
OS GRANDES RESPONSÁVEIS PELO DESENVOLVIMENTO DE ITAPORANGA-PB –PARTE 03.
(José Assimário Pinto)
Dentre os grandes responsáveis pelo desenvolvimento de nossa terra, vejo de forma incontestável a figura do casal sui generis Manoel de Sousa Vigó e Dona Preta,
O Senhor Manoel Vigó sempre contou com o apoio incondicional de sua esposa Dona Preta, que só se distinguia do tipo físico. Ele era agalegado , ela morena, forte e dos olhos verdes, além de bonita.
Tive a honra inclusive de ser amigo de infância, de Gilvandro e de Chico Vigó, e meu pai Amaro Gonzaga Pinto privava tanto da amizade do casal, quanto especialmente de José Vigó, que meu pai apelidara de Zé Sabiá.
Tive a honra inclusive de ser amigo de infância, de Gilvandro e de Chico Vigó, e meu pai Amaro Gonzaga Pinto privava tanto da amizade do casal, quanto especialmente de José Vigó, que meu pai apelidara de Zé Sabiá.
Todo esse povo era de bem.
Pacatos, trabalhadores incansáveis, cada um em sua área de atividade. Eram pessoas bem afeiçoadas, homens e mulheres, distintas e educadas.
Manoel, chefe de família, não recebera boa sorte na vida. Todo negócio que botava, estava fadado ao insucesso, mas tinha uma força de vontade, como poucos.
Lembro-me bem, e não se esqueçam que eu era criança nessa época, que Seu Manoel instalou uma bomba de gasolina na saída que dava para Misericórdia Velha, ali nas imediações do Grupo Escolar Semeão Leal.
Pacatos, trabalhadores incansáveis, cada um em sua área de atividade. Eram pessoas bem afeiçoadas, homens e mulheres, distintas e educadas.
Manoel, chefe de família, não recebera boa sorte na vida. Todo negócio que botava, estava fadado ao insucesso, mas tinha uma força de vontade, como poucos.
Lembro-me bem, e não se esqueçam que eu era criança nessa época, que Seu Manoel instalou uma bomba de gasolina na saída que dava para Misericórdia Velha, ali nas imediações do Grupo Escolar Semeão Leal.
Tinha um mata burros,-que consistia num buraco cavado e fechado com barras de ferro paralelas e que impedia a passagem de animais de médio ou grande porte, quadrúpedes.
Acontece, porém, que naquelas redondezas todo inverno praticamente, o Rio Piancó botava enchentes que chegavam até a porta da Igreja do Rosário, inundando tudo, inclusive o Posto de Seu Manoel.
Era um Deus nos acuda para salvar das águas gasolina e utensílios, e uma pequena favela que ali se instalara, com famílias pobres, notadamente, a família Mocó, uns pretos que aportaram por lá.Quando as águas baixavam, limitando-se a ficarem de barreira a barreira, o rio, eu moleque peralta, fugia dos cuidados dos meus pais e me juntava a um bando de crianças a tomar banho no rio e atravessá-lo, o que era um riso de morte, eis que pulava-se mais em cima para sair na passagem do outro lado do rio.
Lembro-me bem que para ir ao rio, os proprietários daquela zona rural fizeram cercas de pau a pique e arame, impedindo a invasão de animais às suas roças.
Lembro-me bem que para ir ao rio, os proprietários daquela zona rural fizeram cercas de pau a pique e arame, impedindo a invasão de animais às suas roças.
Certa vez eu ia seguindo essa trilha, quando de repente me deparei com um pequeno agricultor que vinha montado num jegue, e o meu companheiro que vinha comigo dizia, menininho, cuidado com o jegue, e eu lhe respondi, eu não estou com medo do jegue e sim do que o monta, pois é mais burro do que ele, o jerico.
Por conta do seu Manoel Vigó, ficou a história do Posto inundado, que lhe quebrara, azar que haveria de persegui-lo a vida inteira, e uma história de que fora a João Pessoa, tomar um banho no Açude do Governo – o mar - junto com o compadre Caçula Pinto, “venha não compadre, que é sá puro!!!” – disse-lhe.
Quantas vezes cantado por quantos ilustrados poetas brasileiros, destacando-se o Dorival Caimme, que diz “O mar quando chega na praia é bonito...”, com sua voz de trovão. E o grande poeta brasileiro Castro Alves diria “A praça é do povo como o céu é do condor”, só queeu. Moleque sapeca, modificava o verso e dizia a Seu Manoel, o mar é do povo, não do Governo, como o céu é do condor.
Para impressionar ,ainda mais, seu Manoel, eu inventava versos e mais versos, que ele desconfiava e dizia, “vai ver que esse menino de Gonzaga aprendeu com Maria Buchuda”.
Aí foi onde veio a mente tentar pregar o medo em Seu Manoel, “foi Maria Buchuda não, e sim as almas do cemitério!”, nisso ele se espantou, “que cemitério, se fica lá do outro lado da cidade”.
Eu dizia que o Posto havia sido construído nas portas do cemitério antigo de Itaporanga, onde haviam muitos defuntos enterrados.
Esse cemitério próximo do Semeão Leal não era muito conhecido pela população, mas os que moravam nos casebres próximos dali viam sempre muitas almas e ouviam seus gritos.
Esse cemitério próximo do Semeão Leal não era muito conhecido pela população, mas os que moravam nos casebres próximos dali viam sempre muitas almas e ouviam seus gritos.
Seu Manoel arregalava os olhos e dizia “eita menino danado, amanhã mesmo vou embora daqui”, antes dele sair eu perguntei “seu Manoel, o senhor conhece a história de Antenor?”
O galego desengonçado, beradeiro legítimo, que morava na Pinto Madeiro, desafiou essa verdade e morreu duas vezes. A primeira delas ocorreu e levaram o corpo pra ser sepultado no cemitério novo, mas Antenor era useiro e vezeiro em dizer que não tinha medo de defunto.
Pois bem, ao chegar na porta do cemitério novo, Antenor meteu os pés, sentou-se no caixão e disse: onde pensam que vão me levar?
Nessa época, quem carregava a cruz era seu Lourival Rodrigues, e Tequinha acompanhava o pai para onde ia, a carreira foi tão grande que deixaram Antenor sozinho dentro do caixão sentado, e Lourival e Tequinha passaram 03 dias perdidos no lugarejo.
Nessa época, quem carregava a cruz era seu Lourival Rodrigues, e Tequinha acompanhava o pai para onde ia, a carreira foi tão grande que deixaram Antenor sozinho dentro do caixão sentado, e Lourival e Tequinha passaram 03 dias perdidos no lugarejo.
Um dia desse, perguntei a Tequinha se ela lembrava de Antenor, ela disse, homem deixa Antenor em paz\ que ele já morreu. Cumprira-se assim a sina de Antenor, morreu 02 vezes pra ser enterrado em paz.
Seu Manoel, no outro dia, abandonara o Posto de Gasolina com bomba e tudo e mudara de ramo. Fui perguntar a Zé Sabiá se isso era verdade, ele só não deu em mim porque era filho de um amigo dele.
Seu Manoel, no outro dia, abandonara o Posto de Gasolina com bomba e tudo e mudara de ramo. Fui perguntar a Zé Sabiá se isso era verdade, ele só não deu em mim porque era filho de um amigo dele.
Seu Manoel Vigó e Dona Preta, inegavelmente foram pessoas de respeito e contribuíram enormemente para o desenvolvimento do lugar.
Campina Grande, 11 de Novembro de 2013.












