sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O BAR DE EDILÁZIO FELINTO


 Por Joao Dehon Fonseca  

Tripa, torresmo e tatu,
lingüiça e carne assada,
no sábado saia buchada,
cajá, cajarana e umbu
a meiota era caprichada
estudante bebia no fiado
o bate papo era animado
conversas de nível cultural
a fofoca saia e era genial
aquilo era um rito sagrado.

Tão logo as férias começavam
estudantes vinham de todos cantos
quem era reprovado era só prantos
os que passavam comemoravam
e ali mostravam os seus pontos
Itaporanga só tinha até o primário
quem quisesse fazer o secundário
saia prá Patos, João Pessoa e Campina
Recife, Bananeiras e até Carpina
e alguns saiam para ser bancários.

Nosso querido Edilázio Felinto
tinha um bar no centro da cidade
qualquer assunto com novidade
rolava sempre naquele recinto
Dona Peta era só felicidade
um dos casais mais alegres que já vi
e quero nesse verso insistir
ao Edilázio eu queria muito bem
e a Dona Peta eu queria também
e essa amizade vai sempre existir.

Debaixo da tenda do reservado
em volta de uma mesa de madeira
reunia muito mais de dez cadeiras
aquele ritual era sagrado
todo dia começava a brincadeira
Tico de Olegário, Anchieta e Agostinho
atabaque, vilão e cavaquinho,
tango, bolero e muito samba,
a galera era uma turma de bamba
entoando sempre um bom chorinho.

Bota outra meiota praquela mesa
era o Carnaúba, velho Severino
sangue bom e puro de Clementino
sempre usando a sua gentileza
o bom poeta, um grande menino
gostava de toda estudantada
ficava em sua mesa a dar risada
com as piadas do Tico de Olegário
era assim aquele nosso calendário
paz e cantoria entre a molecada.

Chegava Dema e Geraldo Sertão,
Nilton Mendes chegava para animar,
soltava a voz, começava a cantar
sempre acompanhado de um violão
outra meiota mandaram botar
foi alguém que por ali chegou
e com certeza se admirou
com a alegria daquele recinto
com as piadas de Edilazio Felinto
e com a voz do nosso cantor.

Sentava numa mesa Fernando Pinto
e uma dose de Cuba Libre pedia
batendo na mesa a musica ouvia
baixista nato e por instinto
dava risada com a alegria
vinda da mesa à sua vizinha
em outra mesa sentava Zé de Nacinha
Tamun sentava com Caxito
pedia tira gosto de cabrito
para tomar com uma caninha.

Joca, Pedro Jerônimo e Chico de Creusa
chegavam ali e olhavam o ambiente
pediam um caldo de feijão bem quente
mandava Dona Peta limpar a mesa
e pediam uma garrafa de aguardente
tomavam ouvindo cada estudante
que discutiam de forma elegante
os problemas sociais do nosso país
mostrando também sua raiz
a discussão não era extravagante.

Marco Maia chegava com Bebé,
Antonio Mago e Nego de Isaias,
naquela mesa haja versos e poesias
o poeta sempre mostra quem ele é
trazendo ao ambiente alegrias
Bebé com um potente violão
Marcos sempre com lápis na mão
“Rotina Difícil” ali era composta
Nego Nilton a sua voz imposta
Para cantar aquela linda canção

Alberto de Ananias e Lindomar
acompanhados por Zé Brasilino,
três garotos nenhum menino,
um tubo começavam a guerrear
o tira gosto era dos mais fino
tempero igual na Cidade não existia
ambiente bom, com muita alegria
anos 70 diferentes de agora
bagunça em nenhuma hora
ao lembrar me vem a mostalgia.

Beline, Suruca e Calaca,
Vivi, Dehon e Luís Cordeiro
Neto Vieira e Chico Monteiro,
asilando chegava Antonio de Maraca
violão, atabaque e pandeiro
o ambiente era alegre e muito bom
mais uma vez Nego Nilton solta o som
cantando de Roberto “nossa canção
Beto Barros com o coração
E tudo saia bem dentro do tom.

Antonio Fonseca e Nilvando Gabriel
Benedito de Otávia e Aderbal,
Paulo Cordeiro um sujeito genial,
Solange Fonseca e o grande Abel,
que é o Albelúzio e muito legal,
chegava com Tota que é um Ferreira,
ou então com Sales que é um Pereira.
e ali o meu grande amigo Tota,
já ia pedindo um meiota,
assim começa a brincadeira.

Chegava também o Rainério Brasilino,
que era muito jovem, mas bem preparado,
e com um dos companheiros de lado,
revelava que não era menino,
um bom bate papo era iniciado,
sempre discutindo com desenvoltura
mostrando que já tinha postura
no meio dos grandes ele se metia,
e na mesa com muita alegria,
brincava com sua compostura.

Edilázio chegava à latada
e pedia escondido uma de cana,
foi o dono de bar mais bacana
que se misturava com a estudantada
e com uma piada bem sacana
engolia a dose e saia correndo
já outra mesa estava atendendo
ocupando direitinho o seu posto
tirava um petisco, um tira gosto
e com todos ali ia vivendo.

Tempo bom que agente vivia
numa cidade alegre e gostosa
de uma gente feliz e generosa
de uma só família e uma só alegria
Itaporanga sempre foi famosa
do Vale sempre foi a primeira
a grande rainha, a pioneira
alegre, feliz e inteligente
cultura é parte de sua gente
é uma cidade bem festeira.

Edilázio ali dentro do seu bar,
Preservava grandes amizades,
em Itaporanga toda mocidade
todo dia ia lá para brincar
era o ponto de encontro da cidade
um ritual de toda estudantada
o dono do bar era camarada
com os estudantes ele se divertia
seu bar era uma só alegria
não se via ali uma coisa errada.

Eu daria tudo que eu tivesse
prá voltar ao tempo de estudante,
não quero ser muito importante,
mas se o tempo a mim viesse,
com uma proposta interessante,
para década de sessenta voltaria,
no bar de Edilázio eu brincaria
estaria ali de sã consciência,
revivendo a minha adolescência
com meus velhos amigos de confraria.

Vou terminar esse meu cordel
que fiz em décima rimada,
a coisa estava muito animada,
escrevendo aqui no meu papel,
teve rima que foi engraçada,
revivi aqui o passado também,
e eu sinto como nínguem,
não sei se é por instinto
saudades de Edilázio Felinto,
amigo que eu queria bem.

1 comentários:

Dehon, agradecemos em nome da família Felinto pelo lindo poema sobre o Bar de Edilázio.

Dael.

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