Misericórdia de Ontem, Itaporanga de Hoje V
Em Cima da Pinta
( Reynollds Augusto)
Somos todos viajantes do tempo e te digo, com certeza, que essa viagem passa rápido. Não se engane pois o tempo físico é uma grande ilusão, e já, já, todos nós seremos história. É por isso que a história deve ser preservada para servir de esteio para os filhos do futuro. Nossa Itaporanga de guerra possui muitos “memoristas” e agora temos instrumentos de registros, gratuitos, com as maravilhas da tecnologia, como a internet. Não há distancia que impeça de se colocar para fora um momento, uma vida. Está lançado o desafio.
A informação está realmente democratizada e a boa informação precisa realmente vir a lume. Não podemos deixar que os desavisados, sem compromissos, alimentem esses novos tempos com bobagens, besteiras, imaturidade e tudo mais.
Quando a luz surge, por menor que seja, ela espanta a escuridão. E todos nós, precisamos fazer luz, para que as boas idéias, lembranças, experiências de vida, sirvam de estímulos às buscas de cada um.
Hoje eu tive a grata satisfação de conversar com Nilton Mendes, meu irmão de ideal maçon, e fiquei encantado com os fragmentos de um tempo, que se foi, mas que estão registrados em sua mente fértil. São histórias interessantes, jocosas, que retratam períodos que partiram e que como os nossos, foram vividos intensamente e que, agora, na realidade relativa, ficou para trás.
Muitas figuras ilustres, cujos corpos estão depositados, hoje, no “Museu a Céu Aberto” da nossa “terrinha” e que é o nosso destino indiscutível: o velho cemitério guarda experiências, sonhos, e quando visito esse espaço realizo uma viagem no tempo, em que irmãos nossos viveram plenamente um fragmento de vida, que associado a outros fragmentos, construíram a história de Itaporanga.
Já notou como o cemitério cresce? É a vida em movimento. São os momentos ficando para trás e o tempo devorando tudo, para libertar o espírito imortal rumo à evolução.
Hoje precisei dar um passadinha no nosso “museu”. O meu amigo coveiro me disse que precisava fazer uns ajustes necessários no túmulo do meu saudoso avô ANTÔNIO AUGUSTO DE CARVALHO. Lá estão depositados os corpos de três jóias raras, da minha vida: ANTÔNIO AUGUSTO DE CARVALHO, MARIA PERPÉTUA LEITE (avós) e o meu pai ADEMAR AUGUSTO DE CARVALHO. Todos no mundo espiritual, a nossa verdadeira vida, sem enganos.
A visita me estimulou a passear no “museu” e ali, bem pertinho, me aproximei do túmulo de Crispim Pessoa, esposo da minha Tia Avó BIDU, cujo sentimento que tenho por ela não perde para nenhum dos meus familiares.
Ouço a voz de Crispim. O homem da voz grave e penetrante. Como uma lembrança puxa a outra, me lembrei que o meu avo e também “Pai", ANTÔNIO AUGUSTO DE CARVALHO”, que tinha o hábito de não se separar do seu radinho de pilha, vermelho, para se inteirar nas coisas que aconteciam no mundo, nessa vida que é um movimento rumo à plenitude.
Nossa meta é evoluir e para isso temos que desenvolver duas asas: AMOR E CONHECIMENTO. Sem elas você não se liberta dos enganos, das más escolhas, das ilusões, de você mesmo, que é o seu maior inimigo. Nada de satanás ou força exterior que nos imponha o cometimento de erros. Eles são por nossa conta. É claro que temos pensamentos sugeridos por espíritos atrasados, daí Jesus ter nos dado uma dica “... vigiai para não cairdes em tentação”. Mas , quando você é espiritualizado e segue os preceitos de Jesus, por exemplo, dificilmente você vai cair. Seja o teu falar e o teu agir “Sim, Sim; Não, Não”. Simples, não?
Pois bem, estou aqui a ouvir o radinho de pilha vermelho do meu avô ligado em baixo de sua velha rede. Estou ouvindo o Crispim Pessoa, animando as manhas de Velha Itaporanga. Mandando recados, avisos, aos moradores dos sítios. Se não me engano a Rádio se chamava CRUZEIRO DO SUL, e as suas ondas viajavam longe. Era a animação de Itaporanga, em um tempo carente de tudo. Ouço no radio uma velha música, clássica, de um cantor que, se não me engano, Teixeirinha, a cantar o seu drama pessoal pela morte de sua mãe, queimada. Um poema, um desabafo, uma reflexão, para aqueles que têm mãe e não sabem reconhecer o seu valor.
“O maior golpe do mundo, que eu tive em minha vida/ Foi quando com nove anos, perdi minha mãe querida/ Morreu queimada no fogo/ morte triste e dolorida...”
São sete horas da manhã....EM CIMA DA PINTA.
O chavão é conhecido, dos filhos do passado.
PENSE NISSO! MAS PENSE AGORA MESMO




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