sábado, 15 de setembro de 2012

Loreto Partiu



Loreto Partiu
(Reynollds Augusto)

Nós nunca estamos preparados para a morte, porque o termo do corpo físico implica muitas conjunturas de ordem filosófica. A reflexão é certa. A morte nos ronda a todo instante a todo o momento, pois como disse o apóstolo: “você nunca sabe o dia”. Isso me fez relembrar aquela passagem evangélica, em que existia um iludido do caminho, - hoje é que existem mesmo- que estava guardando viveres para muito tempo e ninguém sabe lá para que. Egoísta, imaturo, não acumulava por previdência, mais por puro exclusivismo e não conseguia dividir. O senhor notando o equívoco asseverou:

- “Coitado, mal sabe ele que ainda hoje a morte vem lhe pedir a alma .

Mais ou menos isso.

O fato é que nos precisamos reflexionar sobre ela, a danada da morte. Sabendo que todos nós estamos na contagem regressiva, sendo bobagem perder tempo com as ilusões do que é impermanente.

Hoje fui fazer uma visita ao meu amigo de infância Laércio, filho do viajante da espiritualidade. Juntos nós fizemos muitas “diabruras” , em um tempo que a molecada sabia se divertir de verdade, se relacionando. Hoje os moleques brincam com uma máquina, com um computador. Talvez seja por isso que o ser humano está vivendo como uma delas , achando que o sentimento é brincadeira e não tendo senso do real e irreal.

Aqui em casa eu tenho “poder de polícia” e controlo as minhas garotas no uso do computador. Primeiro conscientizo, se não der certo, tenho que usar esse poder de polícia familiar, aplicando a devida sanção e cortando o mal pela raiz. Mas as garotas são “cabeça”.

Voltando a Loreto, eu guardo lembrança dele na antiga Rua Pedro Américo, palco de uma vida feliz. Sempre tranquilo e muito brincalhão. Foi um pai de família que amava a sua prole, quer dizer, ama a sua prole, porque a morte é só a do corpo mesmo.

Meu amigo Laércio estava fragilizado. E quem não fica? É uma “despedida” reflexiva . Disse a ele que o aniquilamento é apenas aparente e que o reencontro é certo. É só um até logo. Comentei que há um sentimento comum a todos nesse momento de despedida. No fundo, no fundo, todos nos sentimos culpados por alguma coisa. Eu senti isso , quando meu pai partiu e ele está sentido o mesmo no momento. Você, caro leitor, também sentirá.

Na verdade somos todos culpados. Culpados de não ter amado mais , de não ter abraçado mais, de não ter dito mais que os amamos e quando dona morte chega , sorrateira , ficamos ensimesmados. É o momento do choro. O mundo interior desmorona, as experiências vividas vêm à tona e num flash relembramos a vida, que passa tão rápido que parece mais que vivemos um sonho.

Acompanhei o féretro e é bonito ver a família solidária, nesse momento de despedida. Vi o meu amigo chorando e ali ele estava experimentando uma regressão de memória consciente. O Pai estava dando um “até logo”. Era um momento dele e só dele.

Uma homenagem merecida: Palmas. Muitas palmas. É um espírito que parte do arcabouço físico rumo à plenitude, a nossa meta.

Até mais Loreto.
Daqui a pouco vamos nós.
Morte. Só a do corpo

PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA.

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