terça-feira, 12 de março de 2013

Conclave – O Espírito Santo pelo Telhado

Por Jesus Soares da Fonseca
 


O Conclave para escolha do novo Bispo de Roma já está reunido! Em breve, se não houver algum transtorno, saberemos o nome do Sumo Pontífice. Falo em transtorno, porque já ocorreu em alguns deles, a dúvida na escolha daquele que seria o Sucessor de São Pedro. No Conclave de 1268, a escolha seria para o sucessor de Clemente IV. Foi a eleição mais longa até os dias atuais. Durou 2 anos e 9 meses, 33 meses para ser mais preciso. Os Cardeais, na época, 20 ao todo, reuniram na cidade de Viterbo, isto porque maioria dos Papas preferiam viver naquela cidade do que em Roma, embora a Cidade Eterna continuasse como Sede. Passados meses, o prefeito de Viterbo, aconselhado por São Boaventura, juntamente com o povo, que se sentiam incomodados com a demora da escolha, fecharam as portas do Palácio onde se realizava o Conclave, a fim de forçar uma decisão.

Em vão! O impasse continuou! Tomaram, então, outra decisão, reduziram a alimentação dos Cardeais, inclusive, só lhes fornecendo Pão e Água. Nem assim a escolha aconteceu. Diante de tanta dúvida e decepcionados com os Cardeais, a superstição aflorou aos moradores de Viterbo, ao ponto de arrancarem o telhado do Palácio para deixar o Espírito Santo entrar e iluminar as mentes dos prelados. Todas estas tentativas foram falhas. Para se ter uma ideia, 3 dos Cardeais eleitores no Conclave, vieram a falecer, talvez, em virtude da peste que assolou a Europa, naquela ocasião, um dos motivos também, no atraso do Conclave. Passado um ano destes episódios e como não chegassem a alguma conclusão, escolheram por compromisso Teobaldo Visconti, um Monsenhor muito piedoso que não fazia parte do Conclave e que recebeu o nome de Gregório X. Foi exatamente Ele que modificou algumas regras do Conclave para que não viesse acontecer outro episódio da espécie.

Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, teria dito Jesus, nomeando Simão Pedro para ser o Líder de sua Religião, era o ano 30 de nossa era. Como podemos notar, o primeiro Chefe da Igreja foi, pois, um Palestino. Como Líder do Cristianismo, após morte de Jesus, Pedro sabendo que as articulações entre as demais Comunidades Católicas eram difíceis, embora a maioria estivesse sob seu Comando, deslocou-se para Roma, centro do poderoso Império Romano, pois, sabia que ali seus adeptos sofriam tremenda perseguição. Durante 37 anos lutou pelo seu Rebanho até que se tornou uma das vítimas das perseguições romanas. Preso e condenado à crucificação, na hora do suplício, solicitou aos algozes que o crucificassem de cabeça para baixo, pois não era digno de morrer como seu Senhor.

Morto Pedro, sucedeu-lhe Lino, homem humilde e piedoso que continuou a obra de seu antecessor. Como grande orador, Lino conseguiu arrebanhar, para a religião católica, vários pagãos. Foi decapitado em 79 a mando do cônsul Saturnino. Por ironia do destino, anos após sua morte, a filha do Cônsul obteve cura de uma doença mortal, fazendo preces a Lino. Foi este, um dos milagres, que o levou à canonização. Quem lhe sucedeu no Trono de Pedro, foi Anacleto, terceiro Bispo de Roma.

É bom lembrar que até o ano de 1073, os sucessores de Pedro não tinham ainda a denominação de Papa. A palavra é derivada do grego Pappas que significa Pai. Por ordem do papa Gregório VII, a partir daquele ano, o termo se tornou de uso exclusivo para os bispos de Roma, se bem que a Igreja Ortodoxa Grega, ainda hoje mantém o mesmo título, nas outras Igrejas Ortodoxas usa-se a Palavra Patriarca, para a Autoridade Máxima daquelas Religiões.

Então, nestes dois ou três dias, segundo previsões, teremos um novo Papa. Quando acontecer o fato, uma fumaça branca surgirá na chaminé estalada no alto da Capela Sixtina, anunciando a eleição do Pontífice. Pouco depois, o Cardeal mais velho da ordem dos Diáconos, cognominado Decano, fará o anúncio da varanda central da Basílica de São Pedro, em Latim. Hipoteticamente tomei o Cardeal africano, Peter Kodwon, como Papa eleito e qual nome receberá. Assim o Decano dirá:

Annuntio vobis gaudium magnum, Habemus Papam: Eminentissimum ac reverendissimum Dominum, Dominum Peter, Sanctæ Romanæ Ecclesiæ Cardinalem Kodwon, Qui sibi nomen imposuit Ioannes Paulus Tertius.

Anuncio-vos uma grande alegria! Temos um Papa: O eminentíssimo e reverendíssimo Senhor, Dom Peter, Cardeal da Santa Romana Igreja, Kodwon, que se impôs o nome de João Paulo III.

Em seguida o Papa eleito é apresentado à multidão de fiéis e dá sua primeira bênção Urbi et Orbi – Para a cidade de Roma e para o Mundo. Esperemos, pois!

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