José Augusto de Carvalho Filho – “Zé Pitarcas)
18 dez
OS GRANDES RESPONSÁVEIS PELO DESENVOLVIMENTO DE ITAPORANGA – PARTE XII – CONTINUAÇÃO – OS FILHOS DO CASAL JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO/ HERMÍNIA LEITE GUIMARÃES.
Zé Pitarcas
( José Assimário Filho)
José Augusto Filho (Pitarcas) foi o mais novo dos filhos do casal, e se casara com Marluce Figueiredo de tradicional família de Itaporanga/PB, embos seriam meus compadres.
Zé Pitarcas, quando solteiro, juntamente com Mané Potó (um jovem de Piancó que frequentava a sociedade de Itaporanga), Meri, Moisés Pinto, Antônio Pinto (Pinto Borges) irmão de Sinval Pinto, aprontaram muitas presepadas.
Moisés, meu primo, filho de Dinamérico Pinto Filho, casado com Dona Otília, nessa época tinha um caminhão e não podia tomar nenhuma bebida, pois derrubava barracos de madeira que se enfileiravam em canteiros da Avenida Getúlio Vargas, posto que cada curva que fazia com o caminhão derrubava um dos barracos. Era uma confusão dos diabos de Moisés com a polícia de Itaporanga, o prefeito da cidade era Adailton Teódulo, médico renomado, que entrara para a política e brilhantemente se tornara prefeito da cidade, por eleição livre do povo.
Ex Capitão Médico da Polícia Militar do Estado, além de Prefeito, tinha o poder e gozava da amizade dos seus pares militares, daí porque intervinha sempre com êxito em defesa tanto da cidade quanto de Moisés, que não passava na verdade de um meninão no seu proceder de brigão, de cachaças desregradas e dos “giquis” que formavam com o grupo acima para dar surra em bêbados.
Os “giquis” , normalmente correspondia às pessoas que participavam das farras. Consistiam em que agrupavam-se em forma de corredor humano e a pessoa entrasse numa ponta e saía na outra, só o bagaço, de tanto apanhar.
O grupo de amigos se desfez com o casamento de alguns que inclusive passaram a residir em outras cidades da Paraíba, como fora o caso de Zé Pitarcas que passara a residir na Capital do Estado e Moisés que se mudara para Campina Grande/PB anos depois.
Apesar de pertencerem a famílias distintas, tanto José Augusto de Carvalho quantoMoisés Pinto, foram pessoas amigas e se tornaram chefes de suas próprias famílias.
José Augusto (Pitarcas) e Dona Marluce, sua esposa, tiveram os filhos Herminalice (Nairzinha), ora morando na Noruega, Luiz Augusto Sobrinho (Lolozinho), Segundo Neto e Joseluce (Doda), esta minha afilhada.
Moisés Pinto e sua esposa Dona Clarisse tiveram os seguintes filhos: Dinária, Eliane, Evelane e Dean.
Dean, homenzarrão do tipo de Moisés fora bárbara e covardemente assassinado quando ia a uma festa na Rua João Suassuna em Campina Grande e Eliane, de igual modo, só que à noitinha quando voltava do supermercado e entrava em casa.
De ambos os assassinatos, lembro-me bem, pois faz, relativamente pouco tempo, pouco tempo e Moisés e Ademário me noticiaram da tragédia deles, andei ainda nas ruas de Campina, tanto em companhia de Moisés quanto de Zié Pinto à procura desses criminosos que nunca apareceram até hoje.
Moisés haveria de falecer muito triste e sentido, vítima de um AVC aos 56 anos de idade no Hospital da FAP, cujo Diretor na época era o Dr. Paulo Pinto.
Jengo, como Moisés era chamado, era uma pessoa querida, trabalhadora e honesta, o mesmo aconteceu com José Augusto Filho, que faleceu jovem aos 62 anos, vitimado de um AVC na Cidade de João Pessoa/PB, o qual cheguei a visitar hospitalizado e agonizante.
Zé viera às últimas despedidas de minha mãe aqui em Campina Grande, da qual eu já falei e no ensejo conversei com Edmilson Fonseca e ele me dera notícias da vida de Zé em João Pessoa, vaticinando que ele não duraria muito tempo, pois ele “bebia como um rapaz”, embora já tivesse mais de 60 anos.
Em verdade, percebí que o meu tio envelhecera enormemente e claudicava nas lembranças e datas da família.
Zé em toda sua vida foi um indivíduo de bom humor, humilde, bom de direção de carro, e coração, ocupava a função de motorista da Universidade Federal da Paraíba.
Certa vez fui à Cidade de Princesa Isabel numJipão de Zé, e, ao chegar no topo da Serra fui lhe contar a história de uma alma penada, mesmo diante de suas súplicas de que não o fizesse, pois tinha muito medo de alma. Nisso um cachorro late do lado do motorista e Zé quase solta a direção do carro e foi me dizendo:
- Para com a história dessa alma, que ela já tá aqui, latindo do meu lado.
Descemos Serra abaixo, até a Cidade de Princesa, lá chegando fui procurar, num hotel,dormida, quando a dona muito educada me informou que àquela hora da noite só tinha aberto a Delegacia de Polícia e senhor pode, como autoridade que é, porquanto que já era Advogado em pleno exercício da profissão, procurasse o Delegado e que por certo me ofereceria um dos apartamentos destinados ao recebimento de autoridades na Cidade.
Com efeito, fui à sua procura e lá chegando encontrei-o turbinado de cana e foi me dizendo – Doutor, eu não sabia que o senhor andava com “pistoleiro” – Zé que exibia uma pistola à tiracolo foi me dizendo que se ele o chamasse de pistoleiro atiraria nos dentes dele.
Apaziguei a briga e mandei-os comprar uma garrafa de Sarinho, que era uma cachaça tipo exportação, muito boa por sinal, e o Delegado foi logo elogiando – “Isso é que são providências Doutor, essa cana é muito boa e procurada por aqui – meia hora depois eles voltaram com a garrafa de Sarinho e um bife acebolado para tira-gosto que a dona do Hotel preparara e me mandara.
Tomamos a garrafa e o tira-gosto também se foi e fui para os meus aposentos, deixando os dois eliminando a sobremesa; de repente, fui acordado pelo Delegado com sua rede debaixo do braço e apesar de não conhecê-lo antes foi me dizendo – Doutor pode tomar de conta da Delegacia, que eu vou procurar dormida no Posto de Seu Crispim, pai da Doutora Áurea. E sumiu.
A vida de Zé foi assim, de constantes e sadias brincadeiras, embora fosse um exímio atirador, tanto de pistolas, quanto de armas pesadas e muitas são as suas bravatas.
José Augusto de Carvalho Filho e Moisés Pinto foram pessoas dignas e honestas e merecem o meu respeito e de todos, pois já passaram para o andar de cima.
Campina Grande, 17 de Dezembro de 2013.



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