suas cidades”, explicou.
jornal da paraíba

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

TCU constata rombo em fundação da UFPB


Um rombo de R$ 2 milhões levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a suspender o repasse de recursos federais para a Fundação José Américo, órgão ligado à Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Segundo o TCU, foram usados recursos federais depositados em contas específicas de convênios para pagamentos a empresas fornecedoras de gêneros alimentícios. As irregularidades foram cometidas pelo ex-diretor da Fundação Eugênio Pacceli Trigueiro Pereira.

“O que se percebeu foi a corriqueira retirada de contas específicas de convênios e o não regresso às contas de origem”, diz o relatório do TCU. O próprio Eugênio, responsável pelos pagamentos, afirmou que “os pagamentos dos gêneros alimentícios foram efetuados mediante transferências de recursos de convênios e contratos para a conta da Fundação para cobrir essas despesas”.

Para a auditoria do TCU, “esses desembolsos em favor de fornecedores de produtos alimentícios têm todos os indícios de serem fictícios, haja vista que não se sabe o destino dos produtos”. Os próprios servidores ouvidos pela auditoria informaram que a Fundação não tem com a UFPB contrato para fornecimento de gêneros alimentícios.

Com base nas informações dos auditores, o ministro José Jorge expediu medida cautelar a fim de determinar que a Universidade Federal da Paraíba suspenda de imediato o repasse de recursos federais para a Fundação José Américo. “O que se apurou é a recorrente retirada de recursos das contas bancárias específicas para abastecer a conta da fundação e permitir pagamentos estranhos à finalidade de qualquer dos convênios em execução”, disse o relator do processo.
JP

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Prefeita da região terá que devolver mais de R$ 4 milhões ao Ministério da Saúde

Recursos foram gastos irregularmente

Por Isaías Teixeira/Folha do Vale -  

A prefeita de Piancó, Flávia Galdino (foto), terá que devolver R$ 4.076.752,33 ao Ministério da Saúde por irregularidades encontradas na aplicação de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). A informação é do vereador oposicionista Pádua Leite (PT).

De acordo com o parlamentar mirim, as irregularidades foram encontradas pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), através de auditoria feita sobre a aplicação de recursos destinados à Prefeitura no período de 1º de janeiro de 2005 a 31 de dezembro de 2008 (primeiro governo de Flávia).

O relatório da auditoria, elaborado entre os meses de abril e maio deste ano, enumera várias irregularidades, tais quais despesas com aquisição de combustível para veículo do gabinete da prefeita; despesas com pagamento de locação de veículos para transporte de agentes comunitários de saúde; despesas com pagamento de dedetização e desratização nas unidades básicas de saúde; e despesas com serviços de vigilância noturna nas unidades básicas de saúde, conforme apurou a Folha (www.folhadovali.com.br).

Também há despesas, entre outras, com passagens  áreas no trecho João Pessoa/Brasília/Recife para a prefeita municipal, secretário de gabinete e secretário de saúde; despesas com aquisição de materiais farmacêuticos; despesas com locação de imóvel para secretaria municipal de saúde; despesa com material odontológico para saúde bucal; despesa com aquisição de materiais farmacêuticos para a farmácia básica, além de várias despesas realizadas com ausência de documentação comprobatória repassadas indevidamente para o Hospital Wenceslau Lopes de Piancó.

Segundo Pádua Leite, "o relatório da auditoria foi remetido ao Tribunal de Contas da União (TCU), à Controladoria-Geral da União (CGU), à Advocacia-Geral da União (AGU) e ao Ministério Público Federal para adoção das providências legais cabíveis ao caso".