Não aguento velho chorão, querendo morrer somente porque é velho. Isso é lá desculpa para se morrer, meu velho! Se o velho chegou a tanto é porque viveu muito e recebeu a velhice como prêmio. Pense nisso e fique feliz.
Meu amigo Paulo vive resmungando, pedindo para morrer de manhã, de tarde e de noite. Acabou de fazer 80 e pede a morte somente porque adoeceu, o médico passou uns remédios controlados e o proibiu de beber cerveja. Para ele o mundo acabou, ficou sem graça, como se beber cerveja fosse melhor do que beber água. É nada. A cerveja só faz o cabra mijar além da conta. A água é mais saborosa, dá gosto na vida, aplaca a sede e não ofende.
Gosto de ver velho achando a vida um paraíso. Dona Antonia, por exemplo, encara os seus 80 dançando carnaval no clube da melhor idade. Tem coisa mais bonita do que essa? Finado Vigó morreu com 98 sorrindo, fumando o seu pacaia e pescando traíra de anzol no Jatobá. Oscar Nieimeyer, que nos deixou com mais de 100, casou aos 98 com uma jovem de 60 e só não fez prole porque o tempo não deixou.
Dona Joana Bezerra quando inventou de casar aos 80, ali no Piancó, ouviu dos filhos as reclamações de que não deveria casar naquela idade. Não discutiu, apenas sugeriu: - Vocês que sabem: ou caso ou fico fazendo programa por fora". Casou. E, segundo eu soube, viveu feliz para sempre.
Não tem essa de perder graça, achar que o mundo não é mais encantado só porque os cabelos embranqueceram, as rugas levaram a beleza da juventude, as pernas já não obedecem mais os comandos do cérebro, as coisas não são mais animadas como antes. Isso é apenas estado de espírito. Se o espírito permanece jovem, as outras coisas também permanecem. E todos os desfrutes continuam sendo desfrutáveis.
Exemplo de velho gostando de fazer as coisas boas da vida quem deu foi Dona Boinha, esposa de Seu Gumercindo, casal muito querido e conhecido na cidade de Patos. Dona Boinha, com 82, tinha fome de sexo. Fazia todo santo dia, deixando Seu Gumercindo com os olhos fundos e ao redor do fundo, roxo. Era um fornicado tão danado que despertava a atenção da vizinhança, porque Dona Boinha gostava da coisa e dela não fazia segredo. Até que adoeceu de doença grave. Chamaram o médico, ele examinou, fez raio x, pediu exames de tudo quanto era coisa e no final diagnosticou com tristeza: -Dona Boinha, sua doença é rara e incurável. A senhora pode viver muito, mas se fizer sexo, morre na hora".
Foi um desastre. Dona Boinha em jejum, Seu Gumercindo dormindo em quarto separado e, mais ainda, com a porta trancada a chave para não cair em tentação, o tempo passando, uma semana, duas semanas, entrando nas três, eis que, numa noite de frio intenso, já pegando no sono, escuta ele uma batida na porta. Inicialmente uma batidinha, depois mais forte e acompanhada de voz. Era Dona Boinha.
-O que qui tu quer, Boinha? - perguntou Seu Gumercindo, lá de dentro. E lá de fora, Dona Boinha, resoluta e implorante:
-Gumercindo, eu quero morrer!"
Meu amigo Paulo vive resmungando, pedindo para morrer de manhã, de tarde e de noite. Acabou de fazer 80 e pede a morte somente porque adoeceu, o médico passou uns remédios controlados e o proibiu de beber cerveja. Para ele o mundo acabou, ficou sem graça, como se beber cerveja fosse melhor do que beber água. É nada. A cerveja só faz o cabra mijar além da conta. A água é mais saborosa, dá gosto na vida, aplaca a sede e não ofende.
Gosto de ver velho achando a vida um paraíso. Dona Antonia, por exemplo, encara os seus 80 dançando carnaval no clube da melhor idade. Tem coisa mais bonita do que essa? Finado Vigó morreu com 98 sorrindo, fumando o seu pacaia e pescando traíra de anzol no Jatobá. Oscar Nieimeyer, que nos deixou com mais de 100, casou aos 98 com uma jovem de 60 e só não fez prole porque o tempo não deixou.
Dona Joana Bezerra quando inventou de casar aos 80, ali no Piancó, ouviu dos filhos as reclamações de que não deveria casar naquela idade. Não discutiu, apenas sugeriu: - Vocês que sabem: ou caso ou fico fazendo programa por fora". Casou. E, segundo eu soube, viveu feliz para sempre.
Não tem essa de perder graça, achar que o mundo não é mais encantado só porque os cabelos embranqueceram, as rugas levaram a beleza da juventude, as pernas já não obedecem mais os comandos do cérebro, as coisas não são mais animadas como antes. Isso é apenas estado de espírito. Se o espírito permanece jovem, as outras coisas também permanecem. E todos os desfrutes continuam sendo desfrutáveis.
Exemplo de velho gostando de fazer as coisas boas da vida quem deu foi Dona Boinha, esposa de Seu Gumercindo, casal muito querido e conhecido na cidade de Patos. Dona Boinha, com 82, tinha fome de sexo. Fazia todo santo dia, deixando Seu Gumercindo com os olhos fundos e ao redor do fundo, roxo. Era um fornicado tão danado que despertava a atenção da vizinhança, porque Dona Boinha gostava da coisa e dela não fazia segredo. Até que adoeceu de doença grave. Chamaram o médico, ele examinou, fez raio x, pediu exames de tudo quanto era coisa e no final diagnosticou com tristeza: -Dona Boinha, sua doença é rara e incurável. A senhora pode viver muito, mas se fizer sexo, morre na hora".
Foi um desastre. Dona Boinha em jejum, Seu Gumercindo dormindo em quarto separado e, mais ainda, com a porta trancada a chave para não cair em tentação, o tempo passando, uma semana, duas semanas, entrando nas três, eis que, numa noite de frio intenso, já pegando no sono, escuta ele uma batida na porta. Inicialmente uma batidinha, depois mais forte e acompanhada de voz. Era Dona Boinha.
-O que qui tu quer, Boinha? - perguntou Seu Gumercindo, lá de dentro. E lá de fora, Dona Boinha, resoluta e implorante:
-Gumercindo, eu quero morrer!"
Blog do Tião Lucena





