Saudade de Tempos Felizes e de Medos Inocentes
(Laura Pereira)
Às vezes, quando me sinto triste e sozinha, me ponho a lembrar dos momentos felizes de minha infância, da minha Itaporanga de outros tempos… Os pensamentos do passado, por algum tempo, substituem os momentos presentes e é no passado que localizo, com certa facilidade, a imagem das ruas, das brincadeiras, das cantigas e estórias que escutávamos dos amigo, quando nos reuníamos nas calçadas, para brincar ou para contar "fatos" deste e do outro mundo.
Então, quem, quando criança, não se reuniu com os amigos para ouvir esses contos mal-assombrados? Eu me reunia sim, principalmente quando faltava energia elétrica, e o cenário dessas conversas estranhas era a nossa boa e velha Igreja do Rosário. Sim, ela sempre majestosa, com sua torre erguida, enegrecida pelo tempo e visitada por diversos morcegos que vinham assombrar os nossos sonhos (ou pesadelos) de infância.
Falava-se muitas coisas, de pessoas que ouviam choro de crianças, que morreram sem se batizar e de missas que aconteciam durante a madrugada, mas quando se chegava perto não havia nada, só as portas trancadas (e sebo nas canelas).
Hoje, a igreja está muito diferente, restaurada graças aos fiéis católicos que trataram de reerguê-la, depois de uma forte tempestade que derrubou a sua torre principal, aquela mesma que punha o medo nos meus sonhos e sobressaltos noturnos.
Mas, quando criança, sempre que tinha de passar por ela, para comprar guloseimas na bodega do saudoso “Seu Dudu”, virava o rosto e passava na carreira, com medo das “almas penadas”, que cantavam nas missas fantasmas, segundo os mais velhos.
O sino a bater, anunciando a passagem de alguém para o mundo maior, deixou em mim uma lembrança fúnebre, não muito feliz .Aquele tempo mágico guardava em si tantos mistérios e segredos que a minha razão atual sente saudades, saudades das “verdades, que eu sabia”. Depois, nem tudo era medo.
Tinha também, durante à noite, a música dos jovens concluintes ,em busca de recursos financeiros. Isso mesmo, quem do meu tempo não se lembra dos concluintes que, para recolher dinheiro à excursão da escola, cantavam durante as madrugada:
“Com licença, dona de casa, abra a porta e acenda a luz, viemos pedir ajuda a só saímos com ela…”
E só saíam mesmo quando recebiam alguma coisa.
“Se não quiser abrir a porta bote aqui pela janela...”.E eu espiava pelas frestas da janela da minha casa. Momentos de pura magia, aqueles, até que o juiz proibiu as cantorias noturnas.
Lembrar a infância com seus medos, angústias, alegrias e inocências revelam o nosso lado ainda infantil. Quem não guarda dentro de si uma criança que tem medo de cemitério, de igrejas vazias, de capelas abandonadas, de almas e de estórias do outro mundo?
Nós crescemos, aprendemos como as coisas funcionam e encontramos explicações para tudo, no entanto, não esquecemos aqueles momentos de suspenses. Mas, para a nossa felicidade, aqueles momentos, de pura alegria e despreocupação com a vida, perduram e nos faz felizes, principalmente quando nos sentimos tristes e sozinhos, como no começo deste texto.
Então, quem, quando criança, não se reuniu com os amigos para ouvir esses contos mal-assombrados? Eu me reunia sim, principalmente quando faltava energia elétrica, e o cenário dessas conversas estranhas era a nossa boa e velha Igreja do Rosário. Sim, ela sempre majestosa, com sua torre erguida, enegrecida pelo tempo e visitada por diversos morcegos que vinham assombrar os nossos sonhos (ou pesadelos) de infância.
Falava-se muitas coisas, de pessoas que ouviam choro de crianças, que morreram sem se batizar e de missas que aconteciam durante a madrugada, mas quando se chegava perto não havia nada, só as portas trancadas (e sebo nas canelas).
Hoje, a igreja está muito diferente, restaurada graças aos fiéis católicos que trataram de reerguê-la, depois de uma forte tempestade que derrubou a sua torre principal, aquela mesma que punha o medo nos meus sonhos e sobressaltos noturnos.
Mas, quando criança, sempre que tinha de passar por ela, para comprar guloseimas na bodega do saudoso “Seu Dudu”, virava o rosto e passava na carreira, com medo das “almas penadas”, que cantavam nas missas fantasmas, segundo os mais velhos.
O sino a bater, anunciando a passagem de alguém para o mundo maior, deixou em mim uma lembrança fúnebre, não muito feliz .Aquele tempo mágico guardava em si tantos mistérios e segredos que a minha razão atual sente saudades, saudades das “verdades, que eu sabia”. Depois, nem tudo era medo.
Tinha também, durante à noite, a música dos jovens concluintes ,em busca de recursos financeiros. Isso mesmo, quem do meu tempo não se lembra dos concluintes que, para recolher dinheiro à excursão da escola, cantavam durante as madrugada:
“Com licença, dona de casa, abra a porta e acenda a luz, viemos pedir ajuda a só saímos com ela…”
E só saíam mesmo quando recebiam alguma coisa.
“Se não quiser abrir a porta bote aqui pela janela...”.E eu espiava pelas frestas da janela da minha casa. Momentos de pura magia, aqueles, até que o juiz proibiu as cantorias noturnas.
Lembrar a infância com seus medos, angústias, alegrias e inocências revelam o nosso lado ainda infantil. Quem não guarda dentro de si uma criança que tem medo de cemitério, de igrejas vazias, de capelas abandonadas, de almas e de estórias do outro mundo?
Nós crescemos, aprendemos como as coisas funcionam e encontramos explicações para tudo, no entanto, não esquecemos aqueles momentos de suspenses. Mas, para a nossa felicidade, aqueles momentos, de pura alegria e despreocupação com a vida, perduram e nos faz felizes, principalmente quando nos sentimos tristes e sozinhos, como no começo deste texto.




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