segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Mídia corporativa e agenda-setting para gerar profecia autorrealizável no julgamento do chamado 'mensalão do PT'


Quando a mídia corporativa aponta suas manchetes para um técnico de futebol, todos sabemos - mais dia, menos dia, ele cai. Ela ainda tem bastante força para influenciar a decisão de pequenos grupos, como uma diretoria de time de futebol, por exemplo.

Também ainda tem força bastante para queimar a carreira de um político (como vem fazendo, por exemplo, com José Dirceu). Ou para levantar a de outros, como ocorreu com o hipócrita Demóstenes Torres, recentemente cassado.

Ainda tem força para impedir a convocação de um dos seus à CPI, como ocorreu nesta semana com a possível convocação do diretor da Veja Policarpo Junior (leia Silêncio cúmplice da mídia acoberta crime de diretor da Veja denunciado em CartaCapital).

Já não tem mais força, é verdade, para decidir quem vai ser o próximo presidente, como sempre o fez, até 2002. O máximo que consegue é levar a um segundo turno.

Já não tem mais força para conseguir um golpe de estado, como em 1964, ou o suicídio de um presidente que lhe contrariava, como o de Getúlio Vargas, em 1954.

Nem para eleger e forçar o impeachment de outro, como o caso Collor.

Mas isso não significa que a mídia corporativa não siga buscando seu intento, através de agenda-setting, como agora, mais uma vez, conseguiu colocar em pauta o julgamento do tal "mensalão do PT", enquanto o "mensalão tucano", que aconteceu sete anos antes, continua na fila, sem julgamento previsto.

Mais do que isto: a agenda-setting da mídia corporativa tenta criar uma profecia autorrealizável, a de que o julgamento só pode ter um desfecho aceitável: a condenação dos réus.

Não por outro motivo, reportagem de Mônica Bergamo na Folha  tem por título "Nos bastidores, STF conta cinco votos pró-condenação". É puro jornalismo de impressão, espírita:
"Emitindo sinais", telepatia, ou, como chamo, jornalismo mãe Dinah.

Com isso mantêm a pressão sobre os ministros e o julgamento, coroando com essa matéria uma outra, do meio da semana, em que divulgaram uma enviesada pesquisa Datafolha que apontava que 73% dos entrevistados queriam a condenação dos acusados e que fossem enviados para a cadeia (leia aqui).

Pelo que vem acontecendo até o momento, a não ser que haja fato novo, a mídia corporativa vai vencer mais uma. Não vai ser nocaute a la Mike Tyson, como era antes. Mas, por pontos.

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