segunda-feira, 11 de junho de 2012

Itaporanga vive um dos piores momentos de sua história em serviço público


 
 
Um município que precisa ser pensado e repensado, principalmente no que diz respeito à gestão pública. Se a boa localização geográfica e os investimentos particulares nos favorecem na questão econômica e geração de emprego; no serviço público, a cidade tem caminhado para trás: e o problema não é apenas desta gestão; é dela e das anteriores também. A falta de planejamento e investimento ontem e hoje nos legou um presente difícil e nos legará um futuro ainda mais complicado.

Vejam: no município que arrecada de repasses regulares, em média, mensalmente, 1,8 milhão de reais, não tem um matadouro para produzir um dos alimentos mais consumidos pela população local: a carne.

A rede municipal de ensino de Itaporanga, que já é uma das menores e menos estruturadas da região, está parada por uma greve que já dura quase dois meses. Com isso, a tendência é o município perder alunos e recursos também, sem contar o grande prejuízo educacional local.

Na saúde, é grande a dificuldade para se conseguir uma ficha para um atendimento especializado: a maioria de que procura é obrigado a esperar meses para a consulta, e nem sempre é beneficiado, mesmo depois de tanta espera. Pelo menos um posto do Programa Saúde da Família, o da Vila Mocó, que também atende o Balduino de Carvalho, está sem médico há alguns meses, segundo os próprios moradores.

Hoje a cidade também não dispõe de um destino ambientalmente correto para depositar seu lixo, e detritos e entulhos urbanos estão sendo jogados em um terreno no sítio Pau Brasil, na bacia de um açude, o que é um crime contra o meio ambiente.

Dezenas de ruas sem calçamento, esgotos correndo a céu aberto e queixas com relação ao lixo. Toda essa problemática sanitária adoece as pessoas, afeta mortalmente crianças e idosos e também compromete a vida do rio Piancó/Açu e todos os seus ecossistemas.

Em termos de abastecimento d’água, há mais de 15 anos grande parte da cidade passa sede ou não tem água suficiente pela incapacidade da adutora, e o problema tende a se agravar porque o açude, reduzido pela estiagem, já não tem capacidade de suportar o consumo.

Há queixas com relação a estradas municipais e à falta de uma política agrícola para o homem do campo, enquanto que nas periferias, a fome e a falta de moradia são graves problemas.

Mas problema é o que não falta no maior município regional: os 23, 4 mil habitantes desta terra esperam sinceramente que suas autoridades políticas pensem esta querida e grande comunidade não apenas de dois em dois anos, a cada nova eleição, mas pense este município considerando o seu futuro e o seu presente, a solução dos seus grandes e graves problemas.

Sinceridade, planejamento e capacidade têm faltado nas sucessivas gestões de Itaporanga; diante disso, o povo precisa abrir os olhos para sua realidade.
Folha do Vale

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