quinta-feira, 7 de junho de 2012

A RODA GRANDE CORRERÁ POR DENTRO DA RODA PEQUENA


Por TITICO PEDRO  


A RODA GRANDE CORRERÁ POR DENTRO DA RODA PEQUENA

Desde a minha adolescência gostei de estar junto a pessoas com mais experiência, hoje carinhosamente tratadas de melhor idade, terceira idade etc. No início da segunda metade do século passado era assíduo frequentador do “Café de Marculina” da nossa saudosa MARCULINA RODRIGUES DA SILVA, mãe de Tereza e sogra de Adalberto Sales, estes residentes à rua Ananias Conserva, aqui em Itaporanga. O “Café de Marculina” naquela época era como se fosse o ‘Ponte de Cem Réis’ em João Pessoa ou o ‘calçadão’ em Campina Grade. O ‘Café de Marculina’ ficava onde hoje Irací Soares está instalada num edifício moderno construído pelo saudoso Derlí de Balduíno, hoje propriedade do mega empresário Cícero Carneiro e sua consorte Madalena. As tardes dos idos 1960/70 era frequência constante do então Deputado Estadual Beduíno de Carvalho, Juízes de Direito Manoel João da Silva, Ruy Formiga Barros, Orpheu Ferreira Caju, Euclides Carvalho Neto, entre outros, além dos Promotores de Justiça Praxedes Pitanga, Edilma Leite Cavalcanti, Prefeito Sinval Mendonça Pinto, dona Áurea Limeira, eterna Tesoureira da Prefeitura, Tabelião José Barros Sobrinho, advogados Cleanto Pinto, Marleno Barros e o saudoso Quinzinho Saturnino, este advogado rábula, profundo conhecedor do direito e defensor ímpar da classe mais desassistida. Nesse ‘Café de Marculina’ também tinha assiduidade dos Oficiais de Justiça, os saudosos Lucas Malaquias e Luiz Inácio, além de Zé Basílio, Luiz Plácido (de Felismina), Seu Né Rodrigues, Carlos Paulo e o extrovertido Antonio Moreno, Maria Rodrigues, Maria Edite, Hermenegilda Alves entre outros funcionários da Justiça Eleitoral. O ‘Café de Marculina” também era frequentado por expoentes da sabedoria popular, líderes religiosos, funcionários dos Correios, funcionários municipais e federais também, desportistas, estudantes, trabalhadores rurais, profissionais liberais, líderes políticos enfim, toda sociedade itaporanguense, guardando as devidas proporções. Me recordo dos grandes debates travados entre Antonio Malaquias, funcionário do DNOCS, com o protestante irmão Zé barros, um dos primeiros a integrar a família protestante em Itaporanga. Tudo isso faz parte do assunto que pretendo explorar nos próximos escritos.
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Ainda relatando acerca dos idos 60/70 me vem a memória, cujo ‘HD’ está aos poucos se corrompendo, as tardes sombrias do ‘café de Marculina’ de clima ameno dada a sua posição geográfica. Me recordo entre outros do nosso saudoso Antonio Augusto, Escrivão de Polícia, que também era assíduo daquele ponto de encontros de tantas recordações. Otávio Brasilino, Zé Lau, Chaves Madeiro e o nosso Jupi (Edgar Cavalcanti), todos graduados funcionários dos Correios e Telégrafos, faziam assento aos tamboretes duros de mandeira. Era impressionante o dia a dia do ‘café de Marculina’, um dos mais respeitados aquela época. Naquela época não havia essa enxurrada de bares e similares. A SOLVEDRINK dos saudosos Walter/Armindo Inácio o ponto mais chique da cidade que servia do sorvete a carne de sol tão bem servida. Os bares da época eram raros, Severina Carneiro e Maria Pequena no interior do antigo Mercado Público grande obra construída na gestão do Dr. Pitanga e, lamentavelmente destruída na gestão Sinval Pinto, que coisa mais retrógada! Quanta melancolia nos causa em pensar nessa impensada atitude e é porque o próprio Dr. Pitanga em carta endereçada ao radialista Ademar Augusto, lida na sua rádio poste da época, pedia clemência aquela monumental obra que apenas lhe engraxasse. O Dr. Pitanga tinha uma visão bem além do seu tempo. A prova está na última relíqua do seu patrimônio, aquela sua fascinante casa que ainda encontra-se no seu estilo original, bem poderia ser tombada pelo poder público municipal, pois, de fato, é um patrimônio que muito embeleza a nossa Itaporanga do Dr. Pitanga e nossa também. A alegria que guardo com prazer e ter tido a felicidade de ser amigo do nosso Praxedes Pitanga que me honrou com o seu voto quando fui candidato a Vereador pelo MDB, nos idos de 1976. O voto apesar de secreto tive a grata curiosidade de identificar o voto do nosso saudoso Dr. Pitanga quando da abertura da urna da seção em que ele votara. Até bem pouco tempo a contagem de votos é manual. Lembrar que o ‘Café de Marculina’ servia de Escritório à Prefeitura Municipal de Pedra Branca que o tinha como âncora e os seus gestores a começar com o saudoso Petronílio Epaminondas, primeiro Prefeito eleito a administrar o recém criado município de Pedra Branca. A partir daí o ‘Café de Marculina’ passou a ser chamado de Rodoviária de Pedra Branca. A frota de JEEP’s que fazia a linha Pedra Branca/Itaporanga/Pedra Branca tinha ponto de embarque/desembarque no ‘Café de Marculina’. Um fato inusitado ocorrera na eleição para o segundo mandato de Prefeito em Pedra Branca é que dois candidatos concorriam, Durval Leite, de saudosa memória, pela Aliança Renovadora Nacional-ARENA e Zé Padre, do Movimento Democrático Brasileiro-MDB. Os dois ancoravam no ‘Café de Marculina’. Pense numa união nunca antes vista? Ao meio dia quando eles voltavam a Pedra Branca, no auge da campanha eleitoral, ambos seguiam num mesmo veículo, mais parecidos com dois irmãos do que opositores. Aí é que era saber distinguir o joio do trigo. Foi uma campanha saudável que teve como vencedor o nosso José Ferreira de Azevedo que administrou aquela comuna por 3 ou 4 vezes. O ‘Café de Marculina’ fez história durante as duas primeiras décadas da segunda metade do século passado. O nosso saudoso Zé Basílio que tinha um hábito muito grande à leitura, tinha como missão ler e comentar as notícias veiculadas no jornal de maior circulação à época, jornal O NORTE. No auge da revolução de 3l de março, sentado a sua calçada, vizinho do ‘café de Marculina’, quando da criação do famoso AI-5, Zé Basílio de voz emudecida dado ao regime de exceção que imperava a todos nós, na medida em que citava o nome de algum político nosso conhecido só se ouvia o murmúrio entre nós. Fazer o quê? Regime de exceção ou se calava ou seria levado ao confinamento. Ah! Como é bom a democracia. E ainda há pessoas que não a valoriza. Nessa época (64/65) me recordo do nosso saudoso Ademar Augusto que passou a tomar um cafezinho, pois acabara de ser nomeado Chefe do Escritório da CAENE (Companhia de Água e Esgoto do Nordeste) que sucedeu a Prefeitura Municipal local na administração e distribuição de água em Itaporanga. A época éramos abastecidos por um poço amazonas perfurado às margens do rio. Pense num tempo de vexame que passamos por um longo período. Ah! no ‘Café de Marculina’ registro com saudades do nosso irreverente José Melquíades Ramalho, o Zé Arraes como era mais conhecido, Otávio Pereira Neves mais conhecido por Otávio Garapa, barbeiro de mão cheia, Natinho Ramalho, Severino Camões, João Virgínio, Manoel Polindório, João Crizanto, Né Virgulino e Edson Ferreira. Era todo esse contingente de pessoas que alternadamente frequentava o ‘Café de Marculina”. Interessante que à época das cassações de mandato também houve a cassação de muitos ‘santos’ admitidos pela Igreja Católica. Foi quando eliminaram o dia santo de guarda, por exemplo, comemorado em 01 de novembro (DIA DE TODOS OS SANTOS), eTxcluído pois do calendário religioso. Foi uma tarde atípica de muitos comentários dos mais diversos dalí surgindo a recordação das profecias e pregaões do Padre Cícero do Juazeiro, Frei Damião e Nossa Senhora de Fátima. Me recordo do saudoso Severino Alves, pai da nossa Reitora Marlene, que vez por outra visitava a sua mana dona Naninha Pereira, que morava na antiga rua 26 de julho hoje Pedro Pereira de Sousa. Que coisa?! Mudar o nome de ruas sem nenhum critério isso é apagar a história da cidade. Muito bem, o nosso Severino Alves, Severino Clementino, a própria Marculina, eram fiés defensores ortodoxos do catolicismo em sua essência e Severino Alves mais ainda comentando as profecias do Santo do Juazeiro. Entre outras me recordo da encenação que o nosso Severino dramatizava HAVERÁ DE CHEGAR UM TEMPO EM QUE A RODA GRANDE CORRERÁ DENTRO DA PEQUENA. Realmente a profecia tende a realidade e é sobre esse assunto que retornarei na próxima oportunidade.
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A RODA GRANDE CORRENDO DENTRO DA RODA PEQUENA . . .
Ainda sob a análise que farei à profecia do Padre Cícero Romão Batista, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei de Benefícios da Previdência Social me vem a recordação a construção da estátua do Santo do Juazeiro. No início da década de 60, do século passado, começou o uso da roupa de confecção exclusiva ao sexo masculino que até então não existia, pelo menos em Itaporanga. Os homens, inclusive crianças, se vestiam exclusivamente de roupas feitas pelos alfaiates da época, masculinos em sua grande maioria. Itaporanga dispunha de inúmeros alfaiates. Os irmãos Chico Guimarães e Zé Papa; Ioiô, Natinho e Zé Arraes; Agápio e Geraldo Sertão; Luiz Benedito, Audísio Pinto, César Nitão, Afonso Firmino, Danúbio de Maria Borrego, Sebastião Barreiro e outros tantos. As mulheres também costuravam roupas masculinas, porém, em pequena escala. Me recordo da revolução de 31 de março de 1964 mas me recordo também da revolução nos costumes da moda masculina das roupas pré confeccionada e exposta a venda no grande mercado público que já não existe mais. Naquela época vinham comerciantes ambulantes de vários lugares vender a grande novidade que aos poucos foi tomando o lugar da infinidade de alfaiates instalados em Itaporanga. A época os pontos de venda eram denominados ‘missanga’ e ‘missangueiros’ os vendedores. Como o tempo passa e muitas das vezes não nos percebemos. Três desses minsangueiros ainda hoje tenho guardado na memória, os jovens pernambucanos Linaldo e Vicente Tobias além do sr. João Pequeno. Os dois primeiros jovens na flor da idade casaram-se aqui, Linaldo com Geralda de Né Baião e Vicente Tobias com Ivonete de João Rufino (na verdade ela era neta do saudoso João Rufino, filha de falecido Gilson Rufino), ambos os casais constituíram famílias e, diga-se de passagem, todas equilibradas a exemplo do Vicente Tobias Neto. João Pequeno, de saudosa memória, mais maduro na idade, já chegou aqui trazendo os seus familiares. João Pequeno instalou-se na cidade e aos poucos foi transformando-se num devoto romeiro das profecias do Padre Cícero, formando romarias (pessoas que visitavam Juazeiro do Ceará, sempre no mês de novembro penitenciando-se diante do túmulo do Santo Padim Ciço). A cada ano o contigente crescia além da expectativa. Seu João Pequeno deixou a sua missanga e instalou-se na então Pedro Américo, com uma lojinha com venda exclusiva de imagens sendo a do Padre Cícero a mais procurada. Todos os meses, sempre no dia 20, João Pequeno reunia os devotos do ‘Padim Ciço” em frente a sua loja para cantar e louvar o ‘santo do juazeiro’. Das melodias a mais cantada era a que previa o fim do mundo na passagem do milênio “. . . ADEUS ATÉ MIL E TANTO QUE DOIS MIL NÃO CHEGARÁ. . ““. A frequência de tanto aumentar induziu o saudoso João Pequeno a construir a estátua do Padre Cícero que ainda hoje está erguida bem próximo ao cruzamento das ruas Praxedes Pitanga com a atual Dep. Soares Madruga. Interessante é que aos poucos o fanatismo foi decrescendo e hoje quase ninguém comparece aquele monumento que está quase em desuso. Quanta imaturidade! Fazer o quê? Na próxima semana vincularei a profecia do Padre Cícero tão dramatizada pelo saudoso Severino Alves no “Café de Marculina”, ouvida por nós outros, e o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

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