Festa da Padroeira
Festa da Padroeira 2012 em Itaporanga, veja tudo que aconteceu. Clique e confira!
Diplomação dos Eleitos
Saiba tudo o que aconteceu na Diplomação dos candidatos eleitos no Vale do Piancó. Clique aqui!
Passe o seu Natal de YAMAHA Zero!
A Mundo Livre Yamaha está com promoções imperdiveis, como esta: Yamaha FACTOR com entrada de R$800,00 e 44 mensais de R$209,00. Clique e Confira!
Zé do Agreste
Durante esta semana estaremos postando aqui, vídeos de Zé do Agreste, personagem criado pelo itaporanguense Onildo Mendonça. Clique e confira!
As Razões de Ariosvaldo Ferreira
Porque Ariosvaldo Ferreira deu parecer contrário as obras de abastecimento d'água que estão sendo executados pela administração Djaci brasileiro. Clique aqui!
Atenção estudantes do Vale do Piancó
A UNIP abre inscrições para o vestibular 2013, ofertando 740 vagas em todos os cursos. Clique e Confira!
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
“Mercado procura obscurecer Jesus e impor Papai Noel no Natal”
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Entrevistas com candidatos a prefeito de Itaporanga na rádio Boa Nova FM
Apresentação:
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Ex-prefeito Will Rodrigues rompe o silêncio e fala sobre os acordos políticos em Itaporanga - vídeoo
O ex-prefeito Will Rodrigues (PDT), rompeu o silêncio e falou sobre os rumores da política em Itaporanga, numa entrevista de vídeo ao radialista Júnior Viriato, do Portal Pedra Bonita, nesse domingo, 01\04.
ASSISTA TODA A ENTREVISTA NA INTEGRA.
Reportegem de Video: Júnior Viriato
Edição de Video: Albertino Lima
Foto: Marta Ribeiro
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Profecia de 2012 será sobre crise de consciência - Fernando Malkún
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
AGILLAT: Simplesmente Irresistível
Entrevista da revista Destaque com o empresário itaporanguense Agilando de Araújo Leite, que acaba de inaugurar uma indústria de derivados do leite (laticínios) em nossa cidade. Publicada na 3ª Edição da revista Destaque do Vale, em outubro de 2009.Agilando: Olha, foi da seguinte forma: eu sou produtor de leite há mais de cinco anos e senti a necessidade de aumentar a oferta desse produto aqui em Itaporanga, e uma certa vez eu como fornecedor de leite para 0 programa do governo fui posto para fora desse programa, porque alguém aqui em Itaporanga alegava que eu era grande produtor e eu fui obrigado muitas vezes a jogar esse leite fora porque não tinha quem comprasse 0 leite, e eu senti necessidade de criar esse laticínio. Era um sonho que foi amadurecendo pouco a pouco e infelizmente a minha mãe chegou a falecer e eu conversei com meus irmãos e pedi que fizessemos uma divisão de bens para que eu pudesse dar continuidade a esse sonho que pra mim era de grande importância e esta sendo até hoje. E isso foi combinado, e eu herdei 0 prédio da panificadora Estrela que foi uma herança da minha mãe e dei como garantia no banco junto com a propriedade onde está a empresa.
Destaque: Agilando, 0 que a sua empresa vai produzir?
Agilando: Nos vamos produzir aqui 0 leite pausterizado, a bebida láctea, o iogurte, queijos de vários tipos, doce de leite, a qualhada e outros subprodutos do leite.
Destaque: E a geração de empregos, Agilando?
Agilando: Isso e uma coisa que eu me preocupo muito, porque a gente investir em uma região dessas tem que ter muita coragem e pouco juízo. Eu inicialmente quero começar aqui com a média de 10 funcionários, mas hoje eu já emprego 13 funcionários na minha panificadora, emprego mais uns 5 nas minhas propriedades. Hoje, tenho uma média de uns 25 a 30 funcionários.
Destaque: A ajuda substancial do governo Estadual, Federal e Municipal, como você espera a ajuda desses órgãos?
Agilando: Rapaz, na esfera municipal eu gostaria que eles não me dessem nada, e sim comprassem meus produtos, porque no programa de merenda escolar está incluso como uma alimentação de grande necessidade os subprodutos de leite. Na esfera Estadual 0 governador está muito interessado em ajudar 0 Vale do Piancó e principalmente Itaporanga, e ele tem me ajudado. Já vieram três técnicos da Capital para analisar a industria, um da Secretaria da Agricultura, um da Secretaria de Desenvolvimento e outro da CINEPE.
Destaque: Agilando, defina em poucas palavras 0 projeto Argilat!
Agilando: Olha, a Argilat e um nome grande, todas as vezes que eu chego aqui e me sento aqui nesta mesa que você esta sentado comigo, eu sinto forças espirituais e vejo isso aqui um progresso muito grande que não só vai engrandecer a mim e a minha família, mas a toda Itaporanga, e um dia vou Ihe mostrar e provar que será orgulho de Itaporanga!

Outros empresários itaporanguenses que foram Destaque na revista:
Inforcopy: cinco anos de qualidade nos serviços
Cícero e Madalena comemoram 20 anos do Novo Mundo Center
.
domingo, 15 de março de 2009
ENTREVISTA - CHICO ANYSIO (9/3/2009) ao Diario do Nordeste
Chico Anysio em Quixadá, com a camisa do Maranguape, mas declarando amor ao Ferrim entre referências a projetos, à política e ao humor (Foto: Alex Pimentel)
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=620803
Estou com cinco filmes para fazer; tenho três shows, que faço intercalando uns com os outros: ´Chico.Tom´, que eu faço com o Tom (Cavalcante); ´De pai pra filho´, que eu faço com o André (Lucas) e ´Eu conto e vocês cantam´, que eu faço com a platéia e ainda dois projetos entregues a Rede Globo para os quais aguardo o que acontece. Eu posso levar esses projetos para uma tevê a cabo, talvez a GNT. Os filmes são: ´Uma professora muito maluquinha´, do Ziraldo, do qual participo daqui a duas semanas em São João Del Rey, Minas Gerais; depois vou fazer a vida do Frank Aguiar, faço o empresário dele, em São Paulo e depois ´A hora e a vez de Augusto Matraga´. Há ainda um outro filme, do qual não recordo o título, mas lembro que farei o papel de Deus e também de um homem do povo. Há ainda um filme de Bruno (Mazzeo), meu filho, e até uma dublagem, de um filme de Walt Disney. Também estou fazendo o roteiro de uma novela, da terceira idade. Estou escrevendo com meu irmão, ao ritmo do ´Pantanal´. Não revelo o título, mas o gênero é drama. São projetos futuros.
Seu contrato com a Globo encerra em 2012. Já surgiu alguma proposta?
Muitas, mas não quero. Já teve a Record, mas esbarrou na multa. Minha multa pela rescisão de contrato é de R$ 5 milhões. Já fui cogitado para ir para o SBT umas quatro vezes, há anos atrás, mas sou apaixonado pela Globo. Acredito que na Globo fico até a eternidade. Vou entrar agora na Zorra Total em abril, vou fazer o quadro do Alberto Roberto, no décimo aniversário da Zorra. A Zorra foi uma criação minha. Criei e passei pro Manga (Carlos) e o Manga passou pro Sherman (Maurício) e tá com o Shermam até hoje. Eu combinei com ele que eu vou entrevistar a Heloisa Perissé, minha nora, mãe da minha neta. O personagem aparece apenas no programa especial. Não quero sair da Globo. Já tive muita chance de sair da Globo. É a minha casa. Ajudei a construí-la. Me sinto muito bem lá. Se não estão me dando nada para fazer é porque estão achando que estou merecendo um descanso. Mas se cheguei a Quixadá numa cadeira de rodas foi somente para me poupar. Como já falei o meu problema é um enfisema. Eu fumei muito. Ando daqui ali e me canso. Esse é meu único problema. A minha pulsação é 12/8. Tenho 86 batidas por minuto. É tempo de atleta. Vou até 110 brincando. Podem me encher o saco até os 110 anos.
A crítica fala mal do Zorra Total. Aponta que o programa não tem audiência.
Na lista da Globo, o Zorra é o décimo programa mais visto. Eu já ouvi falar do CQC, mas eu fui ver o Ibope desse programa, tem três pontos no Ibope, três. Então, só jornalista é que vê. Por isso é tão elogiado. O Pânico tem quatro. O programa da Globo que eu ouço grandes elogios é ´A grande família´.
Quais os melhores humoristas da televisão brasileira na sua opinião ?
É difícil de dizer porque não tenho visto, como já falei, não vejo tevê aberta. Eu gosto muito do Leandro Hassum, da Claudia Gimenez, Heliosa Perissê, do Pedro Cardoso. Não tô contando dos humoristas cearenses, porque eu gosto de todos, a começar do Tom. Acho uma coisa dos cearenses, já falei até com a Rossicléa, que são muito coloridos. Não precisa isso. Não precisa aquele excesso de maquiagem, porque ela é engraçada de cara limpa e com a roupa que ela tá. E o Tom é um bom exemplo. Ele se veste legal, de forma simples. Eu acho que o único defeito do comediante do Ceará é o excesso de cores nas roupas. Acho isso um erro. Eu gosto muito do Tom, mas não gosto do programa dele. Acho que ele é quem tem que fazer a graça no programa. Ele está fazendo o oposto. Ele é quem chama os humoristas.
E quanto aos humoristas do cinema ?
Eu não gosto de filme de humor. Quanto a Mazzaropi, Oscarito, Grande Hotelo. Valter Dávila, Brandão Filho, Rogério Cardoso, esse pessoal todo representou um tipo de comédia no tempo deles. Há uma frase famosa: ´ninguém é insubstituível´. Mas essa frase não se aplica ao humor, porque no humor todos são insubstituíveis. É justamente o oposto. É por isso que jamais vai existir alguém como eles.
Se você não fosse o Chico Anysio e tivesse a oportunidade de entrevistá-lo, qual pergunta que ainda não lhe foi feita faria ?
Por que você não está na grade da Globo ?
Então responde.
Não sei, porque ninguém nunca me fez essa pergunta. Se não estou é porque ela não pôs. Eu sou dela. Ela faz comigo o que ela quiser. É dona do meu coração.
E a política?
Vejo a política como todo mundo, com muita tristeza. Só político vê bem a política. Fora ele ninguém mais vê. O Brasil é um país estranho. Com certeza não foi o Brasil quem inventou a corrupção, mas sem dúvida foi quem inventou a impunidade. É o único país do mundo onde quem rouba não tem que devolver o dinheiro que roubou´.
Então, Chico, quem deverá ser o sucessor de Lula, a Dilma Rousseff ?
O Serra (José) né!? É, talvez o Serra! Eu não voto mais. Eu passei dos 70 e desde então não voto mais. Eu errei muito o meu voto. Na eleição de Fernando Collor eu votei no doutor Ulisses (Guimarães); na eleição do Getulio (Vargas) votei no Cristiano Machado. Errei tudo. Errei tudo. Errei tudo. Eu sou ruim de voto´.
E o cenário cearense?
Nosso Estado melhorou muito. Melhorou muito porque houve o governo do Tasso (Jereissati) e em seguida o do Ciro (Gomes). Foram 16 anos. O Lúcio Alcântara foi bem também, eu acho. Não sei quem veio depois dele.
Foi justamente seu irmão, o Cid.
Ah, pois é, o irmão do Ciro, o que se preocupou com a violência, com a segurança. Comprou um monte de Hilux, não foi ?! Conheço muito o Ciro e conheço muito pouco o Cid.
ALEX PIMENTEL
Colaborador
FIQUE POR DENTRO
CRÍTICAS A BUSH E AMOR AO FERRIM
O ´Homem de muitas faces´, como o próprio Chico Anysio se apresenta no seu portal eletrônico, permaneceu três dias em Quixadá. Foi a primeira vez que participou de um filme produzido e rodado na sua terra natal.
No período em que permaneceu na cidade, fez muitas amizades, distribuiu simpatia e sinceridade. Na entrevista coletiva com os atores e produtores do filme ´O Auto da Camisinha´ recebeu de uma jornalista uma camisa do time do Maranguape, cidade onde nasceu. Agradeceu, mas confessou que o seu amor futebolístico no Ceará é o ´Ferrim´ (Ferroviário Atlético Clube). Na sua breve passagem pela terra da Galinha Choca, na noite anterior, ao ser homenageado com a comenda Rachel de Queiroz, concedida pelo povo de Quixadá somente a grandes personalidades, Chico Anysio já havia comentado sobre a política internacional.
Criticou os americanos e chamou o ex-presidente George Bush de imbecil e débil mental. ´Foi o único presidente eleito tendo menos votos que o outro, o Al Gore. Ainda foi reeleito. Quem votou nele é imbecil também´. Naquele momento Chico Anysio estava sendo homenageado, mas não perdeu a oportunidade de transformar o auditório da Câmara de Vereadores da cidade num teatro. Está acostumado com platéias, e risos, não faltaram. Ele ainda analisou aeconomia mundial. ´Antigamente, pro Brasil produzir dinheiro tinha que ter um lastro de ouro. Para se produzir um milhão de cruzeiros tinha que ter a mesma quantidade em ouro. Mas como o dólar é aceito em qualquer lugar do mundo, eles fabricam dólar como fabricamos goiabada. Falam em quatro milhões de dólares como se falasse em duzentos mil réis antigamente. Acabaram de dar U 35 milhões para uma firma. Esse dinheiro vai aniquilando países pelo mundo todo e o primeiro país a se recuperar vai ser a América´
domingo, 9 de dezembro de 2007
Entrevista
O tempo passou e, ao encontrar com o professor, falai da impossibilidade de fazer a entrevista com a reitora e disse-lhe que faria com uma pessoa comum de Itaporanga. Flaubert, sem sombra de dúvida, o melhor professor da FIP, do tipo que adora criatividade, disse apenas: "Desenvolva o tema, confio em você". Resultado, Nota 9,0, a melhor dentre todas.
Resolvi então divulgar este trabalho que ao meu ver deveria ser chamado de Vultos da Nossa História (na próxima explico porque). Ei-lo, na integra:
De incomum ele tem apenas o nome: Esmerino (Mero, para os mais íntimos). Ele é o típico cidadão do interior paraibano. Paulo Rainério
Filho de pais pobres, como a maioria da população sertaneja, Esmerino Lúcio dos Santos é o primogênito de uma dupla prole de oito irmãos. Nasceu no início do século passado e como foi criado na roça não teve estudo regular, mas, mesmo assim, é considerado o maior e melhor mestre carpinteiro (substituindo seu mestre e pai, José Lúcio dos Santos) da região polarizada por Itaporanga.
Mero, no pleno vigor de seus 84 anos de uma vida feliz, aposentado pelo antigo Funrural, passeia diariamente pelas ruas da cidade, de braços com a companheira de meio século de convivência harmoniosa. Um exemplo a ser seguido!PRB – Seu Esmerino, qual a data e local do seu nascimento?
Mero – Eu nasci no dia 20 de abril de 1923. Eu nasci no sítio.
PRB – Como foi a sua infância?
Mero – Naquele tempo, os mais velhos sabem disso, era uma vida diferente da de hoje, a gente era criado como umas “coisinhas”, à vontade, brin- cando nu. Eu vesti calça com cinco anos de idade.
PRB – Com quantos anos o Sr. perdeu a sua mãe?
Mero – Eu estava com seis anos deidade. Meu pai casou-se no vamente, pouco tempo depois, ou seja, pouco mais de um ano depois e daí eu e meus irmão fomos conviver com a nossa madrasta.
PRB – Como era esse relacionamento?
Mero – O relacionamento com minha madrasta era o suficiente, não era tão bom, mais também não era dos mais ruins não. Eu como o mais velho, ajudei na criação de meus irmãos. Nós éramos oito, quatro da minha mãe e quatro da outra, mas meu pai nunca fez distinção entre os filhos, tratava a todos por igual.
PRB – Qual o seu grau de estudo?
Mero – Eu nunca fiz uma prova. Eu estudava com professor particular, aprendi a ler, escrever, à noite, na luz do candeeiro, pois não tínhamos tempo de estudar de dia; de dia, era o trabalho. Na escola da cidade eu passei poucos dias.
PRB – O Sr. é considerado o melhor carpinteiro de todos os tempos, como o Sr. aprendeu esta profissão?
Mero – A profissão eu aprendi com meu pai. Eu fui criado na roça, trabalhando na roça e ele não acreditava em mim, ele pensava que eu não aprenderia nada, só servia para a roça; depois, quando apareceu muito serviço, ele disse: “vamos, pra ver se você aprende alguma coisa”; eu fui aprovado no primeiro dia. E daí pra cá eu não parei mais, fiquei trabalhando na roça e na profissão. Trabalhei 55 anos como carpinteiro e, mesmo depois de aposentado, trabalhei ainda 16 anos.
PRB – Na sua época se casava muito cedo. O Sr. casou-se com quantos anos?
Mero – Eu me casei com 25 anos, nós tivemos 13 filhos, mais só dez sobreviveram. Meus filhos são quase todos formados, muitos deles são professores. Já faz 58 anos que eu me casei e ainda namoro, eu só saio pra passear se for com ela, se não for com ela, não me interessa ir. As vezes que sai só, foi a trabalho.
PRB – Na época de seu nascimento para cá, fala-se em grandes secas, o Sr. deve ter vivido alguma. Diga como é sobreviver ao sofrimento de uma seca?
Mero – De 1932 pra cá eu passei por todas elas. Em 32 eu estava com nove anos. Meu pai nunca foi um homem de “fracasso”, ele era pobre mais muito cuidadoso, mais pra você ter idéia da situação nessa seca, a alimentação mais favorável que se tinha era a farinha. E nós escapávamos, não era nem com o pirão de farinha, era com o caldo de farinha. Mas escapamos, quando muita gente morreu. Já a seca de 42, foi grande também, mais o sofrimento foi menor, pois já aparecia mais alguma coisa pra se comer.
PRB – Já que o Sr. falou em 1942, qual a lembrança que o senhor tem do tempo da Guerra?
Mero – Saber das notícias naquela época era muito difícil, aqui em Itaporanga, só tinha um rádio, na casa de seu Josué. Eu fiquei de fora da convocação, nesse período, eu estava trabalhando em Pernambuco e papai mandou me chamar, porque alguns colegas meus, da minha idade já tinham sido convocados, mas acabei ficando de fora. Algumas pessoas daqui chegaram a ir para a Itália.
PRB – Na construção de Brasília, foi muita gente daqui de nossa cidade, o Sr. também foi?
Mero – Fui. Em 1960, mas eu trabalhei lá apenas quatro meses. Lá, trabalhando como carpin-teiro eu ganhava bem, umas cinco vezes o que ganhava aqui, mais por problemas na família, tive que voltar.
PRB – Uma certa vez, um irmão seu, formado, disse que o Sr. era o mais pobre de todos, mais ele daria o que tinha e trabalharia o resto da vida, para ter a felicidade que o Sr. tem. A que o Sr. atribui esse estado de graça?
Mero – Eu sou uma pessoa simples, um bom filho, um bom pai e um bom esposo. Eu tive essa felicidade. Vou completar em abril do próximo ano, 84 anos bem vividos, trabalhei muito, mas nunca reclamei, nunca me aborreci com o trabalho, é tanto que ainda hoje tenho saudade e, se não fosse aposentado, ainda estaria trabalhando.
PRB – Que conselho Esmerino deixaria para os adolescentes de hoje?
Mero – Como eu sempre digo aos meus filhos: vejam o exemplo que tenho dado e sigam. Que cumpram os deveres como eu sempre cumpri.
PRB – Fala-se muito hoje em dia que estamos no fim do mundo, que antigamente era diferente... Qual o comparativo que o Sr. faz da década de 40 para o tempo de hoje?
Mero – No meu entender, eu não vejo diferença alguma. En- quanto temos as vantagens de hoje, antigamente se tinha a inocência e o amor era mais sincero que o atual. A vida hoje é muito mais fácil, mas o controle, a confiança que tinha- mos uns nos outros era maior; na minha época as pessoas confiavam mais, só bastava ser conhecido; hoje até dos próprios irmãos temos desconfiança, pois muitos querem mais do que merecem. A vida atualmente é uma maravilha, mesmo com a falta de segurança que temos agora. Eu já estou perto de morrer, mas vou com pena, pois vou deixar muita coisa boa.
PRB – O Sr. fala muito que está no fim da vida, certo que já viveu além da expectativa de vida do brasileiro. Mas, com essa vitalidade, o Sr. ainda deve ter planos para o futuro, ou não?
Mero – Eu nunca tive limites. Minha vida pertence a Deus. Quando eu digo que estou perto de morrer é porque a idade está avançada, mais eu não tenho a mínima vontade de morrer agora, eu quero viver mais uns dias. Eu acho bom viver e agora mais ainda. Eu criei 10 filhos e nunca reclamei de nada, nem nunca pedi ajuda, nem a meu pai e graças a Deus estão todos bem, até meus netos já estão quase todos formados.
PRB – Bom seu Esmerino, muito obrigado por responder a essa entrevista. Realmente foi muito boa a nossa conversa.
Mero – Desculpe se eu não soube falar direito, o meu estudo foi muito pouco. É tanto que quando meu irmão mais novo se formou, os amigos falavam a papai, que ele devia ter me aproveitado, me botado pra estudar... Papai não sabia responder e eu falava por ele: - No nosso tempo, nos fomos trabalhar para arranjar meios de formar o nosso irmão mais novo*. Mas nem por isso eu fique triste, ainda hoje tenho alegria, pelo amor e pelas palavras que ele me deixou de lembrança.
-------------------------------------------------------------------------------------
* O irmão mais novo de seu Esmerino, formado em Engenharia Elétrica, com pós-graduação na França, morreu com apenas 44 anos de idade.








