quarta-feira, 2 de maio de 2012

As Vacas da Índia e os Burros do Pavilhão do Chá

  
1BERTO DE ALMEIDA

Todos tem uma explicação para o fato de a vaca ser considerada um animal sagrado na Índia.  Um dos motivos, sendo esse um dos  mais difundidos, é que para os praticantes do hinduísmo, religião predominante na Índia, a vaca é considerada um animal perfeito, existindo desde a época do Satyuga, o paraíso lá deles. O hinduísmo tem umas que não lhes conto. Ou melhor, pra vocês eu conto!
Para os hinduístas a vaca representa o último estágio na escala das encarnações. É pouco ou querem mais?! Eu mesmo já decidi: na outra encarnação, se o boi também for sagrado eu quero ser um boi!  E se não for pedir muito, um boi na Índia!
Mas, por outro lado, esse o lado melhor, não é somente pelo fato de ser esse ruminante um animal sagrado não. O buraco é mais embaixo. Ah, retifico:  os “buracos” ficam mais embaixo... Da vaca!  Como cerca de 80% da população indiana são de vegetarianos, o leite, o melhor da vaca, assim como o ovo é o melhor da galinha, está na base da culinária dos hindus. Sentiram?! Isso mesmo: matando uma vaca, por analogia galinácea, é o mesmo que matar uma galinha com ou sem ovos de ouro!
Tens uns que também defendem a existência da vaca espiritual.  A vaca, para eles, também tem espírito. Alma não, eles sabem e vocês também, alma é outra coisa.  Todo ser vivo, dizem, tem um espírito. E não venham com essa de que uma vaca é uma vaca e um homem é homem e nunca um bagaço de jaca!  Os hindus acreditam que a vaca foi um ser muito bondoso em outra vida. E que a maior das etapas espirituais é a reencarnação de uma vaca! Se é conversa pra boi dormir?! Acho que não! Deve ser pra vaca!
Dia desses, passando pelo nosso eterno “abriremos em breve” Pavilhão do Chá, senti-me como se passeando estivesse na terra dos hindus. Só que dessa vez com as vacas reencarnadas em burros.  Nunca vi burros tão serenos! Imaginei-os descansando no Satyuga, o paraíso deles, e por aqui batizado de Pavilhão do Chá. Uma serenidade – olhe para os seus rostos (Suas aras não; caras ou focinhos tem animais!) – de vaca em estado de contemplação!  Estavam meditando. Não tenho dúvida.  Nenhuma perturbação. O nosso Pavilhão do Chá virou um Satyuga para os burros parahybanos!

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