domingo, 11 de novembro de 2012

DANDO UM GIRO PELO SERTÃO


Dando Um Giro Pelo Sertão

(Reynollds Augusto) 

Umas das vantagens de ser Meirinho ou, Oficial de Justiça, é que o gente administrativo “anda” com intensidade e percebe um pouco a realidade vivida por muita gente, “nesse sertão de cabra macho e cabra valente também”.


A vida de gabinete é fria, longe da realidade pujante e quem traz para o juiz outros aspectos dessa vida exterior ao processo é exatamente o meirinho, que vê o drama e a realidade das formas. É por isso que se diz que o Oficial de Justiça são os olhos e os ouvidos do juiz. Pouco jurisdicionado conhece o Juiz, mas todo cidadão sabe quem é o  Oficial de Justiça.


Ontem eu realizei aquele “tur” próprio da função e fui longe.  Na realidade os dois instrumentos do Oficial de Justiça são a Moto e a caneta.  A moto que transporta o meirinho a lugares inimagináveis e a caneta para fazer concreto as decisões do juízo. O meritíssimo aprecia o direito, movimenta o processo, comanda, manda, e o Oficial de Justiça, no outro extremo, faz real, o abstrato das decisões dos gabinetes.  A moto para o Oficial é como a enxada, do irmão da roça. Sem ela não se trabalha. A caneta é a “arma” da jurisdição. Sem ela, também, nada se pode fazer.


Eu digo aos meus colegas que nós deveríamos ganhar uma espécie de gratificação especial do tipo: “gratificação de psicologia jurídica’”. Uma grande parte pessoas que procura o judiciário, em nossa região, é gente do campo, sofredora, necessitada, que tem o seu direito procrastinado pelos órgãos de previdência social. Trabalharam duro anos a fio e no final tem as suas aposentadorias indeferidas. Ainda bem que procuram o judiciário para fazer justiça. E eles, nos atos das diligências, choram, contam os seus dramas, falam da seca, desabafam conosco. E nós os aconselhamos, limpamos um pouco as suas lágrimas.  


A justiça comum estadual é órgão que mais trata dos diversos dramas sociais. Como não é especializada, trata de todo o resto.


- Doutor até quando viveremos tantos problemas sociais?

- ADVOGADO: Espero que por muito tempo, senão perderemos o emprego.

- (?)

 
Mas o bom mesmo é não ter problemas, viver em uma sociedade equilibrada, ajustada, feliz. Esse alcance ainda está longe de ser realizado, pois somos todos espíritos atrasados, em franco processo de evolução.
 

Mas o nosso sertão está seco, cinza, triste.  Confesso a vocês que estou preocupado, mas certo que com as leis naturais não há erro, não há equívocos, o que há são ajustes próprios.  Somos espíritos que temos compromissos com essa região. A terra é bela, fértil, de um povo acolhedor, feliz, apesar dos dramas da seca.


O problema não é da natureza, o problema é de governo. A falta d´agua é consequência de falta de política pública para esse setor. Os nossos invernos são invejáveis, mas perdemos mais ou menos 70 por cento da chuva que cai do céu, sem conseguir acumular o necessário , e quando a seca volta e ela sempre voltará, ficamos vivendo esse drama todo.  Cobrando, chorando, se humilhando.


O momento de discutir a seca é também no inverno, para cobrarmos dos políticos movimento até a próxima seca, que virá.  


Em Israel, no deserto, pasmem, eles produzem alimento que conseguem atender a 90% da demanda interna e geram excedentes para exportação.  E NO DESERTO!  Dê uma espiada (http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,ERT292798-18281,00.html). Por lá a seca é sempre maior. Nós aqui sofremos por descaso e falta de consciência política. O povo, coitado, não conhece, ainda a sua força.


O mestre Luiz Gonzaga, que fez o seu centenário, já nos alertou em torno disso. Queria dizer que a seca faz parte da nossa região e que precisaríamos lidar com ela, até os fins do tempo.

 

Ó Deus, perdoa esse pobre coitado...

 

DEUS MANDA CHUVA

 

PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA MESMO

www.pensenisso.itaporanga.net

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