sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Amor recolhido

Esse negócio de amor recolhido é muito sério. Dizem, os entendidos, que as maiores tragédias foram geradas por amor recolhido. Um deixou de amar, o outro não ama mais, mas ambos continuam ligados como se fossem irmãos siameses. Pronto, está aí a bomba: basta uma faísca para o estrondo pipocar e destruir tudo ao redor. E quando esse amor recolhido é misturado à política, então sai de perto, porque o estrago é maior. Nem a alma se salva.

Um dia, num passado distante, o jovem loiro se apaixonou pela jovem igualmente loira. Foi amor pra mais de metro, daqueles que não permitem aos envolvidos um instante de separação. Por isso do namoro para o casório foi um pulo.

Diante do padre, prometeram se amar e respeitar até que a morte os separassem. Vieram os filhos, frutos de suas juras de amor, o tempo passou, mas aí apareceu a danada da política. Ele enveredou por um caminho, ela por outro.

As brigas chegaram, puxões de cabelos, beliscões, esculhambações, e antes que acontecesse algo mais sério, ambos preferiram seguir rumos opostos, um para o lado, o outro para o outro lado, um para o norte e o outro para o sul.

Mas restou o amor recolhido, que explodiu na campanha política. Ele, orgulhoso, não admitia vê-la noutro palanque, prestes a derrubar seu reinado. Enviou ameaças, ela respondeu no mesmo tom, o povo gostou,adorou e terminou acreditando nela.

Ela venceu, derrotou o invencível, tomou seu reinado, virou rainha, ele vilão, ela governante, ele governado, coisa impossível de acontecer até bem pouco tempo. O recado ameaçador foi remetido pelo informante: “Você ganha mas não toma posse”.

Nesta semana, o telefonema fatídico: “Estou indo aí te matar”. A polícia foi chamada, a rua ficou agitada, todo mundo espiando, esperando o pior.Ele não foi. Mas isso não quer dizer que não irá. Como seguro morreu de velho, melhor mesmo é pedir garantia de vida ao coronel Euler.
do Blog do Tião

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