Investir no sertão é uma boa ideia, quando há determinação por parte de quem se disponibiliza a fazer a terra produzir, é pensando assim que o SEBRAE elaborou o Programa Fazenda Eficiente visando orientar os produtores a desenvolverem técnicas úteis e sustentáveis, a fim alcançarem o máximo de produtividade, com um custo acessível.
O SEBRAE atua em parceria com estes produtores incentivando a implantação de novas ideias, em especial a sustentabilidade, tendo em vista que o sertão nordestino, em especial o paraibano sofre com secas prolongadas e um extenso período de estiagem ao longo do ano.
O ideal então é produzir com qualidade e não exatamente com quantidade, o referido Programa tem alcançado espaço ao longo da Paraíba, e no sertão não têm sido diferente, várias fazendas aderiram a este modo de produção, e mesmo em meio à seca – marcada como a pior dos últimos quarenta anos - os resultados têm sido positivos.
Um exemplo de sucesso do programa é encontrado em Boa Ventura-PB no Sítio Barrenta, de propriedade do produtor rural João Henrique. O produtor investiu no plantio do capim-mombaça, o mesmo resiste aos solos sertanejos, pois não necessita de muita água para “crescer” naturalmente, e mesmo durante períodos de estiagem produz de 12 a 15% do total de produção, comparado aos períodos de irrigação constantes.
“Duas horas de irrigação é o suficiente, além dos cuidados com o reaproveitamento da água, o capim é bastante resistente, não há necessidade de desperdiçar o recurso hídrico à toa, além de que o capim resiste a muitas pragas”, declara João Henrique. O sítio conta com 15 hectares de terra, sendo quatro para “baixio”. A parte produtiva chega a cerca de 8 a 10 hectares, comportando dez animais, em casa hectare de terra.
“Às vezes a gente tem uma venda enorme nos olhos, e não conseguimos enxergar coisas que estão ao nosso redor, e mesmo com poucos recursos, e um pouco de investimento é possível alcançarmos esta alegria”. Esta é a fala de João Henrique ao mencionar o aumento da produtividade e o resultado das boas ideias que foram postas em prática.
Além do capim, o uso da palma forrageira como fonte de alimento para o gado tem sido uma alternativa segura e eficaz, pois a palma é resistente à falta de chuvas, armazena uma grande quantidade de água e tem alta digestibilidade. Há produtores rurais que conseguem até 30 toneladas de matéria seca de palma em apenas um hectare, o que significa a produção de aproximadamente 300 toneladas de palma a cada dois anos.
João Henrique continua sua fala a cerca dos investimentos na terra. “O auxílio do governo é muito importante, mas é dever do produtor rural procurar inovar, correr atrás de alternativas sustentáveis, reciclar, reutilizar”. O produtor ainda faz o convite à que todos os produtores sigam o exemplo e invistam nas ideias que têm dado certo, não apenas no sítio Barrenta, mas em toda a região sertaneja, que enfrenta os mesmos desafios.
O melhoramento genético também está em pauta na condução do sítio, uma vez que o objetivo tanto do produtor, quanto do próprio programa é alcançar qualidade e não quantidade. João Henrique busca em suas terras desfazer a antiga ideia de que o mais importante é a quantidade de “cabeças de gado” na terra, o importante para ele é a qualidade e a produtividade desses animais, pois “o que interessa é o produto final, a carne, o leite”, afirma.
O produtor ainda alerta aos produtores que a terra deve se tornar uma pequena empresa, deve ser gerenciada como tal, não podendo ser vista com um hobby, uma área de lazer. Utilizando inclusive os serviços que uma empresa necessita, como contador, orientador financeiro, etc., fazendo realmente da fazenda ou sítio uma empresa do agronegócio.
O sítio recebe mensalmente a orientação do zootécnico Alexandre Cortes (orientador do Programa Fazenda Eficiente – SEBRAE), que passa a avaliar as terras, bem como aponta sugestões e soluções a fim de que o sítio se desenvolva ainda mais. Segundo a avaliação de Alexandre a produtividade do Barrenta tem superado expectativas e se destaca como uma das terras mais produtivas, comparada com as demais da região.
João Henrique pontua que o sucesso obtido em suas terras deve-se primeiramente a Deus, em seguida à sua parceira no agronegócio Sorária, ao SEBRAE através do programa, e ao encarregado da administração de suas terras Damião Estanislau.
Revista Sertão



0 comentários:
Postar um comentário