OS GRANDES RESPONSÁVEIS PELO DESENVOLVIMENTO DE ITAPORANGA E DO MUNDO - PARTE XII - CONTINUAÇÃO
OS FILHOS DO CASAL JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO/ HERMÍNIA LEITE GUIMARÃES.
( José Assimário Pinto)
Francisco Augusto Leite também é um dos filhos, o maior deles em virtudes.
Deus não lhe deu o tamanho sequer do pai, porém compensou em bondade, humildade, em presteza, enfim. Chico Xangai era admirado por todos os seus companheiros, tanto no tempo em que foi funcionário da SAMBRA, quanto do Banco do Nordeste do Brasil, aprovado que foi por desígnios de Deus, pois há muito se afastara dos estudos.
Até onde me lembro, Chico, Pai Gusto me dizia, que desde criança fora bom, inteligente e privava de toda admiração do povo de Itaporanga. Casara-se, exclusivamente por amor, com Dona Terezinha Rodrigues da Fonseca, filha do casal Lourival e Dona Edite, e que merecem todos os meus encômios por representar a união perfeita à comunidade do vilarejo.
Francisco não teve fortuna, no sentido material, mas teve-a muito no sentido espiritual, suas filhas são pessoas da mais alta qualificação e herdaram deles a vergonha, a doçura e a honestidade.
Chico brincava com todos, no mesmo pé de igualdade, não guardava rancor de ninguém, ainda que levasse desaforo, sabia perdoar. As linhas mestras de sua vida traçaram-na Deus em plenitude. Até para o servir, fazia-o às escondidas para que ninguém notasse, juntamente com Cleó, que viria a ser esposa de Júlio Nitão – homem de bem, digno de nota, que desposando esta chegou a ser professor do Ginásio Diocesano São João da Mata, fundado por Padre Zé na sua profícua profissão a um só tempo de Padre, de educador e benfeitor do vilarejo.
Tive a honra de ser um dos alunos, juntamente com Zé Vital, Patinhas, Bosco Gaspar, Tota Ferreira e quantos outros brilhantes filhos da terra que comigo assistiam aulas, praticamente gratuitas dos universitários, Marleno Barros e Sebastião Bastos, que além de professores eméritos e vocacionados, estimulavam a que continuássemos vida afora, pois detínhamos muitos valores, o que viria a ser comprovado ao longo do tempo pela sociedade Itaporanguense, Paraibana e até por este escriba.
Chico - tive oportunidade de conhecê-lo mais, no Banco, em desempenhando suas funções de funcionário do Banco do Nordeste; o seu birô era modesto, comprara com dinheiro de seu bolso uma folha de vidro e enchera-no de fotos variadas de clientes que atendera, o mais feio deles era Boinho, que ele dizia ser o mais bonito e maior de todos. Ao preencher as propostas de financiamentos rurais, havia um campo que perguntava o nome da pessoa e outra como era o apelido mais conhecido, e Chico, na espiritualidade que Deus lhe dera, perguntou-lhe porque se apelidara de “Boinho”, e ele respondeu – Seu Chico, “Boinho” foi o nome que eu ganhei na redondeza onde moro, mas se alguém me chamar por esse nome eu mato!
Nos dias de sábado, descíamos - os funcionários quase todos para a sorveteria de Walter Inácio - e certa vez estávamos em uma mesa tomando umas cerveja, quando Manoel José Roldão apareceu e Chico foi puxando a cadeira dizendo – esse eu tenho que abraçar, porque é o maior abraço de Itaporanga – o abraço foi tão grande que Manoel não suportou o peso devido à deficiência nos pés e acabou caindo.O gordo Walter também era bom por natureza, cortês com todos e auxiliado sempre pelo irmão Armínio, filhos do senhor Manoel Inácio, de quem roubei tanta castanha, pois sua propriedade era vizinha às terras de meu avô Misa Paulo.
No Banco do Nordeste eu subi ligeiro para a carreira para qual eu fora aprovado, em pouco mais de um ano já era titular e chefe da carteira de crédito rural e Chico sempre trabalhou conosco, mas não queria de forma nenhuma crescer dentro da Instituição, de sorte que se aposentou no mesmo cargo que conseguira se aprovar, como se fosse uma forma de que AGRADECER pela infinita misericórdia de Deus.
Era eu um adolescente quando entrei no Banco e além de sobrinho, me tornei um grande amigo de Chico, frequentando sua casa com minha namorada, noiva e depois esposa, Marlúcia Pinto; o casal Chico e Tequinha era para nós além de um exemplo salutar, como dois irmãos mais velhos que Deus pusera no mundo para nos orientar na vida. Assim é que tive em Chico Augusto o melhor dos meus amigos e Marlúcia sentia o mesmo por Tequinha e ainda hoje o é.
Numa manhã de domingo eu já estava em minha casa, onde até hoje moro, no Mezanino onde mandara construir, com as janelas abertas para os céus e para receber os amigos que quisessem sorver como sempre sorvi um vinho gelado ou uma lapada de cana, posto que herdei isto dos meus ancestrais. E foi num domingo cheio de luz que recebi um telefonema do próprio Chico ,de João Pessoa onde morava e sempre morou, dizendo que achava que estava com câncer no reto, eu lhe respondi que era mais uma de suas brincadeiras do tempos de Itaporanga e lhe pedi que não dissesse aquilo nunca mais, pois seria trágico se essa notícia fosse verdade. Pois era verdade, Chico viera a falecer em João Pessoa aos cinquenta e poucos anos, fui chamado às pressas para lá e infelizmente não tive forças para saudá-lo em seu sepultamento, como já era uma praxe minha, no momento derradeiro de despedida dos meus familiares.
Chico,,,a perda não só foi minha e de minha família, que era a tua também, foi da família Paraibana, do preto, pobre e/ou desconhecido aos mais significativos canais da sociedade Paraibana, vi com esses olhos que a terra há de comer, a dor estampada em todos, lamentando o acontecido, de forma tão abrupta quanto surpreendente. Havemos nos consolar e nos curvar, pois você era realmente grande e indescritível em seus valores humanos, cristãos e de respeito ao próximo. O seu sepultamento fora simples, sem alardes, numa tarde fria e calma onde até para chorar o povo, colocava a mão na boca, a um só tempo de surpresa e dolorido com aquela atrocidade que nos surpreendera a todos.
Chico foi um dançarino dos bons, juntamente com sua esposa, onde chegassem e cantavam todas as músicas da MPB e principalmente da velha guarda, nas serenatas que fazíamos ao luar do sertão e na costa do mar da Paraíba.
Fica com Deus Chico Augusto, recebe o meu abraço respeitoso; desse sobrinho que continua aqui na face da terra, mercê de Deus. Minhas palavras saem aos borbotões, ao improviso, mas, você sabe são de um amigo sincero.Faz cerca de dez anos, que estou com essas verdades entaladas na garganta, ATÉ QUE HOJE SAIRAM.
Campina Grande, 16 de Dezembro de 2013.





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