Manifesto em apoio à Comissão Nacional da Verdade. Sabemos, todos os que sofremos as agruras e as torpezas do regime civil militar, instalado a partir de 01/04/64, a importância desta honorável comissão.
A presidência da república decidiu instalá-la no momento em que, a correlação de forças e os fatores, histórico, político econômico e social, lhe deram respaldo para fazê-lo.
O pleno emprego, a retirada da miséria extrema de cerca de trinta milhões de pessoas, a ascensão galgada por quase sessenta milhões de brasileiros, não aconteceram por acaso. Foram frutos do esforço nacional, que alterou a ação econômica internacional do Brasil, saindo da esfera de dependência dos Estados Unidos da América e partindo para outros mercados, com negociações mutuamente vantajosas, o que nos proporcionou as possibilidades destas importantes evoluções, no nosso progresso social.
Claro que esta nova realidade atormenta as pretensões dos extratos privilegiados pelo regime civil militar, por suas relações incestuosas, com os interesses das multinacionais no Brasil.
A alternância pela alternância no poder não cabe mais na nossa realidade. Os brasileiros, pela primeira vez na sua história, vivem este momento, que só tem que avançar no sentido do melhor para todos.
A função da Comissão Nacional da Verdade está trilhando o caminho das audiências públicas, para animar a sociedade e fazê-la ver que estes vinte e um anos de terror, da nossa história recente, tem que ser esclarecidos, para o bem da nossa paz social.
Exortamos a celeridade dos depoimentos privados dos muitos brasileiros ainda vivos, com seus testemunhos sobre o que sofreram, para ajudar a tornar o país o que é hoje. Esta possibilidade proporcionada pelas oitivas da comissão da verdade orgulha a todos os lutadores, porque nunca transigimos com a nossa soberania e os interesses nacionais.
Só a título de exemplo da subserviência do regime civil militar, a sua primeira ação foi enviar tropas do Brasil para, juntamente com os Estados Unidos da América, invadirem a República Dominicana. Em seguida, extinguiram a estabilidade do emprego da classe trabalhadora, imposição das multinacionais e seus testas de ferro, para achatar seus salários e multiplicar seus lucros escorchastes, além de liberar as remessas de lucros para o exterior.
Foram vinte e um anos de subserviência, incompetência e terror.
A postura das falanges golpistas foi, seguindo a cartilha imposta da ideologia de segurança nacional dos Estados Unidos, colocar internamente as forças armadas do Brasil como verdadeiras tropas de ocupação, que nos momentos mais truculentos recebiam instrutores de métodos de torturas, a serem praticadas contra o nosso povo.
Os torturadores e assassinos sabem que foram usados como fantoches pelo império, contra o nosso país.
É fundamentalmente por este fato que fogem dos depoimentos junto a Comissão da Verdade.
O caldo de cultura de impunidade, ainda hoje impregna nossa sociedade e instituições, com gerações de meia idade, com suas consciências formadas no regime militar, alienadas ao consumismo exacerbado, tendo Miami como Meca. Nós, marinheiros e fuzileiros navais e demais militares, que compõem nossa entidade, honramos nossas instituições armadas, participamos das festas e desfiles dos veteranos com emoção e orgulho.
É por isso que sugerimos aos nossos novos comandantes militares a não continuidade de acobertamento dos torturadores, a abertura dos arquivos e a devolução dos corpos dos desaparecidos.
As nossas forças armadas não podem continuar sendo maculadas por atos praticados por indivíduos que não as representam, só as enlameiam.
As nossas forças armadas devem ser céleres em preparar os jovens militares, com uma visão do mundo sobre a ótica dos nossos interesses nacionais. A vastidão do nosso território exige que assim seja.
Neste contexto, a UMNA vem pleitear junto aos órgãos e autoridades, a quem cabe a nomeação dos componentes da Comissão Nacional da Verdade, a manutenção na coordenação da mesma, da eminente doutora Rosa Cardoso, que nos tem honrado com posturas firmes, coerentes e comprometidas com a finalidade dos trabalhos que a comissão deve ter, para virarmos com honra esta página intragável da nossa historia.
Rio de Janeiro, 28 de agosto de 2013.
Unidade & Mobilização Nacional pela anistia - UMNA
Wanderley Rodrigues da Silva – Presidente
Por Paulo Conserva




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