ESTADO DA PARÁ IBA
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO E CULTURA
CENTRO PARAIBANO DE EDUCAÇÃO SOLIDÁRIA
7ª GERÊNCIA REGIONAL DE ENSINO - ITAPORANGA - PB
ESCOLA NORMAL ESTADUAL PROFESSOR FRANCELlNO DE ALENCAR NEVES
O 13 de maior é uma data emblemática em nosso calendário político. Desde a infância, somos levados a comemorar o feito histórico em 1888. A Data merece, sem dúvida, ser lembrada, mas não exatamente festejada. Como aponta os movimentos negros, precisamos todos nos convencer de que a origem histórica da desigualdade e exclusão vigentes tem muito a ver com a tardia abolição e, sobretudo, com o que ela não reconheceu, ao mesmo tempo, conseguiu adiar praticamente até os dias de hoje. Quando foi assinada a Lei Áurea, mais de 95% dos negros já haviam conseguido, com seus próprios esforços, a liberdade. Apesar da Lei ter abolido o trabalho escravo, contudo não significou a instauração da cidadania para a população negra, que estava condenada a tal regime de trabalho.
Precisamos buscar entender se de um lado,libertaram-se as amarras estruturais e institucionais para a expansão das relações de trabalho assalariado na economia brasileira, fundamentais para a prosperidade do negócio agroexportador e da nascente indústria. De outro lado, libertaram-se os senhores escravocratas da então gigantesca dívida social contraída ao longo de séculos com a maioria negra da população.
No processo, instituiu-se a condição econômica, política e cultural do excluído, do sem lugar na sociedade, do sem terra, sem teto, sem trabalho, sem direitos de cidadania.
A abolição parece que tudo fez para que nossa população negra não viesse a ter reconhecida a sua situação de cidadania política. Pior, inventou um racismo peculiar que é capaz de dissimular a negação de direitos que operacismo encravado no coração, nos nossos sentimentos, nas práticas, nos olhares, no falar, mas que não se pensa como racismo• e nesta sua inconsciência cultural e política se perdoa a si mesmo. Daí parecer da ordem natural das coisas a desigualdade e a exclusão segundo a cor da pele.
O 13 de maio deveria ser um dia para nos questionarmos, indagarmos sobre o que aconteceu no dia 14 de maio de 1888 quando milhões de negros libertos foram colocados nas ruas desse imenso País, sem trabalho, sem comida e sem moradia. O que sentiram e fizeram com suas crianças, mulheres e velhos? Temos a responsabilidade de assumir nosso papel de cidadão afro-brasileiro e exigir reparações ao governo brasileiro pelo mal causado ao povo negro e não deixar continuar a política social, econômica e cultural discriminatória que negligencia os direitos dos afro-brasileiros e os empurra para os subempregos, as favelas, para fora das escolas e das universidades.
Enviado pela professora Lourdes Malaquias.
Itaporanga - 13 de Maio de 2013.




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