Valdete C. Braga Marques
Professor. Ser humano falível, limitado, como qualquer outro. Desvalorizado como ele só.
Lutador.
Professor. Não lhe permitem errar com ingênuas comparações porque "Deus é Mestre". Aí você se encolhe, sente-se angustiado, com sentimento de culpa porque. não consegue ser perfeito como Ele. Você não pode nem ser como pai e mãe que se impacientam; ficam bravos; tem de ser melhor do que eles. Exigem-lhe a dose máxima de paciência, amor, dedicação, compreensão, tolerância, aceitação, empatia ... como se fosse possível alguém só doar, sair de si mesmo para entregar-se ao outro, incondicionalmente. Como se viver fosse um processo unilateral onde você se basta.
Imagine então você querer ser "classe", reivindicar direitos! Chamam-nos de "líder negativo", "subversivo", "mau exemplo" para o aluno. Que valores são esses? Que papel querem atribuir-lhe? Onde está seu espaço? Se você levanta a voz e quer sua dignidade de volta, é acusado de irresponsável, mau profissional, porque não tem direito de se pensar em si, só no aluno. Não importa aos alienados como anda a "máquina"; só Ihes interessa o produto!
Você quer ser como qualquer outro trabalhador - digno, honesto, responsável, competente, e respeitado. Com deveres e direitos. O que o diferencia de outras categorias profissionais é que você gosta de lidar preferentemente com pessoas e com o saber. Isto exige, obviamente, certas habilidades específicas. Mas, não requer ser "deus" Magistério pede paciência, não submissão; bom senso, não ingenuidade; conquista do saber, não sabedoria divina.
Às vezes culpam-no até por não ter conseguido que seu aluno difícil se endireitasse na vida.
Querem que você ensine bem e ainda seja assistente social, psicólogo, psiquiatra, nutricionista, enfermeiro, pai, mãe, de seus alunos. Professor ou milagreiro?
Você quer o simples direito de ser apenas o profissional para o qual se preparou - professor, aquele que ensina e aprende, com a dignidade que o cargo merece.
Professor, não esmoreça. Continue fiel às suas características humanas à sua qualificação profissional, à sua consciência. Não permita que o transformem em "bode expiatório" dos desacertos da sociedade e da educação.
Aprimore-se, mas recuse-se a vestir a capa da utópica perfeição. Seja o melhor que você puder, sendo tão somente PROFESSOR!
Texto Transcrito da Revista AMAE educando, nO. 191. Enviado pela professora Maria de Lourdes Malaquias - Escola Normal Professor Neves Itaporanga - PB
15 de Outubro, parabéns para todos nós professores (elite pensante desse País).





1 comentários:
Excelente texto...
Parabéns a todos Professores da Escola Normal.
José Bruno Malaquias
Engenheiro Agrônomo (UFPB)
Mestre em Entomologia (ESALQ/USP).
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