OS GRANDES RESPONSÁVEIS PELO DESENVOLVIMENTO DE ITAPORANGA – PARTE VII - O MUDO JORGE E SEVERINO PARAPLÉGICO.
Essas duas pessoas foram de uma humildade extremada e absolutamente pobres, grandes, porém em sua inquebrantável vontade de servir a todos do vilarejo, colaborando na grandeza que Deus lhes deu e na solução dos problemas diuturnos de cada um.
Jorge, apelidado de Jorge cabeção, era um preto, por todos querido e viera ao mundo mudo, só conseguia falar poucas palavras e talvez, ouvir nenhuma, o que, no entanto não o impossibilitara de entender o seu semelhante, salvo quando ficava com raiva, que era um bodejado.
Quando criança lembro-me perfeitamente dessas pessoas de que falo.
Jorge tinha uma estatura entre anão e baixo, em relação aos habitantes do lugarejo.
A cabeça pendia de tão grande que era e as pernas, sobrecarregadas pelo peso, não cresceram o suficiente, mas tinha uma força imensa para descarregar animais (jumentos). Jorge nadava como um peixe nas enchentes do Rio Piancó, conduzindo uma cabaça, roupas e garrafas de leite, que revendia em Itaporanga.
Minha avó Neném (Maria Carolina Pinto da Silva) conversava com o mudo que era uma beleza.
Eu, como criança curiosa, lhe dizia:
- Neném, como é que tu entende o mudo, se comigo ele se afoba? Basta eu botar a mão na orelha.
Ao que ela respondia:
- Também tu, Assimário, batendo nas orelhas chama o mudo de filho da P...e por isso ele se afoba, e afobado então, não se comunica!
O ilustrado orador sacro Padre Antônio Vieira dizia em um dos seus famosos sermões: “A natureza aos mudos fez também surdos, porque se ouvissem e não pudessem falar a dor dilaceraria seus corações.”
Severino aleijado era deficiente físico, de certa forma parecia-se com Jorge, mas viera ao mundo com um carma muito pesado, paraplégico, sobreviveu muitos anos num carrinho empurrado por um terceiro e pedindo esmolas.
Cada esmola que recebia, seus olhos sofridos brilhavam de gratidão, como o sol da manhã e uma criança ao receber um presente de Natal.
O que mais me admirava em Severino era sua abnegação e aceitação do destino que Deus lhe dera, apesar de inteiramente sem movimentos corpóreos, o seu cérebro era perfeito e dava conselhos a quantos precisassem, nunca porém, ressaltando a sua própria condição de deficiente, que resistiu heroicamente ao designado por Deus, seus lamentos.
Muito obrigado a vocês pelo bem que fizeram a nossa terra, Itaporanga.
Campina Grande, 22 de novembro de 2013.




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