sábado, 11 de maio de 2013

A morte silenciosa nas bombas d’água



São tão constantes que se tornam incontáveis os casos de agricultores vítimas de descargas elétricas em motores e bombas d’água nesta região e pelo estado a fora. Uma tragédia que se abate sobre dezenas de famílias rurais todos os anos: é a mulher que fica sem o marido; é o filho que fica sem pai; é a mãe que fica sem filho; é o campo que perde o trabalhador.

Na esperança de produzir em uma terra tão ária, garantindo o sustento da família, o agricultor faz suas economias, sacrifica-se e compra uma bomba d’água para irrigar a sua terrinha, mas muitos terminam pagando com a própria vida a aquisição do equipamento.

Sem a orientação necessária para manusear o motor, o trabalhador rural não tem a noção do perigo que é o contato com a bomba ou motor d’água, nem sempre bem e seguramente instalado, e de vez em quando pipoca a notícia de uma morte. A mais recente delas foi do agropecuarista Antônio Moura, na Mata de Oitis, município de Diamante. Este ano também houve mortes em Santana de Mangueira e Coremas, além de outras, inúmeras, em áreas rurais do interior nordestino.

Por trás de tão grande e grave mortandade rural esta a omissão: fornecedores e poder público não oferecem ao agricultor que adquire o equipamento elétrico a orientação e qualificação técnica necessárias para o manuseio seguro do equipamento. Aliás, diante de tantas mortes, o governo já deveria ter promovido mais do que capacitação ao homem do campo para a utilização de tecnologia de irrigação, é necessária uma apuração sobre a qualidade desses motores e bombas d’água que são vendidos ao trabalhador rural. Essas perdas sucessivas de vidas podem ser falhas humanas, mas podem também ser algum tipo de irregularidade ou defeito no equipamento.

Apesar da grande mortandade e as circunstâncias dessas mortes, que têm causas semelhantes (choques elétricos ao tocar ou ligar o motor), os fabricantes dos equipamentos parecem ignorar o problema: já deveriam ter desenvolvidos tecnologias capazes de evitar a descarga elétrica durante o manuseio ou reparar alguma falha ou defeito no fabrico de bombas e motores  que estaria acarretando essa insegurança.

No entanto, como essas mortes ocorrem no silêncio do campo, longe dos grandes centros e não têm forte repercussão na mídia, nem governo nem fabricante se comovem nem se movem. 

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